quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Gostava de ser poeta


Um poeta é um joalheiro da língua.

Da matéria bruta contida em qualquer Dicionário, faz obras únicas, intrincadas, sofridas, em camadas infindáveis, buriladas com uma paciência de velho chinês... Obras belas na sua identidade única e natureza variável.

O poeta depois refaz novamente, lima aqui, acrescenta acoli, corta mais além... Nunca fica satisfeito - quanto melhor a obra mais sensível ao tempo do espírito de quem lê (o autor não é excepção pois é antes de mais, gente; e a poesia tem essa Natureza, é mutável sem nunca perder a sua identidade, como as pessoas) - a obra só está acabada quando é roubada ao autor.

Ao ser lida, sofre uma metamorfose do tipo Pedra Filosofal mas aplicada a si própria: deixa de ser o que foi para ser - realmente SER - a coisa percebida - tão única como única é a identidade de quem a lê no tempo em que o faz. É mágico.

É por isso que a poesia é intraduzível - o melhor que se consegue nesta área é uma imitação deslavada - se lerem uma boa tradução é porque não é tal, é a expressão de um poeta inspirado por outro e a obra é intrínsecamente diferente. Não é possível traduzir poesia, do mesmo modo que não é possível fazer um anel de ouro usando prata, embora se possam fazer anéis com ambos...

Também gostava de ganhar o Euromilhões.

Hélas!

7 comentários:

Maria de Fátima disse...

e eu que te ia dizer querida poetisa, vais tu e afinfas-me com aquela do euromilhões e borraste-me o dizer

Mofina disse...

loooooooool

E eu que tb gostava de ter um ananás!

Blimunda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blimunda disse...

Até já lhe ouvi chamar fingidor que finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.

Joalheiro confesso que nunca houvera ouvido.

mac disse...

Maria de Fátima, ora ainda bem.
É que não sou poeta, embora gostasse de ser, da mesma maneira que não sou milionária, embora gostasse de ser.
Ou seja, em ambos os casos sei perfeitamente o que gostava de ser, mesmo não sendo...

Mofina, tem quintal? Estou disponível para dar umas dicas, a pachorra e a fé correm por sua conta!

Mas não posso garantir milagres, talvez a Blimunda saiba ver se vale a pena o esforço.

Blimunda, o primeiro nome foi um poeta que chamou, o segundo foi uma pessoa vulgar.
Vê-se a diferença, claro.

* hemisfério norte disse...

ah
eu gostava de ser vento

ia a todo o lado e n precisava de €€ pr a viagem

:)
bj
a.
(o q eu andei pr'qui chegar; primeiro a Mô, depois assim tipo contagem decrescente.....ainda tentei ver se havia -1, )

mac disse...

* hemisfério norte,
Também eu gostava de ser a aragem
Que tanto beija a rosa com leveza
Como abate em fúria o monumento
Sendo tudo o mesmo em beleza

Bem vindo!