O sol morno aquece a cidade
As pernas nuas das mulheres
Dançam nas sandálias leves
As crianças riem como crianças
ao sair da prisão na escola
Até homens de pasta preta sorriem
Estamos em Outubro e é verão
Lembro-me dum homem a cantar
what a wonderful world
Sonho acordada, sorrio sozinha
Afinal o mundo todo inteiro
Não resiste ao verão tardio.
porque uma Folha já está escrita.
Agradece-se adubo, chuva,
caça às ervas daninhas
e outros subsídios
terça-feira, 4 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Home, sweet home

Nesta semana em que fui tão tranquilamente feliz, o improvável sorriu também e a água do mar esteve a uma temperatura compatível comigo, o que não acontecia há anos e anos. Assim, passei a semana também com abraços ternos e brincalhões de espuma, numa alegria serena em que me esqueceu a saudade.
Permiti-me reviver a segurança infantil, a invencibilidade adolescente, a persistência adulta... Chego inevitavelmente à gratidão da idade madura.
Sou abençoada. Por vezes esqueço-me, a memória é traiçoeira principalmente com estas oferendas divinas - mesmo sem querer, acabamos por interiorizar algo dessa falsidade perversa do "não há almoços grátis".
Mas hoje não. Hoje lembrei-me que sobre aquilo que me foi dado sem trombetas, nunca nada me foi pedido em troca, nunca nada me foi exigido, nunca nada me foi cobrado, nunca nada me foi relembrado.
A minha vida prossegue à sombra dessa proteção inexplicável e, particulrmente hoje não sei porquê, sinto-me infinitamente agradecida.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Desilusões
Relendo os Maias, a contra gosto reforço a minha convicção de que um adulto não deve reler os livros de que gostou na adolescência.
O Eça não é tão bom escritor como o pintava a minha fraca memória.
O Eça não é tão bom escritor como o pintava a minha fraca memória.
domingo, 18 de setembro de 2011
Casamento e descasamento
Eu não gosto do Daniel Sampaio e normalmente não leio a sua crónica semanal da Pública. Mas passo sempre os olhos por ela e penso "lá está este com a mesma conversa de sempre, sempre o mesmo discurso altissonante, insosso e sem vida para pais, filhos e escola, que seca"; de forma algo retorcida, o facto de eu passar sempre por lá mesmo que seja para não ler deve querer dizer alguma coisa mas o psiquiatra é ele.
Bom, desta feita li o artigo. Deve ter sido por ele não falar das coitadinhas das criancinhas que a sociedade se dedica a estragar com gosto nas muitas horas vagas de que dispõe e, em vez disso, falar de forma razoável sobre casamento, divórcio, amor e vida diária...
A palavras tantas, diz ele: Em derradeira análise, há pessoas "casadas consigo próprias", porque o companheiro(a) é uma parte de si mesmo, não tem existência como pessoa.
Conheço casamentos destes. Caraças, este gajo até parece saber do que fala, quando se esquece de ser politicamente correcto.
sábado, 3 de setembro de 2011
Ó mar salgado
Lavo a vista com o meu amor eterno.
Com pouco esforço posso imaginar que o suave marulhar das ondas é uma alegre canção de boas vindas e que aquela mole imensa saúda com carinho o meu regresso a casa, ainda que por pouco tempo.
Noutra encarnação terei certamente a minha casinha à beira do mar. Serei embalada todas as noites pelo seu murmurar de tempos antigos e todas as manhãs as suas cores luminosas me alegrarão.
Quando vier a borrasca e ele se levantar em ondas terríveis de força desconhecida e indiferença cega, irei à janela para aprender como é a vida.
Quando me vier embora não trago nada comigo - tudo o que eu pudesse carregar nos bolsos seria finito, morto, triste. Não, quando me vier embora trarei apenas na lembrança aquele azul único e um som que, com pouco esforço, é uma alegre canção de boas vindas.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Hoje é assim
Cansa-me o calmo desespero
A indecisão que nem sabe querer
Já me enjoa o controlo sereno,
E aborrece-me a sensata cautela.
Quisera ter a fúria libertadora
De um honesto e simples terramoto
Daqueles que apavoram quem os vê
Mas não matam ninguém, afinal,
E se esgotam num momento.
domingo, 7 de agosto de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
Fun at 21-Jul-11
Claro que me esqueci da máquina de filmar, o que me vale é o youtube... O que eu me diverti!
sábado, 16 de julho de 2011
Velhice
Dizem que a velhice traz sabedoria mas, muito sinceramente, não é isso que eu vejo.
Deve ser uma daquelas bocas do tempo em que um tipo de 40 anos era velhíssimo... Foi nesse tempo que se forjou a noção de que os velhos eram uma mais valia, quando eles morriam no auge do seu valor para o grupo - tempos não muito longínquos.
Hoje não é assim; e a sociedade está a ver-se grega para encontrar um equilíbrio decente entre o tempo necessário para formar um indivíduo produtivo, o seu tempo de produtividade efectiva e o tempo de velhice resmunguenta e improdutiva.
Isto é só coisas que me ralam.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Da importância dos prefixos
Está decidido. A próxima vez que me aparecer um daqueles jumentos de 2 pernas, chamo-lhe, cara a cara, portante teligente.
Na maioria dos casos, não chegam lá e portanto não se ofendem, vão ficar a pensar que não perceberam bem.
E eu desopilo. São só vantagens.
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