domingo, 22 de fevereiro de 2009

Uma bola de papel


Olhei para a folha de papel meio amarfanhada e ocorreu-me de repente que para se ser feliz seria suficiente encarar a vida como encaramos a folha: não acertámos no cesto e a bola de papel caiu no chão.

Não acertámos no cesto, é verdade, mas e então? Se tivéssemos acertado no cesto era giro, não acertámos e foi giro tentar.

Não acertámos no cesto mas nem o cesto nem a bola desapareceram e se quisermos, podemos sempre fazer o esforço de levantar o rabo da cadeira, ir buscar o papel e tentar novamente.

Não acertámos no cesto mas isso não adianta nem atrasa à natureza do cesto, ou da bola de papel, ou mesmo da nossa natureza.

Parece tão fácil, não parece? Ora batatas.

Hélas!

11 comentários:

Maria de Fátima disse...

podes crer: "Se tivéssemos acertado no cesto era giro, não acertámos e foi giro tentar."

Maria de Fátima disse...

se eu fosse mulher de dizer coisas malcriadas diria, esparramado aqui nas costas do teu post: "sabes, cunhada, o que fode o esquema todo é essa puta de mania que têm as pessoas de ficar pensando, fazendo filosofias (!) em volta duma merda duma folhinha amarrotada de papel que caiu no chão em vez de entar onde devia(?)"

Jardineira aprendiz disse...

Ora, e quem disse que era para acertar no cesto?!

Jardineira aprendiz disse...

(Digo eu, que tenho papeis amarfanhados, espalhados por todo o lado)

lenor disse...

Eu acho que a gente acerta sempre em alguma coisa mas para acertar naquilo que quer, e não é garantido!, tem que levantar muitas vezes o rabo da cadeira.

Alferes disse...

Que tal mudar o cesto de sítio?

António disse...

Li uma vez, e concordo com essa ideia, que a vida é um jogo em que jogamos com várias bolas ao mesmo tempo - a bola do trabalho, a bola dos amigos, do clube, da família, etc. Algumas podem ser de papel, outras são de borracha e uma é de cristal. Por vezes, nesse jogo, não conseguimos manter o equilíbrio com elas e caiem ao chão. Assim, as de borracha, como o trabalho, podem voltar a saltar e "apanhamos" um outro emprego, uma outra oportunidade. Outras, como os amigos e/ou o clube, simplesmente são como bolas de papel, e temos que nos debruçar e voltar a apanhá-la. Nada de mais, sómente o esforço de a recuperar. Mas a bola de cristal que é a família, uma vez "quebrada", não será jamais possível voltar a recuperá-la...
Obrigado pela metáfora.
António

Alferes disse...

Gostei do que escreveu o António, mas família não pode ser de cristal. E família num sentido muito restrito. Não à italiana. Se aquelas se quebram, ora batatas, como costuma dizer a Mac. E amigo, Amigo, não espera que nos debrucemos, "ajusta o cesto" e vem ao nosso encontro. Só temos de deixar!

mac disse...

Maria de Fátima, se tu fosses mulher de dizer coisas malcriadas, teria de moderar os teus comentários... Que furam repetidamente as regras aqui do coiso, com essa inocência que me deixa de mãos atadas.
Olha, se não fossem as filosofias sobre a bolinha de papel, deitávamo-nos todos ao rio. Ou pior ainda,não nos deitávamos ao rio...

Jardineira, dizemos nós. Alterar o objectivo porque não o conseguimos é simples mas não é satisfatório...

lenor, boa, essa é que tenho mesmo de guardar e digerir: acertamos sempre nalguma coisa! Se é o que queríamos na altura ou o que um dia vamos querer ou o que nunca quereríamos de forma alguma... Boa, boa!

Alferes, bom, digo o mesmo que disse à Jardineira: quem muda o cesto de sítio sabe que o mudou, sabe que não lhe acertou onde ele estava, quando atirou a bola para lá e quis acertar...

Não tem de ser família nesse sentido, Alferes, parece-me que família é aqui um conceito, não um acidente sanguíneo.

António, a alegoria é sua... E eu gostei imenso dela. Para uns será a família, para outros outra coisa qualquer - a sua natureza intrínseca é irrelevante, relevante é o que representa. Sim, acho que acredito que há no nosso cesto uma bola de cristal, ao pé das de papel e borracha... É grave, quando essa bola erra o cesto. Será tão grave como recusar atirar uma bola - cuja natureza é ser atirada - porque é de cristal? Caramba, tenho serão. Se calhar, tenho serões.
Obrigada!

candidato aj ardineiro disse...

Recordo que a arte consiste em simplificar o que é complicado. No entanto, com algum treino e preseverança sempre se consegue orientar a gravidade de uma folha de papel. O busilis da questão é quando o toca a seres humanos com todas as facetas de sentimentos, fragilidades, filosofias,hábitos, vivências, famílias e ...

mac disse...

Candidato, sim, simplicar é uma arte, embora eu não o considere A arte. Para mim, A arte é apreender - enfim, o reverso da mesma medalha, acho eu.