quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Amor à borla


Nesta época de saldos e promoções, por favor aproveitem e sejam felizes nem que seja por uns minutos.

Já o disse antes e continuo teimosamente na minha: não me venham com conversas sobre amar quem nos ama, ajudar quem nos ajuda e pensar em quem pensa em nós: isso é natural, corriqueiro e o Natal não tem nada a ver com isso. Natal é amar sem juízo e ajudar de sorriso aberto e sem contas; é isso que significa "à borla".

Por isso, meus amigos e meus inimigos... Façam alguém que não o espera feliz - nem que seja só por um bocadinho.
Façam uma festa a um cão vadio.
Dêem um resto de comida a um gato desconfiado.
Façam sorrir uma criança, seja ela inocente ou não.
E sejam felizes também.

Não há nada que se compare ao amor à borla.

Helas!

12 comentários:

Maria de Fátima disse...

atão e na é que eu (maldita velhice e mais a esclerose e o alz qualquer coisa e mais a minha inata burrice!)
na é que eu li a porra deste TEU post como se fosse do senhor teu esposo e estava a pensar: olha o natal deu cabo do vidro do rapaz!! banzada com tanta beatitude assim especada!
e felizemnte recuperei a tempo: era minha cunhada!! porra a gente cai em cada uma!!!

mac disse...

Fico tão quentinha, cunhadinha favorita!
É que, sabes, a loucura é um bocadito fria, faz falta uma boa companhia.

Mofina disse...

Desde que me paguem, faço tudo à borla. E se for preciso, ainda dou troco...

Blimunda disse...

Ontem chorei a ver uma reportagem num qq canal generalista da nossa TV sobre os sem-abrigo e os serviços "pro-bono" que, felizmente, por aí vão grassando. Talvez tenha chorado com raiva de mim própria por ser tão egoísta.

Funes, o memorioso disse...

A felicidade é uma coisa pessoal, muito nossa, só nossa. Das coisas que mais odeio no mundo é que me tentem fazer feliz. Lembra-me sempre as tardes de Verão da minha juventude, nas férias grandes, em que estando eu no sétimo céu, a ler deliciado um livro qualquer, via sempre a minha mãe entrar e destruir o paraíso em que me encontrava, para me cobrir com uma manta, porque podia ter frio. Ela não pretendia senão fazer-me feliz. O efeito do seu acto generoso era sempre arruinara a felicidade de que eu já desfrutava. Fazer feliz alguém é apenas respeitar a sua individualidade.
Não faço festas a cães vadios (nem aos outros), porque me metem nojo. Não dou restos de comida a gatos desconfiados (nem aos outros), porque os restos de comida me metem nojo.
Fazer sorrir uma criança, gosto. Mas gosto egoisticamente. Porque o sorriso dela me dá prazer a mim. O prazer dela deixa-me indiferente, se não me der prazer a mim.

mac disse...

Mofina, serás paga em contentamento alheio e acho que apreciarão o troco...

Bli, se calhar choraste com pena de quem é infeliz... Nem todos são santos. Não podemos levar isso a mal a ninguém, nem a nós próprios...

Funes, fazer feliz alguém é dar-lhe o que ele quer, não o que nós queremos.
Todos os cães lhe metem nojo?
Os restos do seu próprio prato metem-lhe nojo??
"o prazer dela deixa-me indiferente, se não me der prazer a mim"... Nunca o deixará indiferente, dar-lhe-á sempre prazer.

saphou disse...

vou-te dar uns sapatos e dispenso-me de comentar o que me sugere o amor à borla.

mac disse...

Então, então, Saphou... Há sempre catraias inocentes à escuta - a Bli então, tem ouvidos de tísica.

Obrigada pelos sapatos. Vou guardar para não se estragarem.

Funes, o memorioso disse...

MAC,

2- A expressão "todos os cães me metem nojo" foi usada com o intuito deliberado de chocar. O problema é que eu sofro de uma fobia irracional: não consigo tocar no pelo dos animais. Neste sentido, a ideia de fazer uma festa a um cão, a um gato, a um cavalo ou a um coelho causam-me exactamente o mesmo tipo de repugnância que a ideia de fazer uma festa a uma ratazana de esgoto. Não consigo, pronto. É irracional e é uma deficiência minha que me empobrece. Mas é assim.
2- Sim, os restos de comida, mesmo os restos da minha comida, metem-me nojo. Aqui acho que o problema já não é só meu. A ideia de gordura fria, de banha pastosa e escorrente, mete nojo à generalidade das pessoas, penso eu.
3- Em relação ao sorriso da criança é bem capaz de ter razão.

Blimunda disse...

A verdade é que concordo em absoluto com Funes no que diz respeito ao seu entendimento pelo prazer sentido. A felicidade ou à falta dela que sentimos ao fazer seja o que for ao outro é fruto exclusivo do nosso prazer e/ou tristeza e não do prazer ou da tristeza do outro. É um bocado como o resultado do orgasmo fingido. O prazer que sentimos surge da sensação do prazer facultado ao outro independentemente de ele se ter verificado ou não. É assim que funciona, quer queiramos quer não. Por isso amiga, amor à borla? Nopes! Amor ao preço do amor-próprio. Entendo, no entanto, o que queres dizer, Mac.

jg disse...

Mac, só me apetece fazer festinhas ao pobrezinho do colega Rui Pedro Soares.
O rapaz esfola-se de manhã à noite por um mísero milhão e meio...
Para que raio leio eu semanários?!
Quanto menos souber mais feliz serei...

mac disse...

Funes, há outras maneiras, encontre a sua porque vale a pena. Não há absolutamente nada que se compare com o amor à borla.

Blimunda, eu sei que existe o altruísmo, que queres?
Olha, o egoísmo é como uma doença: se procurares com afinco suficiente, descobres sempre alguma coisa...

jg acho que o meu ex-colega dispensa as suas festinhas. Já se lhe oferecer mais um milhãozito, ele decerto ficará mais feliz!