sábado, 14 de fevereiro de 2009

Erro


Errar é humano. Mais humano ainda é atribuir o erro aos outros*.

Grande verdade, grande verdade. Se o erro fosse nosso, a malta dormia mal e a gente precisa de dormir. Assim dormimos melhor e acordamos cheios de energia para tentar corrigir esses desgraçados dos outros, palermas.

A Natureza é sábia. A natureza humana é um bocado mais estúpida mas ainda assim distingue perfeitamente entre uma boa noite de sono e uma noite sem sono nenhum, benza-a Deus!

Hélas!

* Anton Thekov

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Coisas tramadas


Há dias tramados, semanas tramadas, há meses tramados e anos tramados.

Vocês não acham que devia haver ginásios para isto?

Hélas!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Intervalo


Esqueçam-se de mim.
Dêem-me tempo de Gestação.
Deixem-me chegar ao fim
Desta Transformação.

A Esperança foi afastada,
O Sonho passeia distante,
A Vida é apertada
Entre Mais, Menos e Bastante.

O Dia é curto e comprido,
O Espírito olha e hesita.
Na tontura do Vivido
O Futuro periclita.

Esqueçam-se de mim.
Dêem-me tempo de Gestação.
Deixem-me chegar ao fim
Desta Transformação.

Hélas!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Verdades verdadeiras


Um dia, alguém me disse que "As pessoas não estão interessadas em entenderem-se, só estão interessadas em ter razão.". Esta frase ficou-me no espírito, pela sua simplicidade cheia de profundezas.

Ele tem razão, como é óbvio - mesmo quando as pessoas se querem entender, só o farão depois de se lhe ter reconhecido a razão, só nessa altura estarão livres e desimpedidas para trabalho em conjunto.

E as profundezas que daqui nascem são Dantescas, auto-análise, estratégias de manipulação, auto-estima, humildade, orgulho, conhecimento - auto e alheio - , o que quiserem.

Um tortuoso labirinto de Deve e Haver.

Hélas!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Fantástico


Dei-me de repente conta do desregrado uso que ando a fazer da palavra fantástico.

Ele é fantástico isto, ele é fantástico aquilo, vocês não acham fantástica esta fantasia?... Tudo é fantasticamente fantástico, um enjoo miserável de fantasticidade.

A língua é tão rica, porque diabo ando eu presa ao fantástico?!? Caramba, alguém me devolva a normalidade se eu não a conseguir sozinha. O meu espanto continua presente, claro, mas há tantas palavras mais... Bolas, que de vez em quando tenho saudades da escola. Onde nos ensinam sem trabalho.

Hélas!

O Fogo do Lar


Observem a lenha da lareira com atenção.

Peguem num dos troncos. Revirem-no, verifiquem a sua perfeição posta em relevo pelos nós na madeira, pela falta de lisura e pelas linhas tortuosas. Admirem a sua unicidade, não há dois tocos iguais. Passem os dedos pela superfície áspera e maravilhem-se pelo calor que, não existindo de facto, também não está ausente... Admirem as subtis mudanças de cor num pedaço tão pequeno que mal representa a unidade de onde veio.

Peguem noutro tronco e comparem: são os dois tão fantasticamente belos, com uma beleza comum que, apesar disso, é absolutamente única!

Meus amigos, a Beleza é uma coisa fantástica. Aquece a alma.

Hélas!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Felicidade


Pensem nesta questão: que vos faria felizes?

A paz no mundo? Uma nova Madre Teresa? Uma pacífica solução israelita/palestiniana? Indústrias e carros não-poluentes? A morte da pedofilia? O desaparecimento de Mugabe? Saldos verdadeiros? A erradicação da malária? Uma beleza estonteante? A cura para a Sida? Ganhar o Euromilhões?

É fantástico como entregamos a felicidade a coisas fora do nosso controlo.

Hélas!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O rato e o leão


O rato é um animal tímido, prefere fugir e esconder-se quando se sente observado, é fugidio e prudente. Mas é persistente; foge perante o perigo não avaliado ou avaliado como demasiado perigoso mas espreita logo a seguir para ajuizar se o tal perigo já se escafedeu e já pode fazer o que quer...

Não o encurralem que vira fera. Arreganha os dentes e ataca com coragem, seja qual for o tamanho do atacante; se quiserem ver o espectáculo degradante de um ser vivo encolhido a chorar misérias e implorar misericórdia, nao peguem num rato porque ele não o fará. Se houver uma aberta, foge lépido e só não deita a língua de fora porque não é essa a sua linguagem; mas se não houver, morre lutando. O que um rato nunca faz é deitar-se de costas e sujeitar-se ao destino.

Eu gosto de ratos. Gosto mais de leões, que rugem à trovoada em vez de fugir ao perigoso e desconhecido barulho, mas também gosto de ratos. Agrada-me a sua recusa à rendição.

Hélas!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pavlov?


A coisa passa-se assim: estou eu com os meus azeites, a boca azeda da limonada, viro-me estúpidamente agressiva a quem não me fez mal (é sempre assim, não é? Reflexão para outro artigo, caramba que tenho mesmo de aprender a tomar notas!) e, em vez da óbvia reação defensiva, obtenho... Um sorriso quente. Uma frase gentil. Uma coisa assim de quem nem notou a agressividade, a violência gratuita e vil.

É um bocadito difícil de explicar mas imaginem que estão zangados com o mundo e dão um encontrão a alguém e esse alguém, em vez de se firmar nos pés para não cair, estende o braço e tenta ajudar no que lhe parece um desiquilíbrio, não um encontrão. É completamente diferente de quem sentiu e quis perdoar, não tem nada a ver com alguém que pesou, mediu e decidiu que não se devia zangar. É uma coisa diferente, um impulso natural.

Nessa situação, olhem, eu liquefaço-me... Enrola-se-me a língua, o coração aquece, os pés fraquejam e o juízo volta a si. Mas, pensando bem... Será que reparo sempre ou depende da limonada? Quantas vezes terei eu empurrado brutamente alguém sem notar e sem notar passei por cima do sorriso gentil e da frase calorosa? Ajudando, com a minha falta de atenção, à extinção de uma espécie milagrosa?

Caramba, uma pessoa pode tão facilmente dar em doida.

Hélas!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Idade avançada


Os anos são uma coisa tramada.

Quando temos poucos, tudo acontece por milagre; juntamos mais uns quantos e achamos que há malta (a mamã, o papá...) que faz milagres; mais uns poucos e acreditamos que somos nós os capazes de fazer milagres, com a nossa vontade, teimosia e esforço; depois chegamos a velhos e deixamos de acreditar em milagres. O que quer dizer que também deixamos de reconhecer os milagres que de facto acontecem.

Com a minha idade avançada, eu estou nessa última fase, o que me chateia. Já não basta saber que não sou capaz de fazer milagres, ainda por cima tenho de reconhecer as minhas próprias cataratas?!?

Só coisas que me ralam.

Hélas!