quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008


Neste ano da graça de 2008 desejo a todos que não vos falte a pachorra para aturar os 365 dias que vão começar a chegar amanhã e que não vos falte a energia para dizer adeus aos que acabam de se ir embora hoje.

Nesses dias futuros, por favor façam asneiras e coisas acertadas. Leiam, falem, escrevam, dancem, chorem, riam e comam gelados.

Sejam felizes.

Tchim, tchim, à vossa!

Hélas!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Floresta de betão


Asseguraram-me que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela. Sinceramente não sei se isto é uma boa notícia, porque eu moro no 10º andar.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ás vezes precisava da cauda


Andei aqui a pensar, a pensar, a pensar mas não consigo chegar a uma conclusão; e isso, como sabe quem me conhece, é pura tortura.

Haverá alguém que me possa dar uma explicação satisfatória para o facto de só termos duas mãos e mesmo assim, termos dispensado a cauda preênsil?

Hélas!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Criação


Estive a ver um documentário sobre a criação de cães de raça. É impressionante: o Homem põe o seu engenho e perseverança a trabalhar e consegue imitar a Natureza, reforçando umas características e fazendo quase desaparecer outras. Espantoso.

Depois emerge uma outra característica humana - está completamente a borrifar-se para o facto dessas manipulações prometerem uma vida curta e de sofrimento ao bicho: o que interessa é que seja bonito (?!?) e ganhe o concurso de beleza canina.

Embora diferente, é a mesma lógica da malta anoréctica.

Acho que o que realmente distingue a raça humana dos outros bichos é colocar uma suposta beleza à frente de tudo, saúde e razão incluídas. Raio de raça, a nossa.

Hélas!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Estrelas


Há uma coisa que me preocupa verdadeiramente: porque diacho são só as estrelas cadentes que nos permitem formular desejos que serão transformados em realidade? Então não era muito mais razoável formular os desejos àquelas estrelas que, dia após dia, nos iluminam a noite com uma perseverança fantástica?! 

Com as cadentes é uma chatice. Nunca estão. Quando a malta olha já passaram ou ainda não. Além disso, onde é que as vamos encontrar quando quisermos reclamar que o desejo nunca se tornou realidade ou, pior ainda, que chegou mas é defeituoso?!?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tudo é relativo, não é?


Resolvi, nesta quadra da celebração da fraternidade entre os homens, recortar uns pedaços de uma notícia do Correio da Manhã, encurtando a cópia sem alterar o sentido:

Agredida na Consoada

Eram 04h00 quando uma vizinha começou a ouvir os sucessivos pedidos de socorro da mulher, de 42 anos. Foi chamada ao local uma patrulha da GNR que, à chegada, ainda ouviu a vítima gritar e pedir ajuda.

Segundo a mesma fonte, os militares foram recebidos "com injúrias e agressões", o que levou de imediato à detenção do homem, de 28 anos.

O agressor foi detido por desobediência e agressões à autoridade, assim como pelos indícios do crime de violência doméstica. Foi constituído arguido e, horas depois, já estava novamente em casa sujeito a Termo de Identidade e Residência (TIR)


Afinal é Natal, vá-se lá embora para casa homem, e quando matar a sua mulher de vez pelo menos não chame nomes à autoridade.

Hélas!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Tempus fugit


Todos aqueles que têm o hábito de me visitar de quando em vez se aperceberam que não dou uma para a caixa há uma semana... E estou de férias (do outro trabalho, quero eu dizer, do trabalho na empresa que me retribui com o pão de cada dia mais as filhoses no Natal)!

Não me perguntem por favor onde foram gastas todas aquelas horas que costumo gastar no emprego – em férias normalmente gasto grande parte delas a dormir, uma bênção! Mas no Natal nem isso, ando daqui para ali, tipo barata tonta, à procura do que não há, a perder o tempo que há e a pouca pachorra de que sou dotada. Chegada a casa, nem ânimo sobrevive para responder ao que entretanto se passa nos meus outros lugares de estimação, só dá para vegetar no SPA Homer Simpson.

Lamento mas, a julgar pela minha experiência, a coisa provavelmente fica assim tem-te-não-caias e só se resolve em 2009, com o regresso à rotina de não ter tempo para nada… Aí sim, haverá condições para viver normalmente.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos os meus visitantes uma noite alegre, pacífica e cheia daquelas porcarias que fazem imenso mal a tudo excepto ao espírito. Afinal, é melhor morrer pobre e doente que rico e com saúde

Hélas!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aniversário


Hoje é dia de aniversário.

Desejo que tenhas a capacidade de viver alegremente e sem fazer mal a ninguém. Desejo que te sintas tão amado como realmente és. Desejo que tenhas sempre desejos para realizar.

Desejo que continues a saber levar a vida com bonomia e que retires dos dias que passam a vontade de viver os que ainda não passaram.

Um beijo para ti, meu caro. Cheio de amor e discreto.

Hélas!

O génio da lâmpada


Perguntaram-me uma vez que desejo pediria se só tivesse um desejo para pedir; mas não podia ser nada relacionado comigo (por exemplo, não podia pedir para ter a capacidade de satisfazer quantos desejos quisesse, nem a capacidade de satisfazer desejos de outrém).

Pensei que paz era o máximo mas pensando bem, será? Acho que prefiro uma guerra declarada, com os valores em litígio bem claros, que uma paz podre de desinformação, pressões, desaparecimentos, torturas e mortes incógnitas. Guerra e paz são palavras muito traiçoeiras.

Inexistência de fome/sede? Sim, isso era bem bom. Mas nem só de pão vive o Homem, isso é certinho como a noite.

Bom senso? De bom senso, como de boas intenções, está o Inferno cheio. A abarrotar.

Ausência de infelicidade para o Homem? Mas depois, como é que se dá valor à felicidade? Ficava tudo uma mornice sem graça?!? Felicidade e infelicidade também são palavras muito traiçoeiras, olá se são!

O que eu queria mesmo era que as pessoas fossem felizes e boas e inteligentes e sensatas e não dessem cabo da Terra nem dos vizinhos, não chateassem quem é diferente e não se chateassem por haver malta diferente mas igualmente feliz e boa e inteligente e sensata, que nunca se morresse nem triste nem sózinho, que nunca ninguém tivesse fome ou sede de comida ou de amor ou de amizade ou simplesmente de companhia, que toda a gente tivesse sonhos realizáveis, que não houvesse filhos sem pais nem pais sem filhos, enfim, o paraíso para mim e para os outros. Mas não consigo meter isto num desejo só...

O facto é que eu não soube responder. Ainda hoje não sei. Mas estou a trabalhar nisso, já lá vão uns anitos desde que me perguntaram mas ainda estou. Não vá dar-se o caso de achar uma lâmpada velha na praia.

Hélas!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tanto, tanto...


Tanta filosofia, tanta tinta escrita, tanta palavra dita. Tanto choro e ranger de dentes, tantos indivíduos que cerraram os punhos e resistiram. Tanta pintura, tanta fome. Tantas canções. Tantos bebés mortos, tanta poesia, tantos jovens perdidos na imensidão da dúvida. Tantos quadros, belíssimos. Tanto desespero. Tanta música, sinfonias, solos e canções. Tanto sacrifício, tanta tortura. Tanto sofrimento. Tanta alegria, tanta doença, tantos romances, tanta tragédia. Tantos risos. Tanta morte. Tanta humanidade.

Tanto, tanto de tudo. Para quê?

Hélas!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Férias natalícias


Estou de férias, como de costume por esta altura: meia dúzia de dias úteis. Fui às compras que o Natal está à porta, a família é grande e ainda não comprei nada.

Cheguei cansada e triste: o Natal está à porta, não comprei nada, já gastei um dia útil e já "bati" os lugares fáceis.

Não me venham com a conversa fiada contra o consumismo da quadra, se não fazem compras de Natal é porque alguém as faz por vocês. E não se zanguem com o meu mau humor, que isto é só inveja, quem me dera que alguém o fizesse por mim.

Há dias assim.

Hélas!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Braille


A Biblioteca Pública de Ponta Delgada tem desde 2007 uma data de livros em braille mas nunca nenhum foi requisitado.

A chefe de divisão da biblioteca acredita que isto tem alguma coisa a ver com o facto existirem menos de vinte pessoas no arquipélago que sabem ler braille; mas eu cá acho que se trata de um maldoso boicote do continente.

Hélas!

domingo, 14 de dezembro de 2008

A língua


Como já expliquei uma vez, dia 11 é dia de rimas.

Eu gosto de rimas, quer rimem quer não. Conseguem muitas vezes exprimir o inexprimível ou seja, conseguem que se partilhe qualquer coisa que não é realmente partilhável... Nomeadamente sentimentos. Que são comuns (toda a gente os tem) mas não são comuns (não os experimentamos nas mesmas situações nem com os mesmos estímulos).

Complicado, não é? Pois é. Acho que foi por isso que se inventaram as rimas. Elas conseguem explicar isto e outras coisas igualmente complicadas, difusas, indefinidas, controversas, disjuntas.

As rimas são uma coisa fantástica, é a 3ª melhor invenção da humanidade.

Hélas!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Dúvidas existenciais


Estive para aqui a tarde toda a matutar no assunto, nem dormi bem nem nada!

Se os homens e as mulheres não são da mesma raça mas sim simbiotas, como está mais que provado que são, porque diacho as fêmeas são tão maldosas com os machos?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O piloto


Eles vieram.
Andaram escada acima, escada abaixo pelo prédio, até descobrir o que procuravam.

-Hmmm... Vai ser complicado, mas faz-se.

Depois andaram a cirandar pela casa, espreitaram buracos e calhas técnicas, puseram-se de gatas e subiram a escadotes:

-Hmmm... Vai ser complicado, mas faz-se.

Adoro esta maneira de ser, confesso.

Depois viraram-se para mim e disseram, meio envergonhados (já passava das 19:30, estamos no inverno...):

- Fazia-lhe muto transtorno se viéssemos outra vez, assim mais de manhã? É que vai ser complicado. É claro que nós temos lanternas...

Ora batatas. Não me dá jeito nenhum, mas que se há-de fazer?!? Os homens precisam de luz.
Agendou-se nova visita, ser cobaia é uma seca.

Hélas!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

As palavras que nos tiram a razão


(Obrigada, Blimunda, por esta frase)

As palavras que nos tiram a razão,
doem como um corte de papel,
são leves mas duras como pedras,
são combate, discórdia e raiva.

As palavras que nos tiram a razão,
são noites de insónia, são desespero,
são terramotos e tsunamis,
são desassossego e medo.

As palavras que nos tiram a razão,
são prova do nosso engano,
são medida do nosso orgulho,
são água de quem não tem sede.

São impossíveis de entender,
As palavras que nos tiram a razão.

Hélas!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Saramago


(...) já vendeu, nos Estados Unidos, 1 milhão de livros (...), diz a TV em tom embevecido.

Estamos a falar numa população de cerca de 300 milhões de alminhas, lá pelos EUA (provavelmente, grande parte dos livros foi vendida depois do filme - feito por um primo brasuca, pois claro!, que exarcebou os fígados áquela malta tão sensível e socialmente activa).

É esta a medida da nossa grandeza literária. E notem por favor que não estou a comentar o livro mas sim a pequenez das nossas aspirações.

