domingo, 31 de outubro de 2010

Demissão


É tão fácil (mas tão fácil mesmo!) a ausência!

Praticamente chama por nós. Basta olhar para o lado, reparar no cão ou nas pedras da calçada e tumba! Lá estamos nós confortavelmente ausentes do que nos pesava tanto e agora nem nos lembramos.
Sim, pesam-nos outros pesos - mas não aquele que nos parte as costas.

Não sei o que pensar disto, certamente que não é saudável uma vida obcecada. Mas também, esquecer um peso sério por mor de 3 dedos de conversa, um bonito por-do-sol ou a complicadice da vida diária... Não me parece saudável tão-pouco.

Talvez o segredo esteja no tempo: será bom esquecer por umas horas, por mais do que isso já não será tão bom, será uma coisa mais tipo demissão.
Por umas horas, quando houver outrém que providencie uma ausência sem nota - de outro modo serão horas roubadas a um mendigo delas.
Isto é tão tortuoso como o Homem - se houver sempre outrém, nós podemos perfeitamente ir curtir para outra freguesia e o outrém que responda às necessidades... Que nós estamos ocupados a ver o por-do-sol e a viver a nossa vidinha.

Esquecendo o outrém, estragamos a nossa vida?!? Talvez. Ou talvez não, talvez estejamos apenas a fazer jus à vida, qualquer vida, vivendo-a inteira: o seu bem e o seu mal.

Afinal, do futuro ninguém sabe mas o presente está aqui agora. O que fizermos hoje será sempre o que podemos fazer sejam quais forem as circunstâncias.

O que não fizermos... Não sei mas a vida nunca volta para trás.

Hélas!

5 comentários:

Marques Correia disse...

...às vezes, o que para nós é apenas a complicadice da vida diária (para além dos magnos pesos que reclamam a nossa atenção e as nossas costas), para outros é mesmo a vida e os pesos, magnos ou não, são simples complicadices da vida diária.
Claro que os magnos pesos, sendo nossos, às vezes são tão tudo que não sobra nada de nós para os outros...
. . . . .
O que vale é isso é só às vezes :)

Mofina disse...

Muito difícil, mas sim, vale a pena, pode ter a certeza.

Bjs

Maria de Fátima disse...

cheira-me a conceito de pecado de culpa de coisa que leva á confissão
ao luto negro ou ao colar de contas (uma duas três: mais de mil antes de poder sorrir desde a morte do marido)
parece-me imensamente saudável o esquecimento (repito: esquecimento) o poder (ser capaz de ou deixar acontecer) estar como se nada fosse - nem o outrém, nem o modo como, seja tragédia, dor ou pesadelo
parece-me um carrego que ninguém merece (e merecemos demais todos!) estar em alerta mesmo quando pode (repito: pode) desligar nem que seja um pouco ( ou que seja totalmente o que será benção)

e vivam as goiabas ou o fazer um doce delas e durante nem saber aonde o que deixei entre parêntisisi para carregar...(a alma?)
e quem dera que todos tivessemos carregos que fossem passíveis destes "esquecimentos"!
bjs

Maria de Fátima disse...

o que deixei entre parêntisisi para carregar...(a alma?)
este carregar é no sentido de renovar :)

mac disse...

A todos: Ai, estou chorando como o Calimero, "coitadinho de mim, coitadinho de mim, coitadinho de mim que ninguém me compreende..."
:)
A saber:
A) O artigo não é nem crítica nem auto-crítica;
B) O artigo não trata de desculpas para acções menos defensáveis;
C) O artigo não pretende expurgar a alma de culpas reais ou imaginadas;
D) O artigo tenta ser apenas uma reflexão fria sobre a facilidade com que nos demitimos de nós próprios.

Obviamente que isto não está nada claro no artigo, de outra forma não seriam estas as reacções.

Que fazer, voltar para a escola? Bom, não seria nada má idéia.