terça-feira, 4 de agosto de 2009

Olhai os lírios do campo


Olhai os lírios do campo: não trabalham nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, com toda a sua glória, se vestiu como um deles.

Olhai os lírios do campo e vede: metidos no campo ou no vaso horrorosamente roxo da vizinha, sem qualquer liberdade de vestir umas jeans fora de moda e uns ténis rotos. Olhai para eles mas olhai bem: não podem apanhar uma piela, bater no vizinho, correr a salvar uma filha do desespero ou deitarem-se do vigésimo andar a rir.

Olhai e tende misericórdia - uma espécie de vitamina da alma - mas sobretudo, sobretudo, olhai e tende gratidão.

Olhai os lírios do campo. E reconhecei a graça de não serdes um deles, ricamente ajaezado, ricamente agrilhoado, ricamente limitado.

Antes ser pobremente feliz e dolorosamente livre. Com umas sandálias freak, uma camisa aos quadrados, umas calças roxas com riscas azuis e a infelicidade garantida em qualquer dos ilimitados recantos do livre arbítrio.

Obrigada, Senhor, por não ser um lírio do campo.

Hélas!

3 comentários:

Maria de Fátima disse...

tá-lhe a dar, cunhada!
ómessa que cada vez mais ando a ver ca alma das gentes prega peças ao seu desempenho
mas atão...
pois não discirno(?!) onde está a cunhada colocando a contradição e esse remate agrdacendo...
ai que eu vim ter ao sítio errado

Mofina disse...

ADOREI, MAC.

mac disse...

Maria de Fátima, acho que não percebeste nada.

Mofina, ainda bem :)! Tks