Hélas!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Faltas


António José Seguro: "percepção de que os deputados são absentistas adensou-se".

Pudera. Se eu fosse aluna, convocava uma grandiosa manifestação para exigir direitos iguais.

Hélas

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Employer branding


Chegou o employer branding.

Entre muitas outras coisas, dizem eles, "O objectivo é criar uma imagem de «great place to work» perante a comunidade." (o sublinhado é meu).

Acho isto um espanto, vocês não acham isto um espanto?

Hélas!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sinais

Há sinais de não-trânsito que são absolutamente surrealistas, olhem bem para este:
Agora imaginem sinais apropriados para todas aquelas acções que vocês gostariam de proibir em praça pública...

Bom, ainda bem que eu não trabalho lá. Ainda era processada, ou davam-me uma tareia, ou sei lá, coisa ainda pior!!

Hélas!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Conhecimentos


Nós somos quem nos conhece melhor.

Ou será que somos quem se desconhece melhor? (Assim que coloquei o ponto parágrafo, ouvi uma gargalhada escarninha vinda do andar de cima - raios partam o vizinho.)

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Metafísica


Irrita-me profundamente que confundam brio profissional com falta de vida própria.

Quando se assume uma responsabilidade profissional, é de esperar que esse compromisso seja honrado... Ou não? Só deve ser honrado quando não interferir com a vida particular?

Quando entram em colisão de interesses, a coisa deve ser analisada ou sujeita a uma regra cega do tipo "A tem sempre preferência sobre B"?

Certo, certo, é que qualquer que seja a resposta, haverá descontentes - pessoais ou profissionais. Sim, valha-nos isso para sossegar o espírito, há coisas que são certinhas como a noite.

Hélas!

Espanhóis II


Voltaram a não aparecer e sempre sem dar cavaco.

Tudo agendado com dias de antecedência, 4 entidades distintas à espera e... Népias. Nada. Niente. Silêncio sepulcral. O responsável, muito responsavelmente, informou que não percebia bem onde é que eles estariam, pois tinha dado instruções para eles irem; mas vai tentar saber o que se passa e já nos diz qualquer coisita.

Até às 6:00 (lá são 7:00), hora a partir da qual o telemóvel já está em cima da secretária, porque é de serviço e eles já largaram o serviço. Sem telefonar.

Acho que vou exportar uns gajos daqui, que percebam o que querem dizer as palavras "calendário", "planeado", "relógio" e "telemóvel".

Hélas!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Eles têm que...


Esta frase tira-me do sério, tira mesmo.

Eles têm que perceber...
Ele tem de aceitar...
Eles têm que ver...
Ele tem de...

É sempre na terceira pessoa, nunca isto se conjuga na primeira forma.

Tira-me do sério. Mas têm que, tem de, porquê?!?

Porque o orador acha? Vai buscar uma metralhadora se "ele" ou "eles" não cumprirem a sua obrigação de "ter que"??? Mata-se à pancada, os malditos que não cumprem tão clara obrigação? Ou matam-se de tédio com um discurso tão pobre, mas tão pobre, que a frase que se destaca é mesmo a "têm que"?...

Ora batatas, que a malta continua mesmo na idade das cavernas.

Hélas!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

GPS


Como já disse noutro lado, este mundo está perdido embora andem todos de GPS na mão.

Vieram perguntar-me se quero ser cobaia, num projecto interessante. E não é que quero mesmo?!?

Caraças, este GPS não presta.

Hélas!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lagos


Fomos, de (muito) noite e sempre à chuva. Uma viagem chata para caramba, o que vale é que carros na A2 nem vê-los.

Chegámos lá pelas 4:30, dormimos um pouco, vimos gente querida, comemos goiabas do quintal e cumprimentámos os cães do vizinho.

Senti-me realmente bem-vinda ao jantar, eu e os meus vícios (não os posso deixar em casa, morriam de abandono, taditos e eu já disse que não sou uma assassina - excepto de alguns espanhóis e mesmo isso acho que é temporário).

Cambada de calaceiros, porque raio não inventaram ainda o tele-transporte, assim aquela coisa que nos faz transpor 300 km instantâneamente?!?
Eu ia ao allgarve todos os fds.

Hélas!

sábado, 29 de novembro de 2008

O vison é pipi


Está frio.

Tenho de ir a um sítio esta noite e já me avisaram que tenho de largar as jeans e as camisolas, que aquilo é para malta pipi e lá dentro é aquecido.

Eu quero ir - apesar do ter de ir pipi, quero ver o que lá vão mostrar. Percebem o meu problema? Como diacho se vai pipi com este frio?!?

Tenho de bater o dente todo o caminho, é?? Isto não está certo, isto não está nada certo.
E também escusam de vir com sugestões idiotas do tipo "leva o casaco de vison". Eu detesto casacos de vison, não tenho nenhum. Para o frio só tenho camisolas, grossas e nada pipis.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Espanhóis


Pois, pois, e tal e coiso, que a xenofobia é uma coisa muito feia.

Além de que os gajos produzem muito e tal, ele é só oliveiras onde os madraços dos portugas só querem ver turistas endinheirados e totós. Pode ser isto tudo muito verdade, mas hoje se me aparece um espanhol à frente eu mato-o; e aviso desde já que o mato com requintes de malvadez.

Nem quero saber que depois tenha um grande arrependimento (afinal os espanhóis são seres vivos, acho que sangram e tudo) porque não sou uma assassina; hoje sou, de espanhóis sou uma assassina de sangue frio. Geladinho.

Vão para o raio que os parta. Aprendam ao menos a falar inglês. Não se armem em parvos quando estão a fazer asneira da grossa. Não me digam com ar inocente que não sabem que horas são em Portugal. Não se espantem por ser preciso agendar uma intervenção que envolve 5 entidades distintas. Não me digam com ar inocente que Yo no hablo português. No, tambiem no hablo inglês. Hã? No te entiendo, hablas castelhano?....

Eu mato-os, juro que mato. Devagarinho.

Hélas!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pensamentos


A descomunicação é uma coisa tramada. Mesmo muito tramada.

O problema não é as pessoas não se entenderem, o problema é as pessoas pensarem que se entendem quando na verdade uma fala de alhos e outra de bugalhos. Quando as pessoas não se entendem há vários caminhos, sobejamente estudados e documentados, nem vou aqui falar nisso.

Mas quando julgam que se entendem e uma está a dizer o contrário da outra... Ambas sem a menor idéia que o outro não está nem pouco mais ou menos a falar do mesmo... Ambas convictas que o entendimento é mútuo... Ambas satisfeitas e inocentes... Ambas estupefactas quando alguém detecta, analisa, disseca e põe em destaque reconhecido não o assunto em discordância mas o facto do acordo mútuo ser simultâneamente inocente e enganoso.

Já tinha passado por isso antes e hoje assisti ao mesmo: acreditem, é tramado!

Hélas!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Calma


Não percebo porque me dizem tanta vez:

- Tem calma, mac.
- mac, tenha calma…
- Calma, mac!
- Ó mac, calma, pá.

Logo a mim, uma pessoa calmíssima. Isto já começa a enervar-me.

Hélas!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Oculista


Há malta que vê tão pouco, mas tâo pouco, que nem vê que está a precisar de óculos.

Com óculos de ver ao perto podiam perceber que o umbigo é afinal um buraquito irrelevante na sua barriga e não um buraco negro cheio de fome e de força. Mas não há nada a fazer: precisavam de usar óculos para ver que precisavam de usar óculos.


Hélas!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A minha pátria é a minha língua


- Deslarga-me!

Fixo a rapariga atentamente, mas não, continuo na dúvida: ela quer que ele a largue de vez ou quer que ele nunca, nunca!, a largue?

Rais parta o Tempo e os provectos anos, cada vez me entendo menos com os meus irmãos desta língua tão amada. Depois do acordo será ainda pior, suponho.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

Terapia


Lamento, hoje precisava de terapia, fui ao SPA
Homer Simpson.

Deve ter tido algum resultado, veremos.

Hélas!


domingo, 23 de novembro de 2008

Silêncio


Devo dizer que gosto muito de música - oiço, quando quero ouvir música.
E não dispenso a TV - ligo-a quando quero ser entretida e desligo quando já não quero.
Adoro cinema: ponho um DVD ou vejo o que está a dar na TV. Também gosto muito de séries, não todas mas algumas.
A net também tem ofertas muito boas.

Mas em geral? Adoro o silêncio. A ausência de sons perceptíveis.

E não percebo quem não o suporta, não percebo mesmo, my fault, I know.
Faz-me uma enorme confusão ao espírito, quem liga o rádio ou a TV numa sala e vai fazer uma coisa qualquer na outra. Assim como as pessoas que são incapazes de estar caladas, principalmente quando os outros também estão.
A ausência de som incomoda-as.

Será por vivermos num mundo barulhento e o silêncio transmitir uma certa inquietação, de coisa não normal? Será porque o barulho de fundo simula a companhia desejada e inexistente por falta de prova sonora?

Não faço a mínima idéia, o que me chateia. Quase tanto como a dificuldade em ouvir o silêncio.

Hélas!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Vida V


Há lá tristeza maior que ver alterações profundas na admiração que se teve em tempos por alguém?

Verificamos com desgosto que, ou eles ou nós, alguém se alterou no decorrer da Vida. Já não admiramos. Já não serve de exemplo. Já não se aspira a chegar lá.

Não foi por ter sido atingida a meta, foi porque esta deixou de o ser. E esta diferença marca toda a tristeza do Tempo e da perda da Inocência.

Depois, é preciso inventar formas de não ficar estupidamente zangado por alguém ser quem é e não quem nos dava tanto jeito que fosse.

Hélas!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mizaru Kikazaru Iwazaru


- Que o diabo seja cego, surdo e mudo!

Ouvi de passagem, no café. Fiquei a matutar no assunto: então isto não são as célebre virtudes dos três macacos sábios?

Estranho, muito estranho. Ora batatas, como é que alguém pode sequer conceber (quanto mais desejar) que o Diabo, mau por natureza, tenha as virtudes que se crê evitarem a maior parte do Mal?!?

Se calhar são idiossincrasias do bravo povo lusitano. Ou será que outros povos também utilizam a expressão?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Relógio


Fui a uma mostra, agora não interessa de quê; cheguei uns minutos mais cedo pois tratava-se de uma mostra guiada e portanto tinha hora marcada.

Esperei meia hora. Em pé e sem explicações, no meio de um molho de gente tão parva como eu. Fui-me embora sem ver nada, que a mostra iria demorar cerca de uma hora e eu tenho que fazer.

Diz quem lá ficou que foi giro. Eu não achei.

Hélas!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dentes do siso


O meu vizinho de cima desceu para, com aquele seu ar grave, me perguntar:

- Tu não achas que já tens idade para ter juízo?
- Não.

Ficou desconcertado.

Toda a gente que me conhece um tiquinho sabe como o meu vizinho do cimo das escadas é cínicamente racional, acutilantemente sério e absurdamente crítico; podem portanto avaliar a alegria infantil de o desconcertar com uma pequena aldrabice.


Hélas!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Guerra civil


Já uma vez fiz esta pergunta, na Folha de Couve.

Como ninguém respondeu, faço agora outra vez, esperando beneficiar desta maior interactividade: Que diacho quer dizer "guerra civil"?

