quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dezembro


Porque é que eu gosto de Dezembro? Porque o amor é sempre à borla e Dezembro é o seu mês. Mal ou bem - acho que bem - o Natal, de alguma forma, incentiva e potencia acções boas e desinteressadas.

Não perfilho a famosa teoria de que tudo o que fazemos é por nós próprios e se amamos à borla ou fazemos qualquer coisa intrinsecamente boa é porque não o fazer é mais desconfortável para nós.

Acho que isso não passa de uma racionalização (arte tão cara ao Homem) que desculpa eficientemente as nossas constantes manifestações de egoísmo. Ou seja, "não posso deixar de ser egoísta porque o egoísmo é a nossa natureza, mesmo quem se sacrifica por qualquer coisa faz isso por puro egoísmo. Mas ao menos eu sei disso..." (que inteligente que sou! - um bónus, não a razão primária)

O Bem existe. Bondade, desinteressada e altruísta, existe. Sem rasto de egoísmo, existe.

Eu sempre, sempre, desde catraia tontinha até hoje, sempre disse que há presentes envenenados.
Lamento, confrades egoístas como eu: não é "Natureza", é a nossa escolha, consciente ou inconsciente.

Tenhamos ao menos a galhardia de o reconhecer.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TAC


Por razões que não vêm ao caso, hoje e pela primeira vez na vida fui fazer um TAC. Deitei-me naquela maca estreita à beira do tubo e pensei "isto ainda vai correr mal", porque tenho um bocado de claustrofobia e imaginar-me dentro daquele estreito túnel sem espaço para fugir se me aparecesse um bicho, uma barata, mosca ou outro qualquer nojento insecto enervou-me um bocado.

Num flash imaginei-me a desatar aos gritos, rastejar de costas (será que se consegue?) para a saída, bater no técnico seco e sério que me enfiara lá dentro e fugir a correr. Que cena vergonhosa...

De modo que depois do homem me ter dito no seu ar seco "respire devagar e não se mova", eu fechei os olhos. Se o bicho aparecesse, eu não o veria e não sentiria aquela urgência inadiável de fugir (pura e simplesmente não posso garantir o meu comportamento na presença próxima de insectos; sabe Deus porque diacho me ocorria uma barata gorda, grande, castanha e luzidia, com as lindas anteninhas a cheirar o ar, a fazer o característico ruído de papel amassado e achando que a minha camisola daria um excelente ninho para as crias).

Para a frente, para trás, para a frente, para trás... Só abri os olhos quando o técnico me tirou as almofadas que garantiam a posição da cabeça.

Sorria para mim com um ar compreensivo e disse, docemente, "já acabou, pode ir-se embora". Fiquei sem perceber se a inesperada ternura se devia ao Natal ou se sou assim tão transparente.

Eu, que pensava ser uma esfinge.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Aniversário


Este é especial. Quer dizer, todos os anos são diferentes mas há uns mais diferentes que os outros... Este é desses.
A carreira avizinha-se finalmente e o mundo, não sei porquê, quando há musica fica melhor.

Que o resto da tua vida seja sempre assim, pleno de desafios e satisfações. Pleno de amigos. Pleno de esperança. Pleno de música...

Um beijo para ti, meu caro. Cheio de amor e discreto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

What?


Não sei porquê mas isto preocupa-me: será a troika, o nevoeiro, a catarata, a idade?
É que não vejo o futuro negro, antes pelo contrário: está branquinho como algodão doce. Não se vê nada mas esse nada é branco, difuso mas de uma difusão nitidamente branca.

E surge agora a oportunidade de falar. Agora, que as palavras me secaram na boca.

World's time is not my time. Aren't I lucky!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Nevoeiro


Olho para a janela e em vez de ver coisas, vejo nada.

A coisa é tal ordem que estou a pensar seriamente em chamar a troika, a ver se consegue clarificar esta neblina.

De repente ocorre-me que... Caraças... Será nevoeiro mesmo ou será a catarata??!

Lá terei de contratar um consultor externo, isto é só coisas que me ralam.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Why?

Porque será que quando o assunto é ao mesmo tempo muito sério e muito privado é em inglês que me surgem as palavras e verbalizo pensamentos na minha cabeça? Ainda por cima um inglês macarrónico porque eu nem sequer sou dotada nesse campo.
Mas deve haver alguma razão, quando for grande vou ao psiquiatra para ele me explicar.

Anyway...

domingo, 20 de novembro de 2011

Duplo plágio

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mia Couto


A maior desgraça de uma nação rica é que em vez de produzir riqueza, produz pobres.

Francisco Castelo

domingo, 13 de novembro de 2011

Enquanto houver gente no mundo


Não, o mundo não muda
com tantas lágrimas choradas
O mundo não muda
Com tantos sacrifícios feitos
Não muda
Com tanto amor doado
O mundo não muda.

Enquanto houver gente no mundo
O mundo não muda para a gente.

Mas talvez... Talvez!
Um amor sincero
Um sorriso aberto
Um carinho tímido
Um pensamento escondido
Uma sentença revisitada
Um duvidar do passado
Um passo
Um acenar

Talvez, quem sabe?
Facilitem uma jornada.

Num mundo que não muda
Pode ser esta a mudança.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11-11-11


O calendário parece gago e noves fora, a coisa não melhora

Sabe-se lá porque é que achamos piada a coisas tão estúpidas e arbitrárias como uma data truncada.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Aqui d'el Rei


Não faço a mais pequena ideia de onde estão as minhas serenas convicções, aquelas que me acompanhavam desde miúda.

