quinta-feira, 29 de maio de 2008

Livre arbítrio

Provavelmente, este mundo seria mais atractivo para um grande número de pessoas se pudéssemos abdicar da liberdade e do livre arbítrio a favor de alguém paternal e benévolo. Para outros seria um inferno, claro.

E para mim, é este o cerne da questão: liberdade - com toda a infelicidade que acarreta mais todas as oportunidades possíveis - ou servidão - com toda a felicidade que traz mais as limitações intransponíveis?

Às vezes, acho que nos foi dada uma coisa que não só não merecemos como não somos capazes de aproveitar. E claro! muito humanamente, em geral culpamos o Dador pela dádiva. Nós somos uns pobres coitados, mas Ele, ah! Devia saber melhor... E ficamos todos contentes, afinal a culpa não é nossa.

Como acredito no equilíbrio, acredito que haverá alguém, algures, que nesta precisa altura enterra o desgosto, bate no peito, chama-me nomes e parte para outra. Abençoado, com ele parte a minha esperança na raça humana.

Hélas!

3 comentários:

Marques Correia disse...

Suspeito que estás a laborar num erro crasso: a liberdade pode não trazer a felicidade, mas a sua falta raras vezes traz mais que um vislumbre dela.

Claro que podemos sempre idealizar uma situação em que quem nos priva da liberdade é um tipo porreiro, ultrarrico e ultrapoderoso, capaz (e com vontade..) de compensar a nossa servidão com prodigalidades de todo o tipo, calibre e bondade.
Mas isso, minha, isso é uma situação que nada deve ao real.

No real, puro e duro, a perda de liberdade, na melhor das hipóteses, é assumida por nós num trade off contínuo em que pescamos isto com o compromisso de não fazermos aquilo, em que nos livramos disto na condição de fazermos aquilo, em que abrimos mão disto para sacarmos aquilo.

Até aqui, tudo bem. Trocamos liberdade por "produto" porque queremos tocar.
Nos piores casos, não tão raros como tudo isso, a perda de liberdade é involuntária, irreversível, brutal e quase gratuita. Ainda por cima, quem tem o poder e a liberdade para evitar que assim seja está(estamos), por acaso, a olhar para o outro lado.
. . . . . .
Como quase sempre, concluo que somos muito mais felizes do que, no nosso ócio, nos imaginamos ou nos sentimos...

Fátima Santos disse...

por vezes, tenho a sensação de que é um ser de uma outra era, um enviado de um futuro ou de algum passado que nem vem na história, ou um ser de uma dimensão química diversa, o que aqui me envia mensagens, o que aqui fala de termos escritos em letra desta minha terra e do recanto em que habito, mas numa outra linguagem do espírito, numa outra interpretação da fala.
E todo este arrasoado para que eu diga que Liberdade é conceito que, para mim neste meu espreitar um dicionário e ver o conceito, ou simplesmente daquilo que penso e experiencio de vivencias de eu e outros, tem um significado que não se presta a divagações em torno, menos ainda de se sim ou não atribuir ao humano ser ou em que dimensão fazer. Ou se de a ter resulta infelicidade (credo!!)
Tal como a felicidade, a liberdade anda de mão dada com a gente, deita-se, lava os dentes com a e toma banho, limpa connosco o nosso rabo, e talvez por tudo isso, nem damos pelo bem precioso que nos faz mover de um lado a outro, tomar decisões que nos tramam a vida ou outras que um pouco menos e que de qualquer dos modos, por mais que seja um frete tomar decisões e disso resulto sofrimento, como é possível sequer pensar em trocar á nossa liberdade, a cota que temos dela neste mundo que somos cada um e o outro, para colocar nas mãos que seja de um alguém paternal e benévolo!!! e como sequer imaginar que a liberdade pode (credo que é mesmo de um extra terrestre, só pode!)trazer servidão e limitações?! é para mim tão inconcebível que quem assim diz nunca teve a menor aproximação (bem para ela...ou não!) do que é a dita liberdade deixar que seja por um instante, em qualquer das suas formas de ausência, faltar-lhe. E nem lhe desejo que experimente, apenas que pense antes de botar cá para fora enormidades mesmo que ditas com um ar de coisa benevolente e com ar de debate.
E mais. O equilíbrio que refere no último parágrafo é um tanto estranho:ao que parece ele existe por contrabalanço entre um ser que pensa ou faz num dado (o seu, suponho!) acordo e outro que numa qualquer outra parte, realiza ou pensa de modo oposto. Estranho equilíbrio, a ser assim, o deste mundo: ter-me -ei enganado por certo neste ponto.
Santas noites!

mac disse...

Marques Correia: Olha, não sei se é um erro crasso ou não mas qualquer forma não posso estar a laborar nele porque concordo plenamente com a totalidade do que dizes...

Mas esse facto não me impede de compreender perfeitamente a falsa nostalgia de um Paraíso mítico, em que não podemos fazer más escolhas porque elas não existem, não nos são permitidas.
.....
mcorreia: Mas que salada de bróculos, rapariga! Vamos lá por ordem nesse caos tão interessante:

1º - Tudo na vida se presta a divagações em torno, se a alma não é pequena;

2º - A liberdade não nasce connosco nem vem de borla; é duramente conquistada todos os dias e porque é preciosa pagamos um preço bem alto por ela, nomeadamente o de fazer escolhas que podem ser más para nós (o que até é o menos) e/ou para outros (o que já é mais chato pois não foram eles que escolheram);

3º - Quando fazes um comentário, repara bem no que estás a comentar, porque senão é discurso em saco roto: o que eu escrevi foi (sic): “liberdade - com toda a infelicidade que acarreta mais todas as oportunidades possíveis - ou servidão - com toda a felicidade que traz mais as limitações intransponíveis”. Por outras palavras e num discurso mais directo, a liberdade pode trazer ou não infelicidade mas traz de certeza oportunidades, enquanto a falta dela até pode trazer felicidade (como já disse aqui uma vez,aprecio muitíssimo a diversidade entre as gentes e a existência de pessoas diferentes de mim) mas limita insuportávelmente (para mim).
Portanto, o teu comentário “e como sequer imaginar que a liberdade pode (credo que é mesmo de um extra terrestre, só pode!)trazer servidão e limitações?!” não faz qualquer sentido uma vez que o que foi dito é precisamente o contrário;

4º - Sugiro que analises, no dicionário mas não só, o que quer dizer “equilíbrio”: grosso modo significa que cada coisa tem o seu contrário. Assim, o último parágrafo não é estranho, é coerente: se alguém num sítio faz qualquer coisa, SE existir equilibrio então há alguém algures a fazer o contrário.
Como o penúltimo parágrafo simula a pena por se ter liberdade, o contrário será, naturalmente, alguém que a preza e está disposto a pagar o seu preço...

Também aqui suspeito que a leitura em diagonal te induziu em erro, nada que não me aconteça frequentemente, que o tempo é curto e às vezes a pachorra ainda é mais curta...

Safa! Que já não analisava um texto com este detalhe desde que saí do liceu, já lá vão bué de anos!

Hélas!