Hélas!

domingo, 16 de novembro de 2008

Jornalistas


Estava eu à procura de inspiração no Correio da Manhã (não há melhor para temas abstrusos) quando li: (...) Quanto ao homem que atropelou o bebé, de dois anos, seguia num Volkswagen Golf cinzento e "nem sequer abrandou", lamentam os moradores. "Se o apanhássemos, matávamo-lo".

Não percebo bem se eles lamentam que o tipo não tenha parado para levar o puto ao Hospital se lamentam que ele não tenha parado para o poderem matar com toda a calma.

Estas coisas enervam-me. O raio dos jornalistas nunca fazem a pergunta que se impõe.

Hélas!

sábado, 15 de novembro de 2008

Porquê?

  • Porque é que a modalidade de Xadrez é separada para machos e fêmeas?
  • Porque é que a maioria das pessoas não é capaz de compreender um ponto de vista que não partilha?
  • Porque é que os pardais morrem em cativeiro?
  • Porque é que é considerado natural que as mulheres não gostem de matemática ou de física e apesar disso tenham queda para as tecnologias digitais?
  • Porque é que a maioria dos ET têm uns olhos enormes?
  • Porque é que tantas pessoas honestas não dizem ao empregado que se enganou na conta, quando o engano é a seu favor?
  • Porque é que os Elfos são masculinos e as Fadas femininas?
  • Porque é que perguntamos "Porquê eu?" quando um azar na vida nos acontece?
  • Porque é que os gatos rosnam quando estão contentes e abanam a cauda quando estão zangados e nos cães a sinalética é a oposta?
  • Porque é que a raça humana evolui muito mais depressa na Tecnologia que na Filosofia?
  • Porque é que a magreza se tornou um ideal de beleza?
  • Porque é que é mais fácil ter pena de um cão vadio que dum homem vadio?
  • Porque é que tanta gente considera importante a cor da pele e não a cor do cabelo?
  • Porque é que gosto de todos os bichos mas não suporto insectos?
  • Porque é que há pessoas noctívagas?
  • Porque é que...

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sexta-feira


Quando for grande, hei-de escrever uma tese intitulada "Síndrome de sexta-feira".

Claro que tenho de estudar devidamente este assunto e confesso que isso me dará algum prazer porque gosto imenso de perceber a razão das coisas: porque é que o céu é azul? Porque é que não há fadas macho? Porque é que religião é uma palavra feminina? Porque é que o mar me faz falta?

Porque é que é à 6ª feira que o pessoal despacha o trabalho que deviam ter feito durante a semana?

Hélas!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ping-pong


Andei numa batalha maluca, mails para cá, mails para lá, um duelo de ping-pong em que as jogadas subiam de tom e de dureza.

Ganhei um ponto: Fulano iria à reunião, uma video-conferência com aquele lugar remoto.

Chegado lá, a pessoa que devia receber Fulano desculpou-se pelo telemóvel: tinha estado ocupadíssima a 100 km dali e ainda vinha a caminho, nunca chegaria antes da reunião acabar; mas não fazia mal, ele que chamasse o Sicrano, que o acompanharia na dita video-conferência.

Chamado o Sicrano, também ele se desculpou: estava noutra reunião, também importantíssima, não o poderia acompanhar de maneira nenhuma.

Foi-se embora o Fulano; e o ponto que me custou tanto a ganhar, transformou-se em Perdas e Danos.

Que raio de dia treze.

Hélas!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vida virtual


Um dia, uma rapariga que estimo bastante disse-me que eu era muito mais interessante no virtual do que em pessoa. "Não somos todos?", respondi.

Ela ficou a olhar para mim, espantada. E eu para ela, igualmente espantada pelo espanto dela.

Nos blogues, nos comentários, nessa vida virtual, a coisa é fácil: escreve-se quando se está para isso e nem é preciso lavar a cara. Até se pode começar a frase antes do jantar e terminar depois de lavar a loiça - é realmente à vontade do freguês, fala-se com quem se quer, quando se quer, e com todo o vagar que se quer para burilar o discurso.

Na vida real não é assim, se a gente não lavou os dentes a mensagem perde-se no nojo do ouvinte. Depois, os desgraçados que nos acompanham na vida real têm de suportar a inspiração e a falta dela, conhecem o brilho da eloquência tão bem como os grunhidos matinais. E também nós não podemos, com toda a verdade, encarnar um desbragado cínico às 10:00 e um prudente contabilista às 10:30 - quem nos acompanhasse nas 2 ocasiões ficava baralhado e mandava-nos para Rilhafoles.

Como é que dizia o outro? "Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo."

No virtual, andamos a enganar (ou a ser completamente honestos, depende do ponto de vista) só algumas pessoas (escolhidas a dedo) e nem é durante o tempo todo (só quando estamos nessa disposição)...

Hélas!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Maré


Há um surdo zumbido,
silencioso e mau,
que atravessa os dias;
Onde amputa um sentido
o traiçoeiro lacrau
deposita as suas crias.

Zumbe zangado o zumbido.
Morre triste o sentido.
Zumbem zangadas as crias.

Hélas!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A chapada sagrada


Li hoje no jornal a história da Humanidade: a Igreja do Santo Sepulcro foi palco de uma cena de pancadaria, entre monges ortodoxos gregos e padres arménios. A polícia acabou por prender um arménio e um grego (deve ter sido a bem da igualdade de oportunidades).

Tenham por favor em mente que as 6 igrejas que dividem o controlo do Templo são todas cristãs, o que não as impede de andar à chapada no local que proclamam ser o sagrado sepulcro do Deus do Amor e da Tolerância, que veneram.

Querem mais? Uma saída de incêndio não é construída porque não há consenso e uma escada de madeira, colocada no século XIX, não é retirada porque não há acordo sobre quem tem autoridade para o fazer.

É esta a história do Homem: só está real e verdadeiramente de acordo consigo próprio - e mesmo assim, essa paz às vezes não dura…

Hélas!

domingo, 9 de novembro de 2008

Espanha


As minhas mais recentes experiências com os nuestros hermanos levam-me a perguntar novamente: como raio é que o índice de produtividade deles é maior que o nosso?!?

Já não é a primeira nem a segunda vez: demoram uma eternidade a responder a uma pergunta, outra eternidade a executar uma encomenda e chegados lá, a encomenda não foi executada ou foi mal executada. Podemos contar com mais duas eternidades até a reclamação ser atendida.

Acho que isto é um caso semelhante ao do BPN: é só fama, porque quando se fazem contas vem o Estado e intervem.

Hélas!

sábado, 8 de novembro de 2008

Graças sociais


Hoje é sábado e estou desfilhada e desmaridada (os tipos foram à vida deles, têm outros compromissos para além de me aturar e às vezes esses compromissos calham ao sábado) pelo que andei a tarde toda preguiçosamente a espiolhar a vida alheia, nesta tão interessante Terceira Vida (confesso que a Second Life não é coisa de meu gosto).

Deixei uma Boca aqui, um Bitate ali, uma alfinetada acolá, uns risos sacanas acoli ou seja, estive umas horas a exercitar o meu Doutoramento, que isto, como outras coisas, sem exercício esquece muito. Uma trabalheira.

Durante o processo, atingiu-me a compreensão de uma coisa que sempre me intrigou: se acho as pessoas tão interessantes, porque diabo não tenho eu maior graça social? A resposta hoje brilhou intensa, entre a bica e o cigarro: porque a graça social necessita de uma respeitosa pachorra com regras bem definidas. E respeitosa pachorra é um gene que os meus antepassados não aprovisionaram, portanto tenho tanta culpa disso como de não ter olhos azuis e um corpo escultural.

Olha que bom, menos uma coisa para me ralar.

Hélas!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Jantar dos Primos


Desculpem mas hoje foi o Jantar dos Primos de modo que estive ocupada a discutir filosofia caseira.

Amanhã talvez o artigo seja mais interessante; depende da espírito com que ouço a musa que se sentou hoje à mesa connosco. Pelo sim pelo não, convoquei todas mas aquilo é uma maltosa muito esquisita, nunca se sabe quem aparece.

Hélas!

Aperto de mão


Já apertaram a mão a um gordo trapo morno? Hghhhhhhhh... Ainda hoje o fiz e até a recordação me eriça os pelos dos braços.

Já me disseram que eu apertava a mão como um homem - não sendo eu parte dessa raça simbiota, senti-me algo insultada, vá-se lá saber porquê.

Mas como pelos vistos não sei como uma senhora (sim, não uma gaja qualquer, que isso era uma desclassifição terrível) deve apertar a mão, haverá por aí alguma senhora que me informe? É que não gostava de morrer completamente ignorante nesta importante questão. Obrigada desde já.

Hélas!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fazer o que se pode


Que é que interessa fazer o que se pode, se o que se pode não chega?

Já uma vez falei disso,
aqui. E a verdade é que cada vez mais estou convencida que fazer o que se pode é bonito e louvável mas o que eu quero realmente é que se faça o que é preciso ser feito...

O que é giro é que por causa disso chamam-me nomes. E com toda a razão, devo dizê-lo: não é a sabedoria popular que diz que quem faz o que pode a mais não é obrigado? Pois é. Mas para mim não chega, que querem?

É defeito de fabrico portanto não me chateiem, chateiem os meus tataravós.

Hélas!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições nos USA


As eleições prosseguem e com elas as orações e anseios de montanhas de gente.

A raça humana é sempre a mesma - deposita as suas maiores esperanças num gajo e fica à espera, prontinha para o enforcar na praça pública à primeira ocasião que as suas pouco sensatas esperanças sejam defraudadas - e serão de certeza, de tão pouco sensatas que são. Além de que qualquer relação entre elas e o que o tipo diz é pura coincidência...

O que acho mais giro é que, sendo este traço humano sobejamente conhecido, haja sempre tipos dispostos a encarnar activamente esse papel de salvador. Se calhar, como o enforcamento em praça pública é figurativo, ganham não figurativamente qualquer coisa com o quiosque.

Hélas!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O Grande Circo das Pulgas


Acho que toda a gente conhece a história dO Grande Circo das Pulgas.

O espectáculo grandioso começa logo com a tenda enorme e cheia de cor, apesar de lá dentro haver apenas uma cúpula de vidro muito pequena. Dentro da cúpula, há baloiços e escorregas, assim como trapézios, banquetas e outros objectos coloridos e brilhantes.

Estes pequenos objectos movem-se ao som da voz do apresentador e à medida do seu anúncio tronitruante que deixa qualquer um ansioso e tenso:

- Vejam estas maravilhosas, fantásticas, pulgas contorcionistas, a Pulgona e o Pulgão!

- Reparem na arte inimitável da Pulguita no trapézio: sem rede, meus caros, sem rede!

Ao fim de pouco tempo, toda a gente vê as pulgas e aplaude o seu desempenho, verdadeiramente inacreditável.

Sempre achei este Circo fascinante. Não exactamente a exibição, dado que as pulgas não existem, mas os espectadores são de facto um espectáculo.

Será que existem ou são pulgas numa cúpula dentro de uma enorme, colorida tenda, comigo no público?

Hélas!

domingo, 2 de novembro de 2008

Santinho!


- Atchim!
- Santinho.

Porque carga de água se responde "Santinho!" a quem espirra?!?

Será que nas profundezas da nossa ignara história o espirro foi conotado com alguma manifestação do mal e era necessário convocar os Santos para atalhar potenciais desgraças?

Ou pelo contrário, o santinho era convocado para ajudar a curar a maleita de saúde do espirrador? Ou será que a expressão é a síntese altamente contraída da reza "por favor, meu santinho, protege-me a mim da doença que aflige este tipo"?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sábado, 1 de novembro de 2008

A pergunta


Eu sempre disse que quando estamos em dúvida com a actuação ou intenções de alguém que nos importa, o melhor é perguntar-lhe directamente e sem rodeios. Pode não ser muito fácil mas se o alguém nos importa mesmo, o melhor é saber a sua resposta frontal e sem intermediários. É mais justo para o alguém e mais verdadeiro para nós.

O que não costumo dizer expressamente (sempre me pareceu claramente implícito... Mas aparentemente não é), vou dizer agora: estejam preparados para as consequências, porque elas existem: o próprio facto da questão se colocar é relevante e demonstra que sabemos que a nossa confiança nesse alguém é insuficiente.

Depois, podemos ou não acreditar na resposta. Se sim, resta apenas o facto da questão se colocar, o que pode não ser demasiado grave, dependendo da questão.

Mas, para qualquer questão, se não acreditamos na resposta, toda a confiança cai por terra e não há nada a fazer. Essa relação morreu. O melhor que o perguntador pode fazer para minimizar o luto é dizer claramente ao alguém que não acredita na resposta e ao menos assim ficam ambos conscientes do funeral...

Deixem-me só alertar para mais um pormenor a ter em conta: se a pergunta é feita, respondida com verdade mas quem pergunta não acredita na resposta - bom, parabéns ao perguntador. Acabou de ganhar a medalha de ouro na arte muito humana de magoar gravemente alguém inocente e matar qualquer coisa importante.

Hélas!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Prateleiras


Sabem o que é mau, mesmo mau, uma coisa com que não me consigo reconciliar por mais que viva? É a falta de prateleiras.

Que diabo, uma pessoa com a compulsão incontornável de analisar, espremer até quase só ficar o conduto, catalogar e arrumar à espera de mais informação - sempre à espera de mais informação - devia ter prateleiras suficientes para tanta espera.

Adicionem a este vício o facto indiscutível de não ser capaz de deitar nada fora (mesmo que esse nada aguarde há 20 anos a informação suplementar que lhe permita mudar de prateleira - atenção! MUDAR de prateleira, apenas mudar! Só um tipo diferente de mim pode conceber que aquele precioso conduto, tão único, deixe de ocupar uma prateleira...) e podem perceber o meu problema.

Que chatice! Lá terei de fazer prateleiras no tecto e sorrir amarelamente a quem me goza por esta lixeirafobia.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Loucuras II


aqui o disse uma vez: o riso salva do desespero quem ri... O que é muito melhor e mais construtivo que um tipo se afundar na aflição de não conseguir dar a volta a determinada situação.

Não se sabe bem como resolver uma crise? Ora bem, o melhor caminho é rir destemperadamente do ridículo que é sabermos perfeitamente o que resolveria a situação - quiçá outras mais, um bónus; se calhar até evitava a crise, um desperdício na opinião de muitos: se se previnem os problemas não fica à vista a nossa habilidade de problem solver - e sermos absolutamente incapazes de o fazer.

Porque fazer o que é possível não resolve a questão, apenas a disfarça com medidas paliativas para AQUELA crise; e não estamos realmente dispostos a pagar um preço tão alto, cilindrar gente inocente mas apanhada na voragem, por cuidados apenas paliativos.

Há quem fique feliz por poder administrar estes paliativos; eu cá rio-me. É igualmente ineficaz para a questão e muito menos eficaz para a imagem que todos vendemos ao mundo; mas muito mais satisfatória para o meu feitio.

Quero lá saber se se riem de mim enquanto me rio destemperadamente: riso por riso, é o meu que me agita a barriga. O dos outros... Bem, é sempre bom trazer alegria ao mundo.

Hélas!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Aspirina


Preciso de verdade e de aspirina. [Álvaro de Campos]

Este tipo era um idiota masoquista mas eu identifico-me com ele.

Ora digam lá a que propósito uma pessoa normal vai em busca da verdade (armada com aspirina, claro, que toda a gente sabe que a verdade dói. Masoquistas sim, idiotas também mas estúpidos é que não) quando podia ficar tão quietinho e confortável, no doce colchão do engano? É que basta fechar os olhos!

Acho que isto é doença, só pode ser. É como aquelas comichões que a gente sabe perfeitamente que não deve coçar para a pele não ficar ainda mais dorida e frágil e mesmo assim, coçamos até a dor substituir a comichão. Aí, dizemos "Ohhh..." e pomos um creme calmante.

Arre! Que ainda agrafo os olhos e pronto, está o problema resolvido de vez. O colchão é tão bom...


Hélas!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Velhice


Dizem que a velhice traz sabedoria e sensatez; sobre isso, ainda não formei opinião, se calhar ainda tenho de envelhecer mais um bocadinho.

Sobre o resto, o que noto é que cada vez sou mais lenta a mudar (a evoluir? A involuir?): aqui há uns anitos, quando relia pensamentos mais velhos que 6 meses, descritos pela minha própria mão, às vezes até ficava boquiaberta: como diabo eu tinha pensado/dito/escrito tal insensatez?!?

Hoje, releio escritos com mais de um ano e revejo-me. Concordo comigo própria. Pode lá ser?! Que andei eu a fazer tantos dias, cada um com tantas horas, se ao fim de um ano nem me movi uns centímetros?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O cego e o zarolho


Para quem não conhece a história, cá vai na versão rápida:

Estes dois apanharam um barco para a outra margem; por força da realidade, o cego ia remando, ao passo que o zarolho dava as indicações:

- Mais para a esquerda... Agora em frente...

Às tantas o cego dá uma remada em falso e acerta no olho bom do zarolho, que exclama:

- Arre, já está!

O cego, pensando que tinham chegado ao fim da jornada, apeou-se do barco e morreu afogado.
...
Às vezes, fico a pensar se o cego fez de propósito e foi a justiça poética das coisas que o tramou.

Hélas!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Há malta alegre...


O vizinho assobiou a avisar da sua presença, o que me deixou logo desconfiada - normalmente só dou por ele quando se ri alarvemente das minhas ralações.

- Podemos falar? - Disse ele, com ar simpático. O malandro sabe muito bem que nunca na minha vida me neguei a falar com quer quer que seja, em que situação for. Está careca de saber que penso que são as palavras a salvação da Humanidade mas só se houver quem oiça.

- Que queres?
- Quero saber se é verdade. Ouvi dizer que que andas para aí a arengar às massas que o Homem é um ser racional e intrínsecamente bom...
- É verdade. O Homem é assim. - Estou segura de mim própria, muito calma.
- Palavra? Mas então porque diabo anda esse tipo a matar-se a si próprio e a estrafegar as suas crianças com requintes de crueldade, há milhares de anos?!?

E esgueirou-se escada acima, a gargalhar desalmadamente. Há malta muito alegre. E são rápidos, a jarra que lhe atirei falhou por um triz.

Hélas!

domingo, 19 de outubro de 2008

Tecnologia


Nunca hei-de perceber a embirração ou a desconfiança pela tecnologia.

Tecnologia é o pau na mão do macaco, é a pedra na barriga da lontra, são os arranha-céus das térmites - cada um tem aquela que a sua capacidade de obrigar a natureza a servi-lo consegue.

Porque é que em vez de se zangarem com a tecnologia não se zangam com o espírito que usa a tecnologia para fins criticáveis? Bolas, não são as pistolas que matam pessoas, são as pessoas com pistolas que matam pessoas! E agora dizem-me que a culpa é das pistolas?!? Que bom, que fácil! Proibam-se as pistolas e acabam-se os homicídios...

Já pensaram que antes de haver pistolas se calhar matava-se mais facilmente e com menos consequências?... É que as pistolas não vieram sózinhas, com elas vieram também outras coisas, aquelas que hoje nos permitem saber que foram mortos os mortos, como foram mortos os mortos, bradar publicamente contra as pistolas que mataram os mortos. E nunca é possível obter uma coisa sem a outra.

Que diabo, acho que é mais do que tempo do Homem reclamar a sua responsabilidade, em vez de se esconder atrás dos meios.

Hélas!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O porteiro II


Como já se aperceberam ou não, dia 11 é dia de rimas cá no quintal.

O dia não tem nada a ver com nada - a tradição nasceu porque foi num dia 11 que pela primeira vez na minha já comprida vida submeti ao escrutínio público (ahahahah, o tipo mais bem escondido é apenas um ramo na densa floresta... O pior é que há quem se esteja a borrifar para a floresta mas conheça perfeitamente o ramo - incongruências do sec XXI, ora bolas...) a minha veia poética.

Desculpem lá, mas ser porteiro é tramado. Pior que ser porteiro só mesmo ser porteiro na própria porta: posso lá agora barrar a entrada a mim própria, mesmo que me apresente rota e lastimável?... Não, o melhor que posso fazer é rosnar "vá lá, desta vez passa, vê lá se da próxima pelo menos vestes roupa lavada..." e dar uma palmadinha semi-carinhosa nas minhas próprias costas.

Oiço um riso escarninho, vindo do andar de cima - o meu inquilino do primeiro andar diverte-se.

Hélas!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Manias


Se há coisa que me irrite em mim própria é a esta mania da análise => síntese => classificação. O impulso irresistível de por tudo em montinhos muito arrumadinhos, com uma etiqueta bem legível por cima: como se o mundo coubesse em etiquetas.

A este traço junta-se um estranho perfeccionismo: nem sonho ser realmente boa em tudo, limito-me a não fazer nada daquilo em que teria vergonha de assinar o meu nome por baixo - um ror imenso de coisas divertidas mas que me estão vedadas por ordem solene de mim própria, que é a mais alta autoridade que reconheço.

Juntem as duas coisas e verão o triste resultado: não tenho nada arrumado porque sei que o rosa velho não tem lugar no montinho do rosa barbie; e embora tenha uma etiqueta que diz suncintamente "ROSA", não há nada por baixo. Sabem, não tenho etiquetas suficientes para todos os tons de rosa que distingo diferentes e não há nenhum deles que não tenha um certo tom...

Suponho que o melhor é comprar uns óculos com lentes cor de laranja, talvez consiga arrumar algum montinho debaixo daquela etiqueta que diz "ESQUISITO".

Só coisas que me ralam.

Hélas!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Vencida mas não convencida


Conversar e discutir têm uma série de diferenças interessantes, já
aqui o disse uma vez. Acrescento agora outra coisa: conversar e discutir são tão diferentes como beber uma aguinha na mesa do café para matar a sede ou para entreter o descanso das pernas: uma é essencial á vida, a outra é apenas um agradável intervalo no que quer que a gente esteja a fazer.

Conversar é uma espécie de trânsito numa junção entre ruas: ora passas tu, ora passo eu, vamos contando à vez o caso que nos acode á mente e, qual ribeira indolente, traçam-se novos rumos e conhecem-se outras ervas mas tudo com a maior urbanidade - ora é a tua vez ora é a minha, ora é a daquele. É sempre uma via de sentido único - um conta e os outros ouvem.

Discutir é outra loiça. Levantam-se convicções, são desafiados credos e opções de vida, raríssimas vezes (que giro, isto é mesmo uma boa definição de discussão, acho eu...) há uma total consciência do que está em causa e que é simplesmente o facto de estarmos a desafiar mutuamente alicerces de personalidade.

Numa discussão apresentam-se argumentos que, com maior ou menor arte do discutidor, explicam e justificam a sua posição face à questão (claro que há uma questão, dahhh!) mas o que é realmente engraçado é que raramente os que discutem estão capazes de analisar fria e racionalmente os argumentos apresentados... Não, estamos normalmente demasiado ocupados a estruturar a defesa (defesa de que ataque?!? Não há ataque, há a introdução de novos dados, numa questão que para nós estava "arrumada" e agora, mas que chatice, pode estar novamente desarrumada...).

Já uma vez fui totalmente encostada á parede, numa discussão com um tipo impecavelmente calmo, gentil e racional: não mudei de opinião, claro, mas aprendi o verdadeiro significado da famosa frase "vencida mas não convencida": quer dizer que a nossa opção não tem bases racionais, estas foram construídas depois, como suporte.

Aprende-se sempre qualquer coisa, numa discussão, mesmo que seja sobre nós próprios.

Hélas!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Riso


Analisem bem e verão se não é verdade: de cada vez que um Homem se ri, é à custa de alguém (ou vá lá, à falta de melhor, de um animal considerado superior, ou seja, pelo menos mamífero como nós...)*.

O riso, aparente expressão de felicidade, na verdade não tem lugar quando esta está presente.

Só nos rimos do sofrimento, físico, sentimental, moral ou racional, e é claro que tenho uma teoria sobre isso (sabem de alguma coisa sobre a qual eu não tenha uma teoria? Digam, digam, que eu vos digo...): instintivamente sabemos que é melhor rir que chorar.

Já repararam? Quem chora encolhe-se, enrola-se, tende a adoptar a posição fetal; a páginas tantas os olhos já só vêem o próprio umbigo - e ainda chora mais, claro. Uma reacção natural pois tudo procura a sua perpetuação, como é sabido.

Mas quem ri espicha a cara para fora e vê os outros e o Universo: além de ter ainda mais motivos para rir (tudo procura a sua perpetuação, como é sabido) alarga os horizontes e amplia o seu mundo. Isso os chorosos não conseguem ao contemplar o seu umbigo; e mesmo as lágrimas de auto-comiseração se extinguem se não forem alimentadas com alimento fresco.

*A idéia de que o riso é sempre à custa de alguém não é original, embora a minha ignorância não me permita apontar o autor.,, Mas posso sempre citar Lautréamont: “Ride, mas chorai ao mesmo tempo. Se não puderdes chorar pelos olhos, chorai pela boca ou por qualquer outro lado. Sejam lágrimas, seja mijo, seja sangue, tanto faz. Mas advirto que um líquido qualquer é aqui indispensável”.

Hélas!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Tareia


Zurziram-me, zurziram-me e zurziram-me. Uma tareia.

Porque ando chocha.
Porque parece que ando a escrever para a Maria.
Porque não há pachorra para a actual mariquice dos meus artigos.
Porque quem me lê julga que tenho uma doença terminal (e quem me vê diz que vendo saúde!).
Porque não há paciência para quem perorou alto e de caixote coisas e loisas, berrou maldições a quem cala, criticou quem choraminga, zurziu quem esconde e afinal, agora... Amarica em público com saudades da praia.

Bolas, nem sei se hei-de estar agradecida por quem me exige mais se tristíssima por não compreenderem que há alturas em que simplesmente não tenho ânimo.

Sim, também sei que as amizades verdadeiras e desassombradas têm muitas vezes esta minha reacção como resposta. É que quem me zurziu tem razão, sabem?... O que nos apetece nem sempre é o que devemos fazer; muitas vezes é o que não devemos fazer.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

domingo, 12 de outubro de 2008

Praia


Sinto saudades do mar.

O marulhar das ondas, sempre igual e sempre diferente, a teimosa superfície até ao horizonte, a enérgica vida por baixo, protegida de olhares casuais, tudo isso me falta.

Sinto saudades da areia da praia.

A aparente suavidade mascarando a firmeza de rocha, a flexibilidade resistente, a teimosia lenta com que regressa à forma original, tudo isso me falta.

Não, não são saudades da infância, tão pouco saudades das férias, podem crer. São mesmo saudades da praia, saudades da tranquilidade que me traz, saudades do equilíbrio que me provoca, saudades da paz que lá sinto...

Hélas!

sábado, 11 de outubro de 2008

Mundos

Por vezes sinto-me estranha
caída da realidade
Onde não há esta manha
E é outra mentalidade.

Donde venho é diferente:
Mente-se de outra forma.
Talvez só mais lentamente
Ou apenas noutra norma.

Às vezes todo este mundo
Me é estranho, bem alheio,
Como um buraco sem fundo
Ou um bicho muito feio.

Por vezes toda esta gente
Me doi no fundo de mim.
Donde venho é diferente;
As coisas não são assim.

As cores que estão no mural
São mais baças, talvez.
O brilho não é igual
E não muda mês a mês.

Doi-me a alma devagar.
Não sei onde estou nem vou.
Só sei que parar e chorar
Nem lá nem cá é quem sou.

É mais de mim avançar.
Mesmo cambaleante,
Meio cega, a tropeçar,
É sempre marcha avante.

Se o abismo lá estiver,
À frente, inesperado,
Não há problema sequer,
Caio apenas noutro lado...


Hélas!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

S. Teotónio II


S. Teotónio, padroeiro dos mal-agradecidos, apareceu-me em sonhos acordados e disse-me:

- Ó rapariga, tu tem dó de mim, que eu sou só um e vocês são mais que muitos! Olha bem para o que tens e dá-me uma folga!

Coitado! Fiquei envergonhada e dei-lhe umas férias, sei lá, de umas horitas. Ele é santo, deve chegar e sobrar - afinal o trabalho dele é acudir-me, não é?!?

Hélas!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Bem e o Mal

Disseram-me há tempos que mesmo as acções supostamente altruístas são na verdade egoístas: fazem-se porque o mal estar que provocam é inferior ao mal estar que a não-acção traria: o homem nem se conseguiria ver ao espelho para fazer a barba se não se atirasse ao fogo para salvar a criança e a madre Teresa só foi para Calcutá para poder dormir descansada á noite.

Deste ponto de vista, tudo o que se faz é egoísta: faz-se porque não o fazer traria um desconforto maior que fazer. Quando não se faz qualquer coisa que nos até beneficia é porque não o fazer é mais confortável do que fazer.

O argumento não é estúpido, longe disso. É possivelmente verdadeiro: ser uma boa ou má pessoa pode ser apenas uma maneira de classificar as fronteiras de bem ou mal estar que nos impelem a fazer "isto" em vez de "aquilo". Sim, o argumento pode bem retratar a realidade.

Agora: qual a importância disto no conceito geral de Bem e Mal?...

Se não tiver - o Bem é bom e o Mal é mau independentemente da razão pela qual foi escolhido (nesta suposição é sempre a mesma: a acção que traz menor desconforto a quem a pratica) - a moral não passa de uma simples estratégia de sobrevivência individual. A mesmíssima razão que leva a um ratito a virar-se ao gato que o quer comer, apenas se eriça e bufa quando o felino lhe caça a cria e nem isso faz quando a cria é alheia. Não teria nada de Humano.

Sem conseguir - ainda! - analisar concreta e racionalmente porquê, acho que isso está errado; e além de estar errado, é Mau.

Obviamente, também acho que o argumento é falacioso pois esse tipo de egoísmo não é mais que meter no mesmo saco laranjas e limões, com a justificação de que "é tudo fruta!".

Mas que é que vocês querem, chateia-me não conseguir, por análise fria, separar as laranjas dos limões. Independentemente de gostar mais de laranjada ou de limonada, devia ser capaz de os separar antes de provar o sumo.

Hélas!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Beleza


A Beleza está nos olhos de quem a vê; toda a gente sabe isso, é um lugar comum. O que às vezes passa despercebido nesta frase tão simples e verdadeira é que, além de quem vê, também tem de existir alguma coisa para ser vista.

Ora, pois! Julgavam que era assim tão fácil?!?

Hélas!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Estrelas

As estrela são pequeninas mas brilham alegremente.

Sim, no céu imenso são mesmo pequeninas e brilhantes; é preciso tempo e estudos para apontar uma em particular e dizer: - Aquela é Sirius!

E isso que interessa?!? Qualquer criança inocente olha o céu nocturno e ri-se de pura alegria: - É tão lindo!

Não diminui a beleza e a alegria, o facto de nem saber que uma delas, mais precisamente aquela, é Sirius. Sirius? Que é que é Sirius?

Às vezes e sem razão aparente, penso que se sobrevaloriza o Saber. Depois caio em mim, olho para a ignorância crua e o que ela traz e volto aos livros.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

domingo, 5 de outubro de 2008

Maldade


A falta de pachorra para tolices (ou que nos parecem a nós tolices), a impaciência para com quem não nos compreende nem com explicações, a indisponibilidade para aqueles com quem não temos afinidade (mesmo quando a tivémos no passado), a insensibilidade para ouvir assuntos que nos parecem irrelevantes, bom, tudo isso são maldades.

Magoar os outros normalmente nem é intencional. A impaciência com que lhes cortamos o discurso que não nos interessa não é para os convencer que não têm nada de interessante a dizer e a falta de esforço para os compreender não tem como objectivo a sua tristeza. Pois, não é intencional mas é mau na mesma: analisem bem a coisa e verão que as raízes dessas acções moram no nosso egoísmo e na convicção de que NÓS é que sabemos, NÓS é percebemos, NÓS é que somos donos da verdade, enfim, NÓS é que importamos.

O egoísmo não é o Mal com letra grande mas é certamente um dos seus mais talentosos afilhados. Insidioso, sustentado na Natureza animal do instinto de sobrevivência, dissimulado pela ampla aceitação social, instala-se sem darmos por ele. Muito depressa, estamos a dizer convictamente:

- Se eu não tomar conta de mim, quem tomará? Eu defendo-me, os outros são crescidinhos, que se defendam a si próprios! Se eu não o fizesse era parvo pois ninguém o fará por mim!

E as pessoas à volta concordam. Na verdade, poucas pessoas nesse momento se lembram daqueles que, por uma razão ou por outra, não podem ou não querem defender-se destes pequenos atropelos e que por isso mesmo são sacrificados sem ruído. Que diabo, não se está a falar de matar alguém, não é? O problema é que não se mata ninguém mas mata-se qualquer coisinha; e de coisinha em coisinha, sem nunca o fazer drasticamente, estamos de facto a matar alguém sem dar por nada.

Ser uma expressão do Mal não é fácil, acho eu; mas ser uma expressão do mal é facílimo.

De vez em quando, apercebemo-nos que somos maus, assim, com letra pequenina. Não há nada a fazer quanto a isso, a palavra dita e a pedra atirada nunca voltam para trás; mas é sempre possível tentar ser melhor.