Também não encontro em lado algum a minha índole batalhadora que, embora me tenha trazido muitas chatices, era geradora de autoconfiança e de vez em quando até me trazia a satisfação de ter uma coisa ao meu jeito.

Procurei afanosamente a minha calma usual e a minha perseverança teimosa - nada.

Outras coisas que não descubro são a paz interior e a segurança que habitualmente me acompanhavam.

Até o meu vizinho de cima desapareceu.

Já me revirei toda várias vezes, nada aparece. Devo ter sido assaltada, diacho.

Um ladrão maldoso que não se limitou a levar as minhas pratas: ocupou-lhes o lugar com um lixo nojento - nem eu própria acredito nas coisas peganhentas e mal cheirosas que descubro hoje dentro de mim.

Vá lá que algumas das coisas que mais me alegram a vida não residiam cá.

Síndroma


Escrevo coisas que depois apago, ou então ficam eternamente nos rascunhos: há que ter em conta que o mundo é grande.

Não percebo o mundo e o mundo não me percebe a mim.

Estamos empatados, portanto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1-11-11


Tantos uns, caraças, não posso deixar de assinalar tanto um junto.

O mais provável é já não conseguir assinalar o 2-2-22, é melhor aproveitar o 1.

Sei lá... Hoje é o primeiro dia de novembro de 2011 em que penso que a humanidade é pateta.

Sim, muito bom, muito filosófico, bestial, colhe, a coisa pega.

Bom 2011, gentes.

domingo, 30 de outubro de 2011

Exeriência de vida


Detesto ser velha (vivida, para aqueles a quem a palavra velha choca); e não é pelas rugas, palavra de honra que não (agora com tanta porcaria que tomo, tenho até muito poucas!), é porque do tanto que já vi começa a faltar-me a esperança no que não vi.

Quando era mais nova, achava que cada caso era um caso, que nunca nada se repetia porque as pessoas e as circunstâncias não eram iguais e que era estúpido, derrotista e típico de uma velhice azeda encarar uma situação qualquer à luz do passado vivido.

Hoje sei que não é assim. Sei que apesar de cada caso ser um caso, há padrões que se repetem interminavelmente, normalmente os medíocres - malta que se aproveita sem vergonha alguma dos outros, pessoas feias e parasíticas que nem sequer são más, porque há uma grandeza perversa no Mal que não há nessa gente.

Isto chateia-me. Queria continuar com a visão otimista e cheia de esperança no futuro que tinha antes. Era tão realista como a de agora (ninguém conhece a realidade do coração dos homens...) mas muito mais construtiva.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

25


Tenho 25 rascunhos (aqui) e nada para publicar.

É relevante isto. 25 textos inacabados/impróprios/à espera de maturação/idiotas mas queridos - um dia direi qualquer coisa com eles.

Mas 25! Se eu fosse uma rapariga prática tinha o mês cumprido e com as longínquas ideias de uma publicação diária...

Rais parta isto, passo a vida a rascunhar mas escrever de facto está quieto.

Se calhar devia ir para a política.

domingo, 23 de outubro de 2011

Sei lá!


Eu sei lá, de tanta coisa que acontece a tantos e tanta coisa que me acontece a mim, sei lá o que quero dizer...
Estou presa entre a realidade geral e a particular.

Sim, sempre soube que não se consegue dizer, explicar com detalhe as nossas coisas - invariavelmente as coisas dos outros pedem audiência, sofredoras também, ansiosas de compreensão também.

E importância, bem, é melhor nem entrar por aí porque a importância é sempre relativa - a dor na minha unha do pé, porque é minha, será sempre mais importante que as crianças que morrem de fome e sede num canto obscuro do mundo.
É triste mas é assim.

Nunca como agora desejei fugir do mundo.
Gostaria de poder viver numa casinha à beira do mar, com internet, claro, email e outras mordomias remotas que não me obrigassem a falar de viva voz.

Todos nós temos as nossas preferências. Se estivéssemos num filme de ficção científica e houvesse um ser que nos obrigasse a escolher qual das nossas capacidades daríamos em troca da vida, toda a gente, chorando e rangendo os dentes, conseguiria escolher.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Aquecimento global

O sol morno aquece a cidade

As pernas nuas das mulheres
Dançam nas sandálias leves
As crianças riem como crianças
ao sair da prisão na escola
Até homens de pasta preta sorriem

Estamos em Outubro e é verão
Lembro-me dum homem a cantar
what a wonderful world

Sonho acordada, sorrio sozinha
Afinal o mundo todo inteiro

Não resiste ao verão tardio.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Home, sweet home



Nesta semana em que fui tão tranquilamente feliz, o improvável sorriu também e a água do mar esteve a uma temperatura compatível comigo, o que não acontecia há anos e anos. Assim, passei a semana também com abraços ternos e brincalhões de espuma, numa alegria serena em que me esqueceu a saudade.

Permiti-me reviver a segurança infantil, a invencibilidade adolescente, a persistência adulta... Chego inevitavelmente à gratidão da idade madura.

Sou abençoada. Por vezes esqueço-me, a memória é traiçoeira principalmente com estas oferendas divinas - mesmo sem querer, acabamos por interiorizar algo dessa falsidade perversa do "não há almoços grátis".

Mas hoje não. Hoje lembrei-me que sobre aquilo que me foi dado sem trombetas, nunca nada me foi pedido em troca, nunca nada me foi exigido, nunca nada me foi cobrado, nunca nada me foi relembrado.

