segunda-feira, 14 de abril de 2008

Homo sapiens? Isso é que era bom!

Estive a ver (só um bocadinho!...) uma sessão no parlamento e verifiquei novamente um fenómeno que não cessa de me espantar: o tempo que a maralha gasta a insultar o interlocutor e a auto elogiar-se é no mínimo igual ao que é gasto com os argumentos que fundamentam a sua posição, seja qual for a discussão, os argumentos e o forum...

Houve tempo em que julguei que este fenómeno era fruto de falta de argumentos, de cultura ou de capacidade de expressão, que os insultos e auto-elogios se metiam no discurso para ganhar tempo quando nada mais ocorria ao pensamento e se mantinha a pressão da resposta imediata; mais tarde comprovei que não tem nada a ver com isto – os comentários em blogs são uma prova irrefutável nesse sentido, pois não há qualquer pressão de tempo – são feitos pachorrentamente ao PC e publicam-se quando se quiser – mas sofrem do mesmo defeito, pelo que só pode ser uma estranha característica atávica da nossa raça: bate no peito e ruge, talvez o tipo fuja e não dê mais trabalho… É assim, mesmo quando a profissão é justamente discutir - supostamente de forma racional e profissionalizada.

Para quem julgava que era homo sapiens, é um rude golpe.

Hélas!

2 comentários:

Marques Correia disse...

Talvez a essência da profissão de parlamentar não seja parlamentar (discutir, argumentar, etc).

A essência da profissão talvez seja precisamente evitar ou iludir a discussão de modo a permitir que as nossas propostas "passem" e se transformem em leis.

Discutir e argumentar só mesmo se for absolutamente necessário...

mac disse...

marques correia: Pois e isso não me agrada. Mesmo nada. Se a essência de um parlamentar não é parlamentar, qual será a essência de uma pessoa "comum"?

É que esta característica particular - insultar como se isso fosse um argumento, auto elogiar-se como se isso fosse uma razão - é comum a (quase) todos em (quase) todo o lado...

Neste caso específico, acho que os parlamentares são apenas mais observáveis.

Ora batatas.

Hélas!