O que eu espero, sinceramente, é não perder nunca a capacidade de me aperceber que sim, ando a ser má com letra pequenina. Que Deus me ajude, porque se perco essa capacidade sabe-se lá onde vou parar.

Hélas!

sábado, 4 de outubro de 2008

Os paradoxos


Conhecem aquele paradoxo de Zenão, que afirma que é impossível chegar a qualquer lado? Para quem não se lembra, cá vai, tal como me recordo: imaginem uma determinada distância que é necessário percorrer. Será necessário percorrer primeiro metade dela, certo? Da metade que fica, terá de ser percorrida primeiro a sua metade; e de metade em metade, dividindo sempre ao meio a distância que resta, nunca se chega ao fim.

Eu sei que todos os dias vocês chegam onde vão; mas podem apontar o erro no raciocínio?

Se tiverem pachorra, vão à procura do Zenão: a história do corredor e da tartaruga é igualmente interessante e difícil de refutar!

Eu, que não acredito em paradoxos (assunto para outro artigo!), acho-lhes graça e à maneira como insidiosamente baralham a razão... Se ao menos fossem só os paradoxos a fazer isso!

Hélas!

Segredos II


aqui falei um dia sobre assuntos contados em segredo; na mesma altura notei que havia curiosidades periféricas, assunto para outro artigo. Bem, cá vai: imaginem que têm um segredo: faz sentido contar a alguém, com ou sem o habitual aviso "Não contes a ninguém!"?

Se de facto a coisa não é para contar a ninguém, porque diabo estamos nós a contar a alguém?!? E se nós podemos contar o segredo a uma determinada pessoa porque temos com ela uma relação especial, não dá essa acção uma licença implícita para essa pessoa contar também ás pessoas com quem tem uma relação especial?

De relação especial em relação especial, cedo o dito "segredo" pertence á praça pública. Sempre contado em surdina e protegido do direito de resposta, é livre de crescer para onde lhe der o vento de quem conta e de quem reconta.

Aconteceu-me já há muitos, muitos anos: uma confidência feita porque me doía o coração e achava que precisava de desabafar voltou a mim cerca de mês e meio depois; só vos digo que estava bem diferente daquilo que desabafei, uma versão distorcida - mas crível - de factos e gentes...

Acho que foi nesse momento que me tornei desbocada: ao menos que toda a gente saiba onde podem tirar as dúvidas em primeira mão, que toda a gente tenha o direito de me questionar em voz alta sobre o que digo, em vez do silêncio podre e fonte de sofrimento, do qual apenas me dei conta por uma amizade verdadeiramente rara.

Quanto aos segredos que volta e meia me caiem nos olhos e ouvidos, morrem lá... E Deus me perdoe mas acho que muitas vezes isso frusta as intenções de quem mos conta ou mostra. Que raio de coisa, a raça humana!

Hélas

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Ano Novo, Vida Nova


Ora bem, nem 2 semanas se passaram e esfuma-se o espírito Zen, sereno e sem mágoa...

Desta vez não há dúvida: andarei sempre à frente do meu tempo, nisto como em outras coisas: ainda nem chegámos a Dezembro e já ando a quebrar promessas de Ano Novo!

O que me vale é que todos os anos há um Ano Novo e é admissível uma nova tentativa pública; todas os meses podemos lutar connosco próprios para tentativas mais discretas e todos os dias são potencialmente dias milagrosos em que conseguimos ser aquilo que gostaríamos de ser sempre.

Hélas!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mau olhado

Moro ao pé de um estádio de futebol e fui hoje caridosamente prevenida por um colega solícito e que me conhece a leste desses paraísos: a maldita construção iria albergar um importante evento.

Esta tarde estariam novamente lá 22 marmanjos suados, a correr de calções mostrando as pernas peludas, atrás de uma única bola aterrorizada (pudera!) como se não houvesse mais nenhuma fêmea no mundo; tudo isto para gáudio de uns milhares de seres ansiosos, olhos esbugalhados e coração nas mãos.

Como já tive experiências semelhantes, não hesitei. Eram só 16:00 mas peguei no PC e na carteira e dei corda aos sapatos: em dias assim, quero-me em casa antes das 17:00, sem ter de conter ímpetos homicidas e sem ter de andar à bulha com desvairados de cachecol e chapéu cómico para a partilha da circulação na via pública.

Mas olhem, não há fuga ao mau olhado. Acabei por estar 20 minutos paradinha na avenida, a apreciar os ares belicosos com que uns manifestantes arrastavam os passos enquanto gritavam impropérios à respectiva ministra.

Confesso que acabei por achar engraçado, o ar pachola com que as forças da lei sorriam aos automobilistas enfurecidos por ver alternar as cores do semáforo sem que as fardas lhes saíssem da frente...

A julgar pelas buzinas e pelo ar dos condutores, acho que se não fossem as fardas os enfermeiros iriam necessitar de enfermagem.

Hélas!

Poesia

Se ao longo de séculos e séculos o pessoal se debate com o sentido da vida, mata milhares de iguais, escreve romances, tortura crianças, sua épicos, tenta genocídios, constroi sinfonias, extermina espécies, pinta sonhos, mata velhinhos, se sacrifica e se suicida...

Oh! Não me venham agora dizer que Poesia é coisa de mariquinhas. Mariquinhas são aqueles que não têm coragem de olhar para si próprios, rindo ou chorando, whatever, e mesmo assim dizer em voz alta e sentidamente algumas vezes:

- Bolas! Sou mesmo um mariquinhas!

Hélas!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Atropelamento sem fuga

Atropelaram-me e nem fugiram, continuaram impávidos e serenos como uma consciência limpa.

Passaram por cima de mim com a mesma tranquilidade com que atravessam a vida, a mesma segurança, a mesma indiferença; acho que nem nunca me viram inteira, quanto mais partida; eu era apenas uma possibilidade de sombra na sua estrada larga e sorridente.

Como sempre, estava escuro e quase ninguém viu o atropelo. Mas houve gente que viu, porque me perguntaram se eu estava bem e se podiam ajudar. Para ser franca, eu não sei se estou bem ou não; mais uma vez, estranhamente, não percebo bem se me apetece rir, brigar, chorar ou esquecer.

Rais partam esta minha natureza, permanentemente desconfiada de mim própria e das minhas certezas. Acho que se nunca ninguém tivesse visto nenhum atropelo, hoje estaria a questionar-me se de facto tinha sido atropelada ou se pelo contrário tinha nascido e vivido sempre assim toda desconjuntada e apenas nunca tinha dado por isso antes.

Batatas. Bom Deus, obrigada pela existência de gente que vê, não tem medo de dizer que viu e que pergunta se pode ajudar.

Hélas!

domingo, 28 de setembro de 2008

O Magalhães

Conhecem o Magalhães? Não, não estou a falar da leitaria ali da esquina, estou a falar do pequeno e escolar PC made in Portugal.

Já recebi e-mails, sms e li nos jornais: o pessoal anda excitadíssimo porque o Sócrates (não, não é o filósofo, estou a falar do actual PM) disse que era um PC português mas afinal os componentes são comprados algures lá fora e Portugal monta as peças para formarem um PC (como todos os fabricantes fazem, hoje em dia).

Acho graça a isto: uma das primeiras marcas a fazer o mesmo - escolher e comprar todos os componentes onde o negócio é melhor, montar e depois por a sua capa e marca, juntamente com um controlo de qualidade excelente, um inteligente modelo financeiro e um marketing eficiente - acho que foi a DELL. O sucesso foi enorme e tornou-se um caso de estudo; hoje não há quem não conheça a DELL.

Ah! Mas sendo Portugal a fazer isto, este sucesso torna-se uma vergonha nacional: onde já se viu Portugal fazer o mesmo que os USA e ainda por cima achar que terá sucesso onde eles também o tiveram, ainda que há já uns anos??...

Que vergonha, que vergonha... Portugal devia ser capaz de fazer o que ninguém faz, andar apenas sobre as águas, chocar diáriamente o mundo com idéias inovadoras como a Brisa e o Multibanco em vez de só o fazer ocasionalmente, e nunca, mas nunca! fazer o que outros já fizeram com sucesso. Sim, porque um milhão de PC made in Portugal no estrangeiro, à vista e uso de todos e espalhando o nome luso pelo menos no país daquela azémola, podem ajudar Portugal tanto financeiramente como em imagem; mas é à custa da auto-estima nacional, que não se satisfaz com nada menor que as Descobertas e trazer novos mundos ao Mundo - não é porreiro, Zé, tá mal.

Hélas!

sábado, 27 de setembro de 2008

S. Teotónio

A culpa é toda de S. Teotónio, porque me habituei a chamar por ele nas horas de incerteza.

Hélas

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Jogos de poder

As palavras são poderosas. Evocam sentimentos e não há nada no mundo mais poderoso que os sentimentos.

Tsunami? Terramoto? Bomba? Deixem-me rir: tudo isso é uma brincadeira de crianças, face às consequências de um sentimento partilhado simultaneamente pelo mesmo número de pessoas que sente directamente esses fenómenos...

Para transformações de importância bíblica não há no mundo nada que se compare com sentimentos partilhados; e certas palavras conseguem essa partilha: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem" tranformou o mundo, "I have a dream" também, embora noutra dimensão.
Acho que do horrível Katrina ninguém se lembrará daqui a uns anos...

Há outras palavras que não o conseguem, "White power" ou "Black power", por exemplo. Acho que é porque não conseguem a partilha necessária e essa é uma das razões que me leva a crer que as pessoas são intrínsecamente boas: as palavras de ódio nunca têm a magia necessária. O ser humano nunca adere completamente ao Mal, apesar de numa altura ou outra sucumbir à tentação.

Hélas!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Destruição criativa

Lembram-se? "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" [Lavoisier]

Vem esta a propósito de uma conversa plácida com um amigo que elogiava um texto escrito por um adolescente: entre outras coisas, era equacionada a destruição do branco da página face à criação sobre ele de um texto.

Independentemente de me admirar com a precocidade do adolescente (não li o texto em causa e, embora na idade em que as hormonas andam aos pulos e se pensa principalmente em namoradas, também tem a idade normal para os desesperados problemas existenciais que infernizam essa altura da vida... E não só essa altura, feliz ou infelizmente, sei lá.), ficou-me a pulga atrás do cerebelo.

Fiquei a remoer um pensamento estranho: se a árvore desaparece para se transformar no branco da página, se o branco da página desaparece para dar lugar às palavras, que diabo desaparece para dar lugar ao amor que votamos a quem o temos?...

Só coisas que me ralam.

Hélas!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tristeza

Doi-me a alma.

Que fazer, quando alguém a quem amamos está sincera e totalmente convencido de algo que nunca aconteceu? Algo repreensível?

Não há (nunca haverá) prova suficiente para nos convencer que estamos enganados quando o erro é gerado na nossa própria cabeça. Pode-se ver escrito, preto no branco e pela nossa própria mão que a coisa não foi assim mas isso não resolve nada: é que mais depressa se acredita numa conspiração mundial que no engano do nosso próprio cérebro: faz parte da natureza, cujas necessidades de sobrevivência assentam na confiança nos nossos sentidos e na nossa mente...