A minha vida prossegue à sombra dessa proteção inexplicável e, particulrmente hoje não sei porquê, sinto-me infinitamente agradecida.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Desilusões

Relendo os Maias, a contra gosto reforço a minha convicção de que um adulto não deve reler os livros de que gostou na adolescência.

O Eça não é tão bom escritor como o pintava a minha fraca memória.

domingo, 18 de setembro de 2011

Casamento e descasamento


Eu não gosto do Daniel Sampaio e normalmente não leio a sua crónica semanal da Pública. Mas passo sempre os olhos por ela e penso "lá está este com a mesma conversa de sempre, sempre o mesmo discurso altissonante, insosso e sem vida para pais, filhos e escola, que seca"; de forma algo retorcida, o facto de eu passar sempre por lá mesmo que seja para não ler deve querer dizer alguma coisa mas o psiquiatra é ele.

Bom, desta feita li o artigo. Deve ter sido por ele não falar das coitadinhas das criancinhas que a sociedade se dedica a estragar com gosto nas muitas horas vagas de que dispõe e, em vez disso, falar de forma razoável sobre casamento, divórcio, amor e vida diária...

A palavras tantas, diz ele: Em derradeira análise, há pessoas "casadas consigo próprias", porque o companheiro(a) é uma parte de si mesmo, não tem existência como pessoa.

Conheço casamentos destes. Caraças, este gajo até parece saber do que fala, quando se esquece de ser politicamente correcto.

sábado, 3 de setembro de 2011

Ó mar salgado


Lavo a vista com o meu amor eterno.

Com pouco esforço posso imaginar que o suave marulhar das ondas é uma alegre canção de boas vindas e que aquela mole imensa saúda com carinho o meu regresso a casa, ainda que por pouco tempo.

Noutra encarnação terei certamente a minha casinha à beira do mar. Serei embalada todas as noites pelo seu murmurar de tempos antigos e todas as manhãs as suas cores luminosas me alegrarão.
Quando vier a borrasca e ele se levantar em ondas terríveis de força desconhecida e indiferença cega, irei à janela para aprender como é a vida.

Quando me vier embora não trago nada comigo - tudo o que eu pudesse carregar nos bolsos seria finito, morto, triste. Não, quando me vier embora trarei apenas na lembrança aquele azul único e um som que, com pouco esforço, é uma alegre canção de boas vindas.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Hoje é assim


Cansa-me o calmo desespero
A indecisão que nem sabe querer
Já me enjoa o controlo sereno,
E aborrece-me a sensata cautela.
Quisera ter a fúria libertadora
De um honesto e simples terramoto
Daqueles que apavoram quem os vê
Mas não matam ninguém, afinal,
E se esgotam num momento.

domingo, 7 de agosto de 2011

Aguardemos


Esperar pode facilmente tornar-se um modo de vida.

sábado, 23 de julho de 2011

Fun at 21-Jul-11

Claro que me esqueci da máquina de filmar, o que me vale é o youtube... O que eu me diverti!

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sábado, 16 de julho de 2011

Velhice


Dizem que a velhice traz sabedoria mas, muito sinceramente, não é isso que eu vejo.

Deve ser uma daquelas bocas do tempo em que um tipo de 40 anos era velhíssimo... Foi nesse tempo que se forjou a noção de que os velhos eram uma mais valia, quando eles morriam no auge do seu valor para o grupo - tempos não muito longínquos.

Hoje não é assim; e a sociedade está a ver-se grega para encontrar um equilíbrio decente entre o tempo necessário para formar um indivíduo produtivo, o seu tempo de produtividade efectiva e o tempo de velhice resmunguenta e improdutiva.

Isto é só coisas que me ralam.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Da importância dos prefixos


Está decidido. A próxima vez que me aparecer um daqueles jumentos de 2 pernas, chamo-lhe, cara a cara, portante teligente.

Na maioria dos casos, não chegam lá e portanto não se ofendem, vão ficar a pensar que não perceberam bem.

E eu desopilo. São só vantagens.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vidinha


Há a vida que se faz e a vida que acontece.

A vida que acontece é como a beleza física, ou a inteligência ou o daltonismo: não é coisa de que se tenha vergonha ou orgulho, pois caiu no prato da sopa como a mosca, sem qualquer intervenção nossa.

Já o que se faz com o que acontece ou com o que não acontece, isso é outra conversa, claro. Como aí temos escolhas, decisões, coragens e cobardias, temos voz na matéria e podemos ter orgulho ou vergonha da maneira como vivemos o dia.

Toda a gente sabe isto, acho que é perfeitamente consensual. Mas o dia a dia acaba por ser muito comprido e uma pessoa faz tanta vez o que acha que não devia fazer, ou não faz o que acha que devia fazer...

Claro, a culpa é dela, dessa vidinha malandra. Nós somos completamente inocentes!

sábado, 4 de junho de 2011

Pensamento do dia


Toda a gente se conforma calma e racionalmente com a sua condição de imperfeito; mas continuamos a querer que os outros sejam perfeitos e não podemos deixar de os criticar quando se nota que não são.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

?

I don't know were am I, but certainly I'm not in myself.

domingo, 29 de maio de 2011

Hoje


A alegria que já não há
É como a luz da manhã
Que não aquece o que já não é
O que se foi, foi-se.
E a vida passa indiferente
Pelo que amanhã não será.

Mas o hoje, néscio,
Pobre de espírito,
Sorri de esperança
Pleno de espera
E de ignorância.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O dia do juízo final

Um movimento que se afirma cristão, liderado por Harold Camping, de 89 anos, garante que Jesus Cristo regressa à Terra amanhã.[CM]

Sempre achei estas coisas fascinantes. Não o fim do mundo, o facto de um adulto se colocar a si próprio numa situação sem saída.

