quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mantra

Não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses, não penses

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A contingência da Vida

O que eu queria era que não fosse hoje
Podia ser amanhã ou ontem, tanto faz,
Mas que não fosse hoje, nem agora.
Era o que eu queria, se pudesse:
Porque hoje está sol
Um dia luminoso e claro
E eu não sei onde estou
Nem sei para onde vou
Quanto mais por onde vou.
Se não fosse hoje
Eu saberia pela certa
Teria imensas teorias
Que explicariam muito bem
Estar eu onde estivesse.
Com toda a certeza
Se fosse amanhã eu saberia
Porque é que hoje estou aqui
Sem saber onde é aqui;
E se fosse ontem o hoje não existia
E eu não estaria aqui seguramente.


Isto é só coisas que me ralam.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Religiões


Eu não sou uma pessoa culta, já fui e já não sou, de modo que até conheço a diferença.

Mesmo nos meus tempos de pessoa culta, nunca dediquei grande tempo a estudar religiões, sempre me pareceu um bocado desperdício de tempo porque estava - ainda estou - convencida que, no fundo, no fundo, tudo se resume a uma questão de fé e a fé não é racional, embora possa ser racionalmente induzida em outrém.

Mas leio algumas coisas, de quando em vez. E de vez em quando analiso e discuto ideias e dogmas com pessoas de outras religiões.

De cada vez que isso acontece, sai mais reforçada uma convicção muito minha: se alguma vez deixar de ser cristã, só poderei ser ateia. Todas as outras religiões exaltam demasiado o bem estar próprio, com idiotices (na minha douta opinião, claro) do género "se não te amas, não podes amar os outros", ou "se não estiveres de bem contigo, não podes estar de bem com ninguém". Como se, para ajudar alguém, fosse necessário cuidar primeiro de si próprio, como nos dizem para fazer quando caem as máscaras no avião...

Não há nada de errado em cuidar primeiro de si próprio mas, na minha opinião, há algo de muito errado quando se acredita que o Bem é a necessidade dos outros estar sempre depois da nossa. Que temos a obrigação de velar pelo nosso umbigo antes de acudir a outro.

Não sei se isto é apenas uma estratégia para captar crentes (as pessoas, como toda a gente sabe, são egoístas - uma religião ou uma filosofia que lhes diz que isso é bom deve ser muito cativante) mas sei que esta maneira de ver a vida não me convence. Acho sinceramente que o egoísmo (independentemente de eu ser muito egoísta também) não é coisa boa e deve ser combatido.

Pode ser ignorância minha mas só conheço uma religião que diz "esquece-te de ti, os outros devem estar primeiro" e essa é a cristã (católicos, protestantes, etc, aquelas que aceitam Cristo como Deus - acho que os Judeus não exaltam o Eu mas em contrapartida também não incentivam a abnegação pelo nosso semelhante). Todas as outras de que tenho lido, conversado, ouvido, põem o Eu em primeiro lugar.

Só os cristãos reconhecem um louco leproso ou um tipo bera como seu irmão (para o resto da malta em geral é o "outro", um desconhecido sem qualquer relação connosco) e lhe estendem a mão (mesmo a tremer de repulsa!). E se a pessoa não for capaz de lhe estender a mão, terá de ser cristã para se sentir mal por isso - as outras religiões dizem-lhe que "não estava preparada", "que precisa de maior trabalho no seu eu interior", etc, etc, ou seja, que a culpa não é sua.
E é, é sempre escolha nossa.

Além do mais, ou não leram ou não concordam com o poeta que leio e com quem concordo:

"(...)
Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja.
Acima de tudo o mundo externo!
Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim."

Ainda por cima, acho que o gajo era ateu.

Bom 2012, cambada.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dezembro


Porque é que eu gosto de Dezembro? Porque o amor é sempre à borla e Dezembro é o seu mês. Mal ou bem - acho que bem - o Natal, de alguma forma, incentiva e potencia acções boas e desinteressadas.

Não perfilho a famosa teoria de que tudo o que fazemos é por nós próprios e se amamos à borla ou fazemos qualquer coisa intrinsecamente boa é porque não o fazer é mais desconfortável para nós.

Acho que isso não passa de uma racionalização (arte tão cara ao Homem) que desculpa eficientemente as nossas constantes manifestações de egoísmo. Ou seja, "não posso deixar de ser egoísta porque o egoísmo é a nossa natureza, mesmo quem se sacrifica por qualquer coisa faz isso por puro egoísmo. Mas ao menos eu sei disso..." (que inteligente que sou! - um bónus, não a razão primária)

O Bem existe. Bondade, desinteressada e altruísta, existe. Sem rasto de egoísmo, existe.

Eu sempre, sempre, desde catraia tontinha até hoje, sempre disse que há presentes envenenados.
Lamento, confrades egoístas como eu: não é "Natureza", é a nossa escolha, consciente ou inconsciente.

Tenhamos ao menos a galhardia de o reconhecer.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TAC


Por razões que não vêm ao caso, hoje e pela primeira vez na vida fui fazer um TAC. Deitei-me naquela maca estreita à beira do tubo e pensei "isto ainda vai correr mal", porque tenho um bocado de claustrofobia e imaginar-me dentro daquele estreito túnel sem espaço para fugir se me aparecesse um bicho, uma barata, mosca ou outro qualquer nojento insecto enervou-me um bocado.

Num flash imaginei-me a desatar aos gritos, rastejar de costas (será que se consegue?) para a saída, bater no técnico seco e sério que me enfiara lá dentro e fugir a correr. Que cena vergonhosa...

De modo que depois do homem me ter dito no seu ar seco "respire devagar e não se mova", eu fechei os olhos. Se o bicho aparecesse, eu não o veria e não sentiria aquela urgência inadiável de fugir (pura e simplesmente não posso garantir o meu comportamento na presença próxima de insectos; sabe Deus porque diacho me ocorria uma barata gorda, grande, castanha e luzidia, com as lindas anteninhas a cheirar o ar, a fazer o característico ruído de papel amassado e achando que a minha camisola daria um excelente ninho para as crias).

Para a frente, para trás, para a frente, para trás... Só abri os olhos quando o técnico me tirou as almofadas que garantiam a posição da cabeça.

Sorria para mim com um ar compreensivo e disse, docemente, "já acabou, pode ir-se embora". Fiquei sem perceber se a inesperada ternura se devia ao Natal ou se sou assim tão transparente.

Eu, que pensava ser uma esfinge.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Aniversário


Este é especial. Quer dizer, todos os anos são diferentes mas há uns mais diferentes que os outros... Este é desses.
A carreira avizinha-se finalmente e o mundo, não sei porquê, quando há musica fica melhor.

Que o resto da tua vida seja sempre assim, pleno de desafios e satisfações. Pleno de amigos. Pleno de esperança. Pleno de música...

Um beijo para ti, meu caro. Cheio de amor e discreto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

What?


Não sei porquê mas isto preocupa-me: será a troika, o nevoeiro, a catarata, a idade?
É que não vejo o futuro negro, antes pelo contