domingo, 6 de maio de 2012

Dia da Mãe

A Mãe morreu, vivam as Mães.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Perdidos

Tentei imensos caminhos, achando de todas as vezes que me encontraria lá ao fundo, sorridente, a acenar e a dizer olá. Mas não estava, afinal. E não estava em nenhum dos caminhos por onde andei...

Não há dúvida que não sei onde me encontrar mas nem é essa a questão: a questão é que não tenho vida para me procurar mais. Já não há pachorra. Doem-me os pés.

Lá terei de viver perdida, caraças.

sábado, 28 de abril de 2012

O silêncio é de ouro

Eu queria dizer-lhe que há acções que nunca terão retorno, por muito dorido, esforçado, prolongado e sacrificado que o esforço seja. O mal não está nas acções, nem na falta delas, nem na necessidade que as dita; nem sequer é mal, é apenas a natureza das coisas.

Era isto que eu queria dizer-lhe... Queria dizer-lhe que ela é só uma, dois braços, duas pernas e uma cabeça e que, se há coisas que nem um batalhão inteiro consegue, é natural que uma pessoa sozinha também não as consiga!
Queria dizer-lhe para não se preocupar tanto, para não se por em causa a si própria ou à sua capacidade de intervenção, para não se justificar perante si mesma porque as coisas são como são e, por vezes, não está na nossa mão torná-las diferentes...

Achei na altura que ela estaria farta de silêncios compreensivos, que o que queria era alguém  interessado que avaliasse aquela situação em concreto e lhe confirmasse sem indiferença que não estava a fazer nada de errado.

Mas as palavras são escorregadias, o meu discurso titubeante foi percebido como uma crítica - e nunca se consegue "desprovocar" uma dor.

Pois, perdi uma óptima ocasião para estar calada.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Inocência


A alegria das crianças é dolorosa
Como as crianças riem, santo Deus!
Com que que inconsciência,
Com que inocência,
Sentem permanente o momento alegre!
E nós sabendo que amanhã vai chover,
Sabendo que amanhã o jardim estará fechado,
Nós sabendo que amanhã alguém vai morrer,
Ou pior ainda, vai viver desesperado.
Mas as crianças riem com a certeza
Que fará sol e será possível brincar
E que estarão no jardim, outra vez, amanhã!
E riem com a boca toda aberta,
E na sua alegria cabe o mundo todo
E cabem todos os tempos
E cabe toda a gente.
As gargalhadas cristalinas,
Os olhos redondos de alegria,
Os gestos soltos e abrangentes...
Doem-me fundo, fundo, magoam,
Como se aquilo que a vida me ensinou,
Fosse uma traição à sua existência.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ora batatas!

Hoje por ele, amanhã por si...
Ajude-me, quem sabe amanhã você vai precisar também!
Por favor publicite, amanhã poderá necessitar que publicitem para si!


Que irritação sobe por mim acima, quando vejo estes pedidos de ajuda! Só não respondo à bruta porque sei que as pessoas estão aflitas e uma pessoa aflita normalmente não está em condições de avaliar este tipo de consideração.

Além disso, se uma pessoa está aflita a malta tem é de ajudar e não de pregar moral.

Mas caramba, que irritante, que vontade de responder torto! Se uma pessoa precisa de ajuda e a malta pode ajudar, claro! Mas esta ameaça velada: "ó pá, se não me ajudares vais ver, um dia vais precisar de ajuda e ninguém te ajudará e vai ser muito bem feito!", isto dá cabo de mim.

Batatas, a malta ajuda porque a pessoa precisa de ajuda! Não é por haver um qualquer contrato místico com o Universo que nas letras pequenininhas diz que tudo é para a troca.

Irra!

domingo, 18 de março de 2012

Meu Portugal


Bem, eu gostava que soubessem que tenho consciência que não percebo grande coisa das coisas, o que estudei nada tem a ver com o que faço, o que me interessa nada tem a ver com o que estudei nem com o que faço e a minha vida tem pouca coisa a ver com o que me interessa, com o que estudei ou com o que faço.

Dito isto, estou à vontade para avançar: o melhor termómetro do país reside no Metro. Nas conversas, preocupações, roupas, sacos, sapatos, auriculares, etc, que se observam no Metro. Ainda há dias ouvi um julgamento lapidar do Sócrates, pelo telelé não sei lá para quem, tia, prima, amiga?!?

"Ó pá, o Sócrates desenrascou-se o melhor que pôde, tu também não ficaste a dever o carro?"

A verdadeira pobreza de Portugal é que só há Metro em 2 cidades.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pergunta, perguntas...


Um dia perguntaram-me se sabia qual tinha sido o melhor ano da minha vida e eu não sabia. Suponho que deve ter sido em criança, tenho uma ideia vaga que minha infância foi muito feliz.

De outra vez, perguntaram-me o que é que eu esperava da vida e eu não me lembrei de nada. Perguntassem hoje e a resposta seria a mesma... Sinceramente acho que não espero nada da vida, o que fiz está feito e para o que não fiz já é tarde.

Talvez fosse mais correcto dizer que desejo que ninguém lá em casa perca o pão nosso de cada dia ou a saúde, que nenhum daqueles que chamo de meus tenha um azar que implique sofrimento. Mas isso não são bem coisas que se esperam da vida, são mais coisas que se espera que a vida não nos dê.

Seria bom, desejar intensamente tirar o brevet, ou construir uma vida alegre num país tropical ou comprar um Aston Martin: isso traria o objectivo que vale o esforço, o motivo para levantar da cama de manhã.
Mas a mim isto não me diz nada; acho que a certa altura da vida e sem eu dar por nada, o meu espírito reformou-se e foi para parte incerta.
Nada quero para mim e aos outros apenas desejo que não necessitem de mim.

Não me interpretem mal, não tenho qualquer desejo de morrer; mas se eu morresse neste instante não ficaria nenhum sonho por conseguir, nenhuma pena pelo tempo ser insuficiente - insuficiente quer dizer que não chega para alguma coisa em que é necessário.
Dos meus sonhos, os que não aconteceram evaporaram-se e já não existem. Não necessito de tempo, pois nada há que esse tempo me possa dar.

A vida por enquanto é confortável e a companhia é boa. Gozemos a vida, então.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Acupunctura


Bom, os drogados cá da casa andam a tentar deixar de fumar. Gotas e comprimidos e agulhas para controlar o estúpido vício. As agulhas são semanais e espera-se delas que... Ajudem :)

Puseram-nos uma agulha temporária a morder a cartilagem da orelha (órgão absolutamente incontornável na luta contra o tabaco! Estranho, estranhíssimo... A orelha?!???)

Hoje a cria, que refilava com a colocação da agulha desde que fora colocada, recortou com ar compenetrado um penso para calos. Chegou ao pé de mim com a sua obra e comandou: pões o buraco disto alinhado com a porcaria da cabeça da agulha, estás a ver?". Eu estava, o buraco ficou alinhadíssimo. Ele alisou a orelha com os dedos e espantosamente sorriu: - Gooooood.

E enquanto eu me ria, ele foi refilando e rosnando não sei o quê para dentro do quarto mas mais satisfeito.

Drogado sofre, né?... Quem me dera a mim perceber que raio têm as minhas orelhas a ver com a minha vontade doida de poluir os pulmões.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A importância de se chamar lugar comum

- Profissão?

Fiquei a matutar... Se tentasse explicar o que faço para ganhar o pão de cada dia, o homem ainda dava um tiro nos miolos. Nos dele ou pior ainda, nos meus.

Por outro lado o tipo tem de preencher o formulário, se não lhe der uma profissão o cursor não avança e a malta não sai daqui. Bem, há uma profissão que, não sendo profissão nenhuma, em todo o lado é aceite como uma profissão:

- Engenheira.

Boa, o cursor avançou.

- Naturalidade?

Pronto, agora já não há nada a fazer. Daqui passamos para coisas tão surrealistas como Freguesia e coisas assim. Que Deus me perdoe, não há nada a fazer!
Vou masé fumar uma cigarrada, é a única maneira de lidar com o surrealismo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A vida é bela


Ele perguntou, com um sorriso:

- Como estão as coisas? Não veio cá antes da consulta, isso é bom sinal...

Eu também sorri:

- É verdade, as coisas vão bem! Fora o colesterol, a tiróide, os dentes a cair, a parestesia e a cegueira, estou com uma saúde de ferro - não estou a inventar, foi o outro médico que disse, depois de ver as análises!

Ele acenou com a cabeça:

- Bom, então temos de fazer qualquer coisa. Que acha, para o mês que vem?
- Acho bem, Doutor. Eu marco a consulta.