E a Natureza é sábia porque o contrário seria uma dor insuportável com um suicídio a prazo - não o desejo a ninguém, muito menos a quem amo. As únicas coisas que poderiam ter efeito são conhecimento, confiança e amor; mas a existência desta tríade evitaria a falsa construção mental em primeiro lugar. Feita esta não há solução, acho eu.

Eu sei disto e por isto o amor permanece inteiro - e é por isto que me doi a alma. Por isto e por não ser possível fazer desaparecer a dor alheia - pois, não é só a mim que doi; a quem está enganado, embora esteja enganado, também doi e muito - e a dor é bem real, não tem nada de enganado.

Hélas!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Infância

Não sou daquelas pessoas que julgam que as crianças são seres frágeis; antes pelo contrário, julgo que são mais fortes e resistentes que qualquer adulto - embora ou se calhar por isso mesmo, tenham também muito menos defesas.

Também não sou daquelas pessoas que julgam que um assalto ou um desgosto deixa as crianças traumatizadas para sempre, medrosas e/ou maldosas para o resto da vida; pelo contrário, julgo que as crianças têm uma capacidade de renovação impossível a um adulto cristalizado - embora ou se calhar por isso mesmo, também tenham um espírito crítico muito pouco sofisticado.

Dito isto, há uma coisa que considero verdadeiramentes irrecuperável, qualquer que seja a criança ou o ambiente em que se move, antes, durante ou depois: a leveza de espírito de quem se sente real e incondicionalmente protegido e amado. Perdida uma vez, acho que nunca mais é recuperada essa inocência.

Outras características fantásticas da infância, devidamente acauteladas e nutridas, poderão sobreviver ou mesmo renascer, dando frutos. Mas a verdadeira inocência de quem não concebe o Mal cru, essa nunca se recupera. É como perder um braço: há próteses fantásticas mas nenhuma de compara ao original.

Não sei até que ponto esta inocência infantil é importante no passado de um adulto decente e equilibrado, sei apenas que quanto mais cedo se perde mais cedo se inicia a vida pesada e responsável...

Sim, há perdas definitivas.

Hélas!

domingo, 21 de setembro de 2008

Regresso

Regressei da minha ausência do mundo real. Foi bom.

Contrariamente a hábitos de longa data, ausentei-me deliberada e determinadamente de todo o dia-a-dia, pessoal e profissional. Houve tempo para não pensar em nada além da temperatura do mar ou a beleza duma pedra e tempo para filosofar comigo própria sobre questões dolorosas. Também houve tempo para, sabendo que nada/ninguém é insubstituível, reconhecer que há pessoas e coisas que são muito importantes para mim. Houve tempo para interiorizar novamente a crucial importância das pequenas acções ou da falta delas.

Tomei decisões que tenciono manter vigentes no remoinho agitado da vida normal e espero conseguir manter muito tempo este espírito sereno e sem mágoa. Pelo menos até ao próximo intervalo.

Hélas!

domingo, 7 de setembro de 2008

Olímpicos

Estava aqui a vegetar frente à TV e vi – quando a China quer impressionar o mundo ocidental, tem os meios e a capacidade – de modo que impressiona mesmo. A abertura dos Paralímpicos foi um espectáculo belíssimo, como já tinha sido a abertura dos Olímpicos.

Mas... Não percebo os Paralímpicos, não percebo mesmo…

Se há as categorias de 100, 80 e 50 Kg, qual é a dificuldade de adicionar os sem-uma-perna, sem-um-pé, sem-um-braço ou outra categoria qualquer, qualquer que seja a modalidade? Qual é o problema em ter os 100 m para pessoas que vêem e 100 m para quem não vê?

Porquê este separatismo - uns Jogos para uns, outros Jogos para outros?

Já tive esta discussão com algumas pessoas e é ponto assente que não tenho pinga de sensibilidade para estas coisas. Seja .

Mas há lá discriminação maior que uns jogos especiais, com uma pira olímpica especial, em data especial?... Porque diabos não se consideram os deficientes como são: pessoas normais com um constrangimento qualquer, como não ter 100 kg?… Eu peso 55 e sou altamente pitosga, não me passa pela cabeça competir, num desporto em que isso tenha importância, com alguém que pesa 100kg e tem uma visão 20-20… Se competir quero fazer isso entre iguais ou seja, pessoas em igualdade de circunstâncias onde essas circunstâncias sejam relevantes.

Diga-se de passagem, outra coisa que não percebo de todo é a existência das categorias macho e fêmea no xadrez. Se ao menos a contagem de neurónios fosse diferente em alguma das categorias!...

E com estas me vou por 2 semanas.

Hélas!

sábado, 6 de setembro de 2008

Férias

Vou de férias por 2 semanas, para local onde a Net ainda não está trivializada.

Sei que a publicação anda irresponsavelmente irregular; que bom, pelo menos desta vez posso justificar a ausência de artigos!...


Hélas!

domingo, 31 de agosto de 2008

Que raio?...

Mas que raio de gente estou eu, a sonhar com o próximo fim de semana logo na 2ª feira de manhã e a lamentar a semana que entra, logo no Domingo à noite?!?

Tenho de me por a pau, senão qualquer dia vivo em permanência na sala de espera do desespero.

Arre! Antes a morte que tal sorte.

Hélas!

sábado, 30 de agosto de 2008

O amanhã

O sol brilha, de vez em quando. De vez em quando, chove.

E de quando em vez nem uma coisa nem outra, é assim uma espécie de chuva adiada num dia cinzento.

As crianças riem, de vez em quando. De vez em quando, choram.

E de quando em vez nem uma coisa nem outra, ficam mudas a olhar muito sérias para o mundo à volta.

A vida é boa, de vez em quando. De vez em quando, é má.

E de quando em vez nem uma coisa nem outra, é assim uma antecâmara de sentimentos contraditórios à espera de definição.

Acho que é o que que define a infância, a confiança no dia de amanhã.

Hélas!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Prece

O Homem é estranho... E Tu viste muito mais que eu, que vi o que não queria ter visto.

Maldade. Egoísmo (indiferença, miopia, ganância). Inveja.

Sei que para mim os pecados mortais são outros, quem sou eu para achar que o Teu amor caiu em saco roto e sacrificaste o Teu Filho em vão?!? Sabes melhor que eu, certamente. Mas olha, não descortino quem por cá merece tal. Nem poderia, pois não valho mais que eles; mas ajudava-me, lá isso ajudava. Embora não saiba bem a quê, tenho a certeza que ajudava.

Sossegava-me a alma, ver com os meus olhos imperfeitos a Razão cuja falta me atormenta. Eu sei, eu sei, já a puseste à minha frente e eu não a vi... Mas que queres? Disseste-me um dia: "Pede e receberás". Ora pedir é das poucas coisas que sei fazer e como qualquer Homem, não me esqueço nunca do que me prometeram, embora frequentemente me esqueça do que prometi.

Hélas!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Monólogos dialogados

Valha-me S. Teotónio! Estava eu sossegadinha a cozinhar uma couve, toca a campaínha: era o meu inquilino do 1º andar (um tipo muito metediço, como decerto já repararam: sempre pronto a meter umas colheradas de racional na mais inocente e simples emoção) todo alvoroçado. A conversa foi (àparte o facto de ser de mim para comigo, note-se) um bocadito mais surrealista que o costume:

- Tu está doida, rapariga?!?
- Eu? Mas porquê?
- A expores assim as tuas fraquezas, a mostrar - sabe-se lá a quem - alvos sensíveis?
- Eu? Mas eu só estava a descrever umas dúvidas que penso que são de todos...
- Tu estás a sonhar, até podem ser de todos mas ninguém as diz! Tu não percebes nada!
- Eu? Mas se toda a gente pensa nestas coisas...
- Pensa mas não diz! Tu é que não pensas nas implicações!
- Eu? Mas o que está implícito é que somos todos imperfeitos, todos temos fraquezas...
- Isso agora não interessa nada. Mas dizer certas coisas, rapariga, tu não vês que é perigoso? Dás armas a quem te quiser atacar!
- Eu? Mas porque é que alguém me quereria atacar?...

Bom, não reproduzo mais que a conversa prolongou-se por minutos, com o meu inquilino do cimo das escadas a desancar-me e eu, feita tola, a responder sempre o mesmo: - Eu?...

Ou o inquilino do 1º andar anda mais acutilante que o costume ou sou eu que estou cada vez mais despardalada da realidade. Ou então são as duas coisas.

Valha-me S. Teotónio... Porque diabo não me mudo eu lá para cima ou vem ele cá para baixo?!? Resolviam-se duma vez, estas discussões irritantes.

Hélas!

domingo, 24 de agosto de 2008

Segredos

Por várias vezes, amigos maiores ou menores me alertaram que o meu maior problema não é falar demais mas sim falar em voz alta - qualquer um me pode ouvir.

Já me pegaram pela mão e me levaram para local mais reservado - e quem o fez foi uma pessoa a quem respeito, preocupado pela minha falta de discrição ou quiçá com o facto de eu estar a falar com ele em voz normal, acerca de terceiros.

Detesto segredos. Cheiram-me sempre, com razão ou sem ela, a fraqueza na espinha dorsal do Homem, além de que é sempre o segredo que possibilta acções inomináveis, nunca a exposição clara.

Não me incomoda assumir que a minha opinião estava errada: não belisca um milímetro a minha auto-estima o facto de reconhecer um erro e partir para outra, agora mais informada, e fazer isto publicamente - sempre interiorizei que a verdade do homem não é intemporal e só os parvos não reconhecem o erro.

O que verdadeiramente me incomoda é o silêncio ou um papaguear vago quando se discute uma questão, evento ou pessoa qualquer; incomoda-me a falta de tomada de posição pública, incomoda-me o cuidado com o não-compromisso, incomoda-me passar tempos e conversas com pessoas das quais não sei a verdadeira opinião.

Incomoda-me o segredo, mesmo que seja apenas da opinião sincera.

Hélas

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Verdades, verdade...

Sempre acreditei e continuo a acreditar que a verdade é libertadora.

Mentiras médias, grandes logros ou mentirinhas da tanga não são mais que cadeias às quais acorrentamos a nossa vida; e a grossura das cadeias é proporcional à grandeza/importância da mentira.

Deste ponto de vista, o mais inócuo é a ausência de verdade - também é uma mentira, claro, mas é aquela que traz consigo as cadeias mais frágeis. E permite quase sempre a fuga do "Nem me lembrei de te dizer...".

Valha-me S. Teotónio! Porque lidamos tão mal com a verdade, a despida, real, inocente, incompleta, pura e brutal verdade?!? Porque julgamos insensatamente que a verdade que assumimos publicamente tem de ser intemporal? Afinal, não é preciso ser maldoso ou insensível, para dizer a verdade dessa hora.

Se a Verdade nem existe nunca para o Homem e todos sabemos que aquilo a que chamamos verdade não é mais que a nossa percepção da realidade, sempre toldada pelo conhecimento da altura, pelos humores da altura, pelas hormonas da altura, pelo sono dessa noite?!?

Bolas, dito isto, agora acho que não é bem com a verdade que lidamos mal, é mais com as nossas próprias imperfeições e incapacidades.

Hélas!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Filosofias

Há quem trate os amigos com a mesma delicadeza com que trata um conhecido qualquer e se dê ao trabalho de agradecer uma gentileza; claro que também há quem considere essa gentileza como devida.

