terça-feira, 15 de julho de 2008

As pessoas são boas

Parece uma tontice mas não é. A sério, as pessoas são boas. Claro que todos nós temos defeitos, diferentes graus de paciência e de educação, muito diferentes graus de egoísmo e muitíssimo diferentes valores de tolerância. Mas no panorama geral, as pessoas são boas - se não houver consequências nem para um lado nem para o outro, a esmagadora maioria de nós escolhe o lado certo - mas é isto mesmo que define uma tendência, de outra forma estamos a pesar coisas sem sequer conhecer os pesos envolvidos.

Quando a bondade entra em conflito com o interesse pessoal, pode-se questionar quão boa a pessoa é - mas isso não tira uma vírgula à natureza intrínsecamente boa, apenas a pesa contra outros factores que, naturalmente, nem sequer são os verdadeiros mas sim a forma como os apercebemos.

Apesar de todas as decepções (eu sei que há muitas), apesar de todas as desilusões (também já tive muitas), apesar de todos os desgostos (todos os adultos já tiveram imensos), apesar de nos apetecer por vezes matar o Manel, estrafegar a Maria, retalhar o Jaquim, afogar a Jaquina, enforcar o Zé e cortar às fatias - fininhas! - a Josefa, podem crer no que vos digo: as pessoas são, intrínsecamente, boas. Claro que temos de ter cuidado com elas e não andar de olhos fechados mas isso não vem ao caso: as pessoas são boas. Mas é que são mesmo!

Hélas!

2 comentários:

Ana Campino disse...

Eu cá não acho que as pessoas sejam mesmo boas. Acho é que não são mesmo más... pelo menos até ser "preciso" serem más. E não falo de conflito de interesses, falo só do sentimento. As pessoas só são boas quando não sentem necessidade nenhuma de assumir uma posição superior porque já se sentem, ou já se consideram de algum modo superiores. E portanto podem ser boas... e mesmo este "ser bom" tem um quê que se lhe diga... Fazendo de advogado do diabo, diria que para as pessoas "boas" o sentimento de ser bom é delicioso... Nâo haverá aqui um pouco de auto satisfação? Pois é, eu acho que as pessoas até não são más... até ver. Claro está que há excepções. Mas não se diz que confirmam a regra? Pois é, as pessoas até nem são más...

mac disse...

ana campino: Eu acho que são intrinsecamente boas, mais ainda falando só do sentimento. O que se interpõe tanta vez entre o sentimento e a sua expressão factual é mesmo o conflito de interesses – normalmente as boas acções implicam o sacrifício de alguma coisa nossa, quanto mais não seja de tempo. E aí começa o conflito...

E claro que o sentimento de “ser bom” é óptimo mas isso não retira bondade às pessoas, antes pelo contrário, acho eu – não me parece que seja a causa da sua bondade, na verdade acho que é o normal da natureza, premiando com esse “gozo” a satisfação de uma necessidade (comer com fome, beber com sede, ir à casa de banho quando necessário... Tudo isto provoca a satisfação decorrente da eliminação da necessidade).

Sabes? Acho vervadeiramente que o inimigo mortal da bondade é o sofrimento e a infelicidade – raramente conseguimos ser bons quando em sofrimento. O que não tira nem põe à minha afirmação básica, note-se...

Hélas!