Não gostar de animais é lógico: não usam a casa de banho, são desesperadamente dependentes, largam pelo, não tomam banho sozinhos e se não houver ninguém para lhes trazer o jantar protestam alto e bom som como se a sua fome justificasse a nossa função de criado às ordens.
Mas eu gosto de animais (bom, não de todos, insectos e primos elevam-me o nível de desgosto para patamares decisivos. Mas gosto bastante de tudo o resto, ratos e répteis incluídos).
Porque gosto eu de animais, o que é que eles têm que me aproxima automaticamente, ao contrário do que sucede com as minhas companheiras de raça ou os nossos simbiotas?
Suponho que seja a sua honestidade intrínseca e inescapável.
Quem é que alguma vez viu um cão abanar o rabo a uma pessoa de quem não gosta? Ou um gato ronronar num colo imposto? Acho que ninguém, não se consegue impor manifestações de amor a um animal.
A raça humana é capaz de domar a sua própria (rácica e individual) natureza e abanar o rabo a quem detesta ou ronronar a quem o magoa. É sem dúvida uma superioridade - mas que ao mesmo tempo nos diminui na minha consideração.
Batatas, eu adoro o microondas, a internet e não viver há 100 anos atrás, quando a mulher era apenas para se ver e desfrutar... Uma época cheia de valores, dizem-me, mas que seguramente não eram os que eu prezo.
Sabendo perfeitamente que não se pode ter a clara do ovo sem a gema, desaprovar estas manifestações da nossa superioridade será hipocrisia?