Com que cara é que este homem vai encarar o seu rebanho, depois de amanhã? Ou vai ordenar-lhes que vão em busca dEle, de dia procurando milagres, de noite estrelas cadentes?

Se calhar matam-se todos hoje, com medo do juízo final. Já aconteceu, o que me deixa ainda mais perplexa.

domingo, 22 de maio de 2011

Escrita


Para ser uma escritora publicada falta-me a capacidade de escrever sobre coisas comuns que afectem a sensibilidade dos leitores.

Não sei na verdade se é capacidade a menos se pudor a mais - o que sei é que nunca escreverei um romance de sucesso e tenho alguma pena: todos nós gostaríamos de ter uma grande audiência para uma das nossas histórias de vida.

Reli "Pássaros feridos", tão bom como os "Cem anos de solidão", embora noutro enquadramento.

Dois livros de grande sucesso, ambos a dizer o que toda a gente já sabe - a vida é lixada, geração após geração.

Nunca conseguirei escrever isso, sabe-se lá porquê.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Oooooooommmmmmm


Eu gostava de ser uma pessoa serena.

Gostava de ser daquele tipo de gente que ouve com os ouvidos da alma mais que com as orelhas de carne. Aquele tipo de gente que transpira paz, sabem como é? Que nunca se choca nem desanima, que nunca desespera e consegue transmitir uma sensação de descanso, confiança e alegria a quem quer que se lhe dirija.
Eu tento, tento mesmo mas... Há sempre qualquer coisa que interfere.

Há algumas coisas que aprendi nesta batalha: se pensarmos mais nos outros que em nós próprios é mais difícil ficarmos tristes com ninharias; se for sempre olho por olho acaba toda a gente cega; se se esperar um bocadinho, o sol nasce num espectáculo grandioso, à borla e que anima quem não for cego.

Depois de alguma reflexão parece-me que o essencial é não existirmos na equação. E isso é complicado não é? Quer dizer, complicado não é mas é muito difícil.

Difícil para chuchu.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fim


O edifício ruiu; que ninguém o tenha notado é a medida das suas fundações.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Desaparecimento à beira mar


O homem desvaneceu-se no éter.

Quando se pergunta por ele obtém-se a resposta gasta do "tem muito que fazer", embora ninguém o veja nem oiça na sua fazedura.

A malta fica na dúvida se lhe deu o Tau e não fala com ninguém, se teve um acidente secreto e está incógnito no Hospital ou se de facto é tão dedicado ao dever que nem vai a casa tomar banho.

O Poe não faria melhor.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa, 2011


Neste país falido e crivado de dívidas, onde há tanto tempo se vive acima das possibilidades, há 2 feriados que proporcionam 4 dias seguidos de repouso.

É pouco; os senhores que mandam dão de imediato mais meio dia de lazer, por acréscimo. O povo está tão cansado... Além do mais, há eleições à porta.

E assim há mais tempo para se consumir o que não se produziu. Se faltar o pilim, pede-se emprestado, ora! Qualquer banco junto de si lho empresta com um sorriso.

Isto é só coisas que me ralam.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Pontos de vista

Apesar de estar em casa há uma semana, não se pode dizer que tenha estado a olhar para o ar.

Antes pelo contrário.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Coisas


Há coisas
Coisas que andam aí,
Coisas que sangram ali,
Coisas que não sei contar.

Há coisas
Coisas que parecem cetim,
Coisas que doem assim
E que não querem parar.

Há coisas
Coisas que ferem e mordem
Coisas que sangram e doem
Coisas que não sabem falar.

Há coisas
Coisa que riem contentes
Coisas que vão nas correntes
Coisas que não posso contar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Data

Mais um para a minha colecção.

Hoje foi... Estranho. Até porque não sei se dê vivas ou condene ao Inferno as novas tecnologias - terei assim tantos amigos?

Mas na conta geral, foi bom. O jantar, então, foi óptimo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Irritações


Há coisas que me irritam, santo Deus, e como me irritam!

Tomarem-me por parva é uma delas. Apostarem no meu primo Alzheimer é outra.

Gosto imenso do Alzheimer, é um tipo catita. Mas tira-me do sério, o pessoal a sorrir com ar inocente quando me dizem que deram o recado a "alguém da família", como se não conhecessem o Alzheimer de lado nenhum.

Como se não soubessem da batalha de morte que grassa no quintal. Malandros. Energúmenos. Filhos de um diabo menor.

Se eu pudesse, matava o Alzheimer, isso matava. Apesar de ser pacifista, abria uma excepção e esfolava o tipo. Fica-me com os recados todos, o estupor.

domingo, 3 de abril de 2011

Caminhos

Perdi-me, algures no tempo. Agora não encontro o caminho, há muito que pássaros e formigas digeriram as migalhas.

Há que construir outro caminho, tem de ser. Acho que ainda sou capaz.

O único problema é que sei de onde vim mas não faço a mais pálida ideia para onde quero ir. A minha única certeza é de quem quero que vá comigo.

Isto é só coisas que me ralam.

domingo, 27 de março de 2011

Os velhos e os jovens


Recusei uma conversa e disse calmamente "não quero falar sobre isso", pondo um ponto final ao assunto.

Sempre me orgulhei de poder falar racionalmente sobre tudo, mesmo que o assunto fosse muito importante para mim. Podia-me apaixonar pelo tema, falar mais alto, interromper o interlocutor mas sempre mantendo a razão ao leme... Agrada-me a ideia de ser capaz de me distanciar pessoalmente e, em qualquer assunto, deixar a razão tomar as rédeas sem freio; manter a emoção sob controlo e, sem deixar de a ouvir, ser capaz de silenciar a sua voz.

