quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Blá, blá, blá...


Toda a gente sabe que há pessoas que falam pouco. Porque é que falam pouco, isso é outro tratado... Há algumas que são tímidas, outras têm a paranóia do segredo, outras ainda têm pavor que alguém saiba a sua opinião... Toneladas de razões, todas muito diferentes.

Também toda a gente sabe que há pessoas que falam muito; e também para estas as razões são infinitas: há quem tenha receio do silêncio, quem só se sinta bem a fazer publicidade a si próprio, quem tenha sede de ser ouvido, etc, etc, etc - é quase cada vida cada razão.

E também toda a gente sabe que há muita gente que nem é duma qualidade nem da outra: falam muito de vez em quando e falam pouco de quando em vez.

O que há poucas pessoas a saber é que há gente que pensa em voz alta e fala em silêncio.

Hélas!

10 comentários:

Blimunda disse...

A mesma pessoa com ambas as capacidades? Hummm!!!Lamento contrariá-la, minha amiga, porque é coisa que, copiosamente, me desagrada, mas o que tem que ser tem muita força. É que se assim fosse, uma pessoa falante em silêncio e pensante em voz alta seria um ser integralmente cognoscível e todos sabemos que o homem não o é.

Maria de Fátima disse...

mas, Blimunda, Blimunda não retire o Pai Natal a quem gosta de espreitar presentes

Alferes disse...

Ora! Eu conheço uma pessoa assim. Ela é, como diz a Blimunda, "integralmente cognoscível". É certo que, só eu, consigo ouvir as palavras dos seus silêncios e os sons dos seus pensamentos. Essas pessoas existem. Só é pena que demoremos tanto tempo a conhecê-las!

Blimunda disse...

Alferes, não me diga que ainda acredita no Pai Natal?

Alferes disse...

Já não Blimunda. Mas a vida tem-me proporcionado verdadeiros presentes! Se calhar sou uma privilegiada. Bem, prefiro pensar que mereço :)

Blimunda disse...

Fico contente, por si Alferes, por ser uma Believer e gostar de presentes. Eu não sou nem gosto e, por isso, sou infeliz. Se calhar também mereço.

Alferes disse...

Fiquei sem palavras, Blimunda! Admitir que há momentos de infelicidade, acho que acontece a todos. Mas ser infeliz, ninguém merece. Pense bem: tem de haver por aí um presente de que gosta!

mac disse...

Maria de Fátima, não mandes bocas nas conversas das pessoas crescidas!

Alferes, a Blimunda numa coisa tem razão: o Homem não é. Mas sim, há gente que é, eu também conheço.

E estou consigo, chocada e infeliz - uma pessoa como ela não acreditar em presentes é uma coisa horrível.

Blimunda, é de facto infeliz? Ou há momentos em que é infeliz (a habitual subjectividade deste assunto indica que isso é quase sempre, ficando a felicidade com a migalhita do quase)?
Uma pessoa com uma pontaria tão exacta como a Blimunda não pode ser sempre infeliz, isso estraga a acuidade da visão...

Não está sempre infeliz, pois não? Blimunda! Não está, pois não?... Não há ser humano ao cimo da terra que mereça tal, quanto mais a minha amiga!

Blimunda disse...

Calma, calma, minhas amigas. Sou tanto infeliz como são felizes aqueles que assim se dizem. Tão só isto. É tudo uma questão de relatividade. Neste caso afirmei a minha infelicidade mais para explicar a consequência de não ser uma "believer" e de não gostar de presente. É que os presentes quase sempre vêm envenenados pela lei da compensação -dou-te isto mas espero aquilo. Se é que me faço entender. Não, não sou infeliz, como estado permanente e perpétuo mas também não sou feliz de igual modo. Tenho dias como toda a gente. Mais calmas, as minhas amigas?

mac disse...

Blimunda, eu desconfiava - uma pessoa verdadeiramente infeliz perde seguramente a objectividade de que dá mostras todos os dias!

Eu tenho sorte - a maioria dos presentes que recebo ou são anónimos (nem se sabe a quem pagar!) ou chegam-me sem factura.