Há quem se lembre de ditos, feitos e factos velhos de mais de 6 meses mas passados com outros; claro que também há quem apague da lembrança toda e qualquer coisa passada que não lhe diga directamente respeito.

Há quem se lembre dos amigos quando eles se afastam e os chame, uma e outra e outra vez, sendo insistentemente chatos, só para ver se estão inteiros e saudáveis e fazer saber que se está lá se eles algum dia quiserem voltar; e também há quem responda por considerar que é uma necessidade do chamador - não querem voltar para trás e a resposta é um fardo mas são boa gente e não querem magoar quem os chama. Sem intenção, enganam os chamadores...

Acho que a Filosofia não devia deixar de ser obrigatória na Escola, devia era ser proibida de todo. Faz crescer, sim, abre os olhos para muitas coisas.

Entre elas, uma desgraçada consciência do Outro.

Hélas!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Não contes a ninguém

A história é velhinha e sempre gostei dela pelas mil situações diferentes em que se aplica e as mil personagens que já vi fazerem estes papéis (sem falar de outras ilações, mais periféricas mas também muito interessantes - assunto para outro artigo):

A rapariga, com uma barriga onde caberiam trigémeos, sussurra para a amiga:

- Sabes, estou grávida. Mas não digas nada a ninguém, é segredo, está bem?
- Eu não vou dizer a ninguém!

Confesso que por vezes não sei bem se alguma das personagens, ou ambas, pensa de facto que o segredo não pertence à praça pública. Mas tenho a certeza de que é a sensação de outros saberem que se possui informação priveligiada que lhes enche a alma. Mesmo que seja um segredo de Polichinelo, a sensação é importante para o seu bem estar. É por isso que não resistem a contar - arriscando o privilégio - mas pedem muito segredo - protegendo o privilégio

O Homem é um animal estranho, sem dúvida.

Hélas!

sábado, 16 de agosto de 2008

Fim

Há qualquer coisa que poderia continuar mas não continua e esta é a idéia que marca. Que assegura que se chegou ao ponto em que já não existe o "logo se vê".

Não interessa discutir se esse amanhã valeria a pena (qual pena? Pena de quê, pena de quem?) - mas é certo que havia antes um amanhã que agora não há e isso é uma perda.

O que há é o fim de uma era. Hábitos que agora não fazem sentido. Uma realidade que deixou de existir. Pensamentos que agora não têm valor mas que teimam em ocupar o seu espaço, aquele que sempre ocuparam e com todo o direito pois apesar de tudo e todos, na realidade eram eles que asseguravam a continuidade que garantia a lógica da vida.

Há uma nova realidade, assustadora porque desconhecida. E a gente sem o fulgor de quando éramos novos! Sem a força, sem a esperança, sem a inconsciência da juventude!

Hélas!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Cão

Já viram um cão prestes a deitar-se?

É giro: o bicho dá voltas, voltas e mais voltas, sempre no mesmo sítio, até que se deita na posição finalmente confortável.

Eu tento, a sério que sim: ando às voltas feita cão e já dei montes, montes e montes delas. Mas não há meio de achar a posição confortável e confesso que estou a ficar cansada. Um bocado tonta, também.

Hélas!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Mornos dias

Falhei o dia 11, as minhas desculpas... Em minha defesa só posso alegar insanidade temporária, o gato que comeu o calendário e outras desculpas igualmente falsas, foleiras e esfarrapadas. Whatever, como diz alguém a quem muito prezo. Mais vale corrigir a mão que lamentar a mão incorrecta, digo eu, e portanto cá vai:

O sol brilha lá fora
Os pássaros cantantes
Andam na sua vida.
Calmo mundo devora
O que existia antes
Pois é tudo letra lida.
Entre dentro e fora
Sobram, anelantes,
Os dias da tua vida.

Hélas!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Contraciclo

Já fizeram qualquer coisa que vai contra tudo aquilo que é a vossa maneira de ser?

Uma coisa que, para tomarem a decisão de fazer, levou várias noites de insónia e inúmeras revisões da matéria dada, colocando em causa as vossas estruturas básicas e as vossas construções mentais, morais, éticas e sentimentais, consolidadas pela vida?

Uma coisa que, para a fazerem, têm de revirar as tripas, fechar os olhos e suster a respiração? Qualquer coisa que, antes e depois de ser feita, vos provoca noites mal dormidas e um aperto constante no peito?

Eu já. Não recomendo.

Hélas!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Mundo sem tabelas

Valha-me S. Teotónio, que o mundo enloucou... Ou louca estou eu, qual D. Quixote a batalhar contra tranquilos moinhos de vento que nunca fizeram mal nenhum a ninguém, antes pelo contrário.

O certo é que coisas tidas como comuns me parecem estranhas. Atitudes, pensamentos e actos que me parecem extraordinários são-me presentes como triviais e comezinhos; e atitudes, pensamentos e actos que me parecem mesquinhos, quiçá reprováveis, me são apresentados como normais e institucionalmente irrepreensíveis.

Já não percebo nada, mas mesmo nada, deste mundo.

Pois não devemos ficar agradados, mesmo agradecidos, por feitos para além do dever, da honra e da devida retribuição, sacrifícios pessoais causados pela simples formação humana e sem qualquer reconhecimento concreto?
Ou pelo contrário, essas coisas são desprezáveis, tal como os actos e comportamentos aquém do necessário mas na justa medida da retribuição que lhes é atribuída por quem deles beneficia?

Confesso: já não percebo nada, mas mesmo nada, deste mundo. Provavelmente, nem de outros.

Hélas!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Perfeccionismo

Não sei se já perceberam mas sou um bocadinho perfeccionista, pelo menos nalgumas coisas. Não em tudo, que isso era cá uma trabalheira - pelo menos tanta como mexer o café depois de lhe deitar açúcar.

Mas sou, nalgumas coisas. Numa certa imagem profissional. Na ortografia. No aspecto geral de um documento assinado com o meu nome. No cumprimento de promessa feita e não me interessam premissas, pressupostos ou boas intenções. No fazer concreto (se não sei ou não consigo fazer bem, então não faço. É por isso que não canto em público - gosto muito de cantar mas sou desafinada como um piano de pobre).

É tramada, esta mania... Em algumas coisas – as feitas – enche o ego e descansa o espírito: somos bons, competentes, temos qualidade. Mas nas outras, ah! Nas outras... Não as faço, claro, ficariam deficientes e aquém daquilo que considero um mínimo de qualidade.

E defeituosa me fico, maniacamente incompleta, sem fazer nada daquilo em que não sou boa - e é tanta coisa, meu Deus, tanta, tanta! - mesmo que me desse gozo fazê-las, como cantar em voz alta.

Cá fico eternamente saudosa do que por escolha consciente não sou.

Hélas!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Electricista

Chamei o electricista. Ele veio. Cheirou, olhou e mediu (e na minha opinião de leiga, não olhou para tudo e não mediu como devia nem tudo o que devia mas vocês já me conhecem: acho sempre que se poderia ter feito melhor) de sobrancelha franzida e perorou:

- Sabe, o problema é que o consumo é superior à capacidade instalada... (olha a grande novidade) e se isto continua assim, ainda se queimam os fios (outra novidade espantástica, este tipo é impagável).

- Quanto tempo durará esta situação?

- Algum tempo, sim, algum tempo. O consumo é uma coisa tramada.

E pronto.

Eu sou uma rapariga prudente, portanto o shut down aqui vai manter-se por mais uns dias. É uma das medidas de redução de consumo, desculpem mas tem de ser..

Hélas!

domingo, 27 de julho de 2008

Acidente

Como perceberam ou não, entrei em curto-circuito e consequente shut down, como mandam as normas de segurança.

Certamente que haverá novas após a visita do electricista. Quando eu o chamar e ele vier e se entretanto a questão não for para o beleléu.

Hélas!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Automobilismo

Que se faz a um carro que entrou em derrapagem e que, apesar de ainda obedecer ligeiramente ao virar de volante, se encontra já em franco descontrolo?

Eu digo-vos: pára-se o bicho antes de atropelar alguém, mesmo que isso signifique atirar com ele contra uma árvore.

Tanto pior para o relógio que continua a contar minutos e o bate-chapas que conta em €uros: antes fora de prazo e endividado que preso por atropelamento.

Hélas!

Maldição

Mata! Mata! Mata! Esfola! Esfola! Esfola! Pelo menos, dá-lhe uma paulada!

Cada tiro, cada melro; cada cavadela, cada minhoca (ou melhor, cada balde de minhocas).

Bolas! Que há coisas que parecem condenadas à nascença, quase me fazem - uma céptica militante - acreditar nas estrelas (maldosas, claro).

É que - a sério! - estou quase a ir à bruxa em que não acredito. Acho que só não fui ainda porque acho que eu só não chego - devíamos ir todos e somos cá uma matilha, na realidade...

Hélas!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Liberdade

Há alguma coisa estranhamente libertadora, quando pedem a uma pessoa uma coisa impossível.

Enquanto é apenas irrazoável, a pessoas esforça-se, sacrifica-se, refila, dorme pouco e parece um fantasma a chatear tudo e todos, sempre e em todo o lugar; a partir do momento em que reconhece a impossibilidade, há uma abençoada libertação que se instala: não pode ser feito. Mande quem mandar, esforce-se quem se esforçar - apenas não é possível. Ponto.

Porque diabo levamos tanto tempo a bater no tapete e reconhecer a rendição?...

Hélas!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tempo

A Vida não espera por nós. Ou a vivemos ou não, e de qualquer forma ela passa e vai-se embora, sorrindo.

É como um rio - há sempre água a passar, mas a que já passou não volta para trás, nunca. Ou a provamos ou não, mas sempre para sempre.

Não há segundas oportunidades, só primeiras. As tais "segundas" não são as mesmas, nós não somos os mesmos, nada é o mesmo - são apenas uma primeira oportunidade que é parecida com outra que já vimos passar.

Hélas!

domingo, 20 de julho de 2008

Karoshi

Chega-me aos olhos este fim de semana uma crónica sobre o Japão.

Lembram-se? O país onde estar em greve significa ir trabalhar como sempre mas usar uma fita branca - sinal de protesto por parte do trabalhador, sinal de vergonha para o empregador, tudo sem pôr em causa a produção e a riqueza gerada pelo trabalho (os costumes orientais são estranhos para nós, mas se há coisa que a gente aprendeu e nem sempre da maneira mais pacífica é que a Honra - o conceito é comum embora as suas representações possam não o ser - é MESMO importante para eles. Bastante mais do que para nós, no melhor e no pior que isso tem).

Pois nesse país, reconheceram o fenómeno com uma palavra concreta - karoshi. A situação não é especificamente deles, claro; mas foram eles a identificar, com uma palavra, a situação daqueles que trabalham mais do que é humanamente possível - e portanto morrem. De excesso de trabalho, simplesmente.

O que me chateia é que a reacção de quem lê vai ser de certeza "Olha que mariquinhas! Trabalham um bocado mais e puff!!".

Porque já passei por lá e sobrevivi, porque conheço quem passou por lá e sobreviveu, porque conheci quem não sobreviveu - por favor não digam "Olha que mariquinhas!..."

A situação é séria. Eles reconheceram-na e criaram a palavra mas a situação não é japonesa, é comum ao mundo dito civilizado.

Hélas!