Mas naquele momento foi perfeitamente claro para mim que se a conversa fosse adiante o controlo tão duramente exercido desaparecia e ficava uma coisa tipo buraco na barragem - depois de passar a primeira gota não há força humana que impeça a enchente.

11 de Fevereiro de 2011: a primeira vez do que quer que seja é sempre um marco importante e esta foi a primeira vez que me recusei a conversar sobre um assunto; a primeira vez que me senti de facto velha, incapaz de prosseguir.

Este longo monólogo é para introduzir o pensamento que me interessa aqui: porque é que os velhos se defendem e os jovens se atiram de cabeça? E não me venham com a conversa que os jovens são inconscientes do perigo, porque não são.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Artes


Na minha modesta e ignara opinião, Sócrates conseguiu exactamente o que queria, numa manifestação excepcional de competência política.

Sai muito bem visto, tanto internacional como nacionalmente: o homem que quis fazer o que era necessário, essencial mesmo, para o país. Coitado, foi impedido por uma miserável oposição que, na sua sede de poder, não quer saber da realidade objectiva desde que possa encher os seus próprios bolsos e garantir a si e aos seus uma velhice despreocupada.
Por causa disto tudo agora vem aí o FMI, pá, se tivessem deixado o homem fazer o que queria não viria nenhum tutor estrangeiro a mandar-nos fazer coisas horrorosas e a questionar a utilidade do jantar na churrasqueira... A culpa disto tudo é da porcaria da oposição que nunca deixa o governo fazer o que precisa de ser feito.

O pior de tudo é que no geral as medidas estão certas, sabem... É mesmo preciso apertar o cinto, mesmo quem toda a vida nunca o alargou. É injusto para as pessoas vulgares mas é verdadeiro para o país. E é questionável como: corta-se nas pensões ou no TGV?, mas que é preciso apertar mais o cinto é certinho como a noite.

O que não era preciso era fazer a coisa como ela foi feita - mas era preciso ser feita assim para atingir o objectivo do político. E foi muito bem feita, Sócrates sai por cima: não tem culpa de uma crise que é mundial e é a porcaria da oposição que tem a culpa do seu país não ter feito o que é preciso fazer.

O que me chateia nisto tudo é que ele consegue numa penada concretizar o sonho do actual político português: ninguém quer saber das responsabilidades que teve no estado da arte e os actos actuais são julgados como se quem os praticou tivesse aterrado repentinamente no prato da sopa sem nunca ter contribuído para a panela.
Reparem que ninguém fala no acto político: a maneira como o PEC foi anunciado é a real causa da situação actual, não o PEC propriamente dito; mas quem fala nisso? Ná, só se fala do PEC...

Decididamente, não sou só eu que ando a perder a memória. Chateia-me, isto.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Zero-A


Eu tenho um sonho. O meu sonho é do tamanho do mundo e igualmente improvável.
Mas se formos honestos, também era improvável que um preto fosse presidente do país mais poderoso do mundo. Por muito que muita gente o sonhasse, era improvável.

Meus amigos, o meu sonho também um dia será realidade.

Limitado, claro. Tal como Obama é limitado pela realidade da presidência (limitação que nada tem a ver com ser preto: se fosse branco, amarelo ou às bolinhas azuis era a mesma coisa obviamente, portanto o sonho concretizou-se), também o meu sonho será limitado pela realidade e não será exactamente como o sonhei. Mas será realidade um dia.

Um dia, meus amigos, um dia o homem vulgar será um ser responsável, a quem nem sequer ocorre responsabilizar outrém pelas suas escolhas ou pelos seus actos.

Alguém que me lê já leu algum dos livros do "ZERO-A"? Um dia os zero-a serão senhores do mundo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Primavera


Cantam as borboletas
Doces canções
Choram os canários
Velhas objecções

Dançam pinguins
estranhas valsas
Saltam malandrins
Em alegres salsas

Os cães ladram
A caravana passa
Os gatos escondem
A arruaça.

Hoje foi primavera.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Desconversando


A desconversa é uma arte nobre. Muito difícil, extremamente difícil, eu não a domino e portanto é dificílima.

Frequentemente confundida com "conversa de tolo", não é tal. O tolo tem tendência a explicar-nos que Paris é em França. Um desconversador pergunta-nos se a lei francesa põe troianos na Bastilha... E não sorri nas nossas atabalhoadas explicações de que não há França; em vez disso, pergunta a seguir o que é que Esparta tem a ver com votos religiosos, explicando en passant que não é crente em nada.

Não há resposta que faça sentido numa desconversa, é uma arma mais poderosa que qualquer metralhadora e muito mais económica.

Nem percebi ainda se gosto dela ou não; mas é certo que me desconcerta.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Umh...


Ainda não percebi se sou eu que estou doida ou é o mundo que está maluco. E esta dúvida acompanha-me já há algum tempo, essa é que é essa.

Agora, de repente, ocorreu-me que esta diferença é irrelevante. Que chatice, sempre gostei de pensar que eu era relevante. Até sou mas só para mim, que irrelevância...

Batatas, parece que esta dúvida nem fazia sentido, afinal. Uma dúvida tão acarinhada, francamente, não há justiça, anda uma rapariga a criar uma dúvida anos e anos e depois é isto. Não há justiça, pá.

Isto é só coisas que me ralam.

Há gente de quem gosto


Quero dizer de gentes de quem gosto.

Pessoas que não conheço em pessoa (que será que isto quer dizer, realmente?), só em alma ou virtual imagem, sabe-se lá mas eu prefiro alma. Até porque acho difícil projectar uma imagem consistente ao longo dos anos quando a consistência é construída, ao passo que a alma se revela até na forma como comentamos banalidades ao correr da pena.

Falam comigo em discurso directo. Discordo imensas vezes, até há algumas acesas discussões - poucas porque o meio e a cultura o desaconselham - mas há.
É estranho, malta que pela geografia e cultura nunca me baterá à porta mas com quem falo ao fim do dia.

Gente estranha, gente boa.

De repente tomo consciência do que acabei de dizer, "Gente estranha, gente boa" e vou mas é dormir, que daqui só sai asneira.

Meus irmãos, amigos, companheiros - presenciais, virtuais, imaginários, whatever, obrigada por tornarem a jornada menos solitária.

sábado, 12 de março de 2011

Geração à rasca


Muito sinceramente, estou com a geração à rasca.

Eles não sabem bem a quantas andam. O que sabem é que não conseguem ter a sua própria toca, têm demasiado medo para ter filhos e não estão realisticamente autorizados a planear um futuro com o mínimo de segurança.

Eu também não sei a quantas ando. Mas, filha de outra geração e de outra realidade, já tenho a minha casa e a minha família; se estivesse nas condições deles não teria nada disto.

Há que mudar o paradigma actual, que defende os instalados. Hoje, ao contrário de ontem, a juventude necessita da ajuda dos mais velhos. As oportunidades já não existem só por si, não existem a menos que nós, os velhos instalados na vida, as forneçam.

Abracemos o risco a que não estamos habituados, a bem do futuro dos nossos jovens. Não é altruísmo: o desespero deles é a nossa morte.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O sentido da vida


Ora batatas, querem mesmo saber o sentido da vida, porque raio andamos nós por aqui a vaguear, umas vezes contentes, outras esquecidos mas as mais das vezes angustiados?
Então porque é que não me perguntaram, a mim que sei tudo menos aquilo que devia?

É muito simples (tudo o que é verdadeiramente importante é simplérrimo): andamos por cá para melhorar as coisas.
Quantidade e qualidade dão direito a calhamaços de filosofia mas no fim é tudo o mesmo - vão por mim que sou rápida e tenho a mania de poupar nas palavras.

E tenham calma, eu não disse que era fácil, só disse que era simples.

sábado, 5 de março de 2011

Ainda cá estou


Acho que já era tempo de dizer qualquer coisa mas muito francamente, não sei que diga.

Digo isto então, só para saberem que ainda não fui parar ao outro mundo. Quer dizer, eu acho que o outro mundo ainda não domina esta ferramenta mas a bem dizer ninguém sabe, isto são só suspeitas fundadas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Há dias assim


Quando tudo desaba, desaba tudo.

Mais uma vez faço de conta que não é nada comigo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Efeméride


Foi ontem, o dia que não quis assinalar.

Hoje, assinalo o passado não assinalado, rais partam a natureza humana.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Farmville


Porque necessita o homem de passatempos nesta era em que todos se queixam de falta de tempo?

Há mistérios insondáveis.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Coisas que dão cabo do sossego


Há coisas que me dão cabo da carola.

Quer dizer, não me espanta nada que um velhote de oitenta e tal, desesperado por não conseguir responder às necessidades, mate a fonte delas para que não necessite mais e se mate a si próprio a seguir, incapaz de suportar por mais um segundo a dor excruciante de não ser capaz de prover a quem ama - é compreensível, quem é que não compreende este desespero? Horrível, claro, mas perfeitamente corriqueiro, uma tragédia comum (muito se poderia dizer sobre ser comum esta horribilidade mas hoje não quero falar disso).

Agora quando vejo uma criança pequena no supermercado começar a chorar gordas lágrimas sem som porque o pai, chateado com o palrar incessante, lhe diz em tom surdo e baixo "Cala-te, és feia a falar!"... Isso dá-me cabo da carola.

Batatas, mas porque é que os têm?!?

Estarão sinceramente convencidos que é mais ou menos a mesma coisa que ter um gato mas mais cool e depois, face à realidade, sentem-se legitimamente defraudados na expectativa?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Animais


Não gostar de animais é lógico: não usam a casa de banho, são desesperadamente dependentes, largam pelo, não tomam banho sozinhos e se não houver ninguém para lhes trazer o jantar protestam alto e bom som como se a sua fome justificasse a nossa função de criado às ordens.

Mas eu gosto de animais (bom, não de todos, insectos e primos elevam-me o nível de desgosto para patamares decisivos. Mas gosto bastante de tudo o resto, ratos e répteis incluídos).

Porque gosto eu de animais, o que é que eles têm que me aproxima automaticamente, ao contrário do que sucede com as minhas companheiras de raça ou os nossos simbiotas?
Suponho que seja a sua honestidade intrínseca e inescapável.

Quem é que alguma vez viu um cão abanar o rabo a uma pessoa de quem não gosta? Ou um gato ronronar num colo imposto? Acho que ninguém, não se consegue impor manifestações de amor a um animal.

A raça humana é capaz de domar a sua própria (rácica e individual) natureza e abanar o rabo a quem detesta ou ronronar a quem o magoa. É sem dúvida uma superioridade - mas que ao mesmo tempo nos diminui na minha consideração.

Batatas, eu adoro o microondas, a internet e não viver há 100 anos atrás, quando a mulher era apenas para se ver e desfrutar... Uma época cheia de valores, dizem-me, mas que seguramente não eram os que eu prezo.

Sabendo perfeitamente que não se pode ter a clara do ovo sem a gema, desaprovar estas manifestações da nossa superioridade será hipocrisia?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Todos os dias

Meu amigo
sempre discreto,
Ninguém te viu.
Todos os dias,
Todos os minutos,
Sempre aqui,
Comigo.
Ninguém te viu.
Jantar, almoço,
Lanche... Se calhar
Uma boleia para casa.
Um apagamento.
Um riso.
Um suporte.
Uma ajuda.
Um apoio.
Uma carícia.
Todos os dias.
Uma realidade que
Não é apreendida.
Todos os dias.
Todos os dias
Todos os dias.
Todos os dias.
Todos os dias.
Todos os dias.
Sempre um sorriso
Todos os dias.
Sempre o apoio
Todos os dias.
Sempre o jantar
Todos os dias.
Todos os dias.
Todos os dias.
Todos os dias.
Todos os dias.
Eu sei o que quer dizer
Todos os dias.
Eles não sabem,
Nem sonham,
Mas eu sei.
Meu amor,
Todos os dias
O meu amor.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nem sei que diga

Porque tudo o que possa dizer é excessivo ou insuficiente.

Bjs, meninos, podem crer que vos compreendo.

O artigo anterior é temporalmente infeliz mas mantenho-o. Chorando embora

Lágrimas

Ocorreu-me de repente que, se fosse fisiologicamente impossível a uma pessoa chorar com pena de si própria haveria muito menos lágrimas no mundo.

Só discordo de uma amiga minha num ponto: acho que ela julga que não haveria quaisquer lágrimas, eu acho que haveria muitas. Demasiadas.

Mas haveria muito menos do que há hoje.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Biodiversidade


Por vezes olho para eventos, decisões, acções, discursos, coisas, sei lá, e a única coisa que me ocorre ao espírito é: "Como raio é isto possível? Estarão completamente doidos ou sou eu que estou maluquinha da silva e sem dar por nada?"

Obviamente que fico sem resposta e como não moro na mesma cabeça também fico sem poder ajuizar de motivos, portanto nem por aí me safo...

Digam-me: nunca acharam um facto concreto - ou discurso, acto, coisa exterior levada a cabo por outrem - um bocado surrealista?

Não sei porquê mas ultimamente o fenómeno parece mais frequente, devo estar a envelhecer. O que é ilógico, sempre pensei que à medida que o tempo passa uma pessoa espanta-se menos - afinal, já viu mais coisas, não é?

Pelos vistos, não é mesmo

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A fabulosa equipa


Hoje em dia fala-se muito de equipa. Trabalho em equipa, a equipa é que consegue as coisas, nada se faz individualmente, a equipa é que consegue tudo, devemos todos remar no mesmo sentido e com o mesmo metrónomo - estou certa que todos sabem do que falo.

É giro porque ao mesmo tempo que se defende esta coreografia coreana de precisão milimétrica se defende ao mesmo tempo o pensamento "fora da caixa". Ou seja, movam-se sempre como um relógio suíço, ao mesmo ritmo do anterior, do posterior e do todo mas pensem tão individualmente como um jaguar.

Eu posso imaginar 2 jaguares num bailado harmonioso de contra-pontos mas não numa peça de sincronia.
Parece-me que a primeira parte do discurso não casa com a segunda; ou a retórica brilhante embota o público ou eu maldosamente só vejo açúcar quando afinal estou a olhar para a miraculosa cura de humanidade.

Certo é que a maioria das pessoas gosta e não vê nenhuma contradição no discurso.

Isto é só coisas que me ralam!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Peúga


Fiquei a olhar para o buraco e não me vi ao espelho mas devia estar com um ar mesmo estúpido.

Depois lembrei-me que um par novo daquelas meias fica mais barato e com melhor aspecto que um carrinho de linhas na retrosaria aliado à minha falta de pachorra para cerzir.

Tudo voltou ao seu lugar tranquilo, não há dúvida que prefiro o sec. XXI: os egípcios sempre existiram mas as lojas chinesas ao virar da esquina não, aqui há uns anos tinha mesmo de cosipar a meia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mudança


Pensei seriamente em acabar com este blog pois a sua natureza esgotou-se.

Mas reconsiderei e afinal não vou matar o bicho, vou antes fazer-lhe o que a natureza faz aos seus quando não os mata: transformar. Alterar. Enviesar. Entortar. Isso.
É mais asseado que matar este e criar outro amanhã, como fazem aquelas empresas que devem e não querem pagar.

Primeiro a substância; os textos deverão ser bem mais interessantes que queixas contra as agruras sérias da vida, que bem basta essas porcarias existirem, não deve ser bom fazer-lhes publicidade ainda por cima.

Pode manter-se a filosofia caseira, que até é divertida e pode ser interessante, desde que não seja uma filosofia de choradinho ou uma introspecção pessoal.

Além disso, o dia 11 deixa de ser a 11 e passa a ser quando eu quiser, como o Natal - com conta peso e medida, que rimas é coisa pesada demais para comer frequentemente, faz mal à barriga.

E acabou-se o Hélas, que conforme me explicaram uma vez há muito tempo por vezes até é idiota relativamente ao texto que subscreve.

Depois, o aspecto. Este castanho é deprimente e para depressões bastam as coisas reais e impostas, deprimirmo-nos por moto próprio é inacreditavelmente estúpido.

Quando eu tiver pachorra, que agora se esgotou.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Balcão de reclamações


A vida é um jerico sem freio, já o disse por aqui algures (eu dizia que era um cavalo mas fizeram-me ver que quem é verdadeiramente dono do seu nariz é o jerico, não o seu primo jet-set. Umhhh.... Isto até era de esperar)

Voltemos ao jerico ou seja, ao burro, porque aparte algumas graças sou uma inimiga declarada de eufemismos. O burro, dizia eu, faz muito simplesmente o que lhe dá na gana quando lhe dá na gana porque lhe dá na gana.

A vida também. Tal como o burro, nem sequer nos manda bugiar; faz o que faz, se quisermos vamos com ela e se não quisermos não vamos e ficamos lá atrás a gritar imprecações como o capitão Haddock. Mas ela, como o burro, vai porque quer aonde quer, quando quer e sem se importar nada com imprecações.

A grande diferença é que ao burro a gente pode impor por tortura ou biscoitos determinados comportamentos, temos alguma espécie de influência, de controlo, afinal é um ser vivo como nós.

Já a vida (ou a natureza, que não sei qual a alcunha, qual o nome) não tem dentes para se por freio nem paladar para apreciar biscoitos.
Há anos e anos que busco mas nunca lhe descobri nada com que a possa obrigar ou subornar... Faz o que quer, quando quer, porque quer. Acho que a nós compete levar o guarda-chuva e a toalha de praia e usar conforme for mais apropriado.

Ah! Acho que também nos compete correr, para acompanhar o seu passo quando tem pressa. Só me ocorre que é melhor andar sempre com um par de ténis, junto com o guarda-chuva e a toalha. E lenços de papel, muitos, porque correndo ou não vamos chorar amargamente pelo que não conseguimos fazer ao mesmo tempo.

Pois, o Tempo está feito com a Vida. E é injusto, pois é. Alguém sabe onde é o balcão de reclamações?

Hélas!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Natureza


Naturalmente, a natureza é insensível na definição humana de sensibilidade.

O efeito dos dias nos seres que governa também nada lhe diz, se é que o conceito de dia fora da humanidade existe; já sem falar no próprio conceito de algo dizer alguma coisa a algo que não é humano... Nestas circunstâncias, só me ocorre pensar/dizer: "aguardemos pois serenamente o futuro que virá, gostemos dele ou não".

Mas nós por aqui, somos humanos. Aguardar serenamente é uma bela figura de estilo mas sem eco no coração do Homem, cuja natureza própria é rabiar, lutar, esbravejar, refilar, revoltar-se, desafiar o espaço, o tempo, a chuva, Deus e os Demónios. Fazer, enfim, o seu próprio tempo e o seu próprio caminho.

Se eu apanhasse a Natureza a jeito, também lhe torcia o pescoço.

Hélas!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A teimosia foi ao enterro


Na espuma dos dias
Vive a esperança
Envolta em rendas
Finos enrodilhados
fios brancos
com nós na noite
E pontas soltas.

O dia nada tem
Corre indiferente
cheio do que é
E vazio de sonho
As horas inexoráveis
tecem a teia emaranhada
Onde vive a esperança

Hélas!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Domingo


Há dias assim. Estranhos. Cheios de pequenos nadas e vazios de filosofia. Desesperantes mas cheios de esperança.

Esteve sol mas não interessa, se estivesse chuva também não. O que interessa é um trejeito, um olhar. Uma frase curta. Um certo tipo de sorriso.

O tempo passa inexorável, sem pressa nem cansaço. Passa apenas e com ele tudo o mais que podia conter e não contém, promessas, hipóteses, outras vidas e outros momentos... Mentiras da vida, pois o que é, é e é agora.

Telefonei. Percebem, não podia deixar para depois o que é agora.

Claro, hoje é Domingo.

Hélas!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ingrícola


Uma couve é uma couve.

Hélas!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma carta para Garcia


Acho que toda a gente conhece se não o próprio texto, pelo menos a frase "entregar a carta a Garcia".

Li algures que foram impressos mais de 40 milhões de exemplares durante a vida do seu autor (Helbert Hubbard), destinados a motivar as pessoas para se parecerem mais com Rowan. Americanos, russos, japoneses, todos os distribuíram profusamente... Uma empresa com empregados do tipo Rowan teria o sucesso garantido: homens que fazem eficazmente o seu trabalho sem perder tempo a alardear as dificuldades do caminho, a pedir instruções, formação em espanhol, subsídio de gasolina... Um sonho, não?

Não.

Aparentemente, escapou-lhes o outro lado da moeda. Ao contrário do comum dos mortais, Mac Kinley deu a Rowan um objectivo específico: entregar a carta. E isto é dificílimo, diga-se. Um objectivo claro, concreto, mensurável e compreensível.

Também não lhe encomendou relatórios semanais de progresso nem obrigação de utilizar barcos da marca X, não o proibiu de usar botas nem exigiu aprovar todas as comunicações em língua não inglesa. Tão pouco o convocou para reuniões mensais de staff e certamente não lhe passou pela cabeça inscrever o rapaz em sessões obrigatórias de team building...

Pois. É sempre tão mais fácil perceber o que é que os outros devem fazer.

Hélas!

sábado, 1 de janeiro de 2011

2011


Gostava muito de ter um ano de problemas triviais.

Talvez o truque seja este, considerar todos os problemas triviais; com problemas triviais não nos dói a boca do estômago sem razão nem acordamos com calafrios a meio da noite para verificar compulsivamente se estão todos bem.

Pronto, encontrei o meu desejo de Ano Novo. Pelo menos, é uma coisa em que me posso esforçar para tornar realidade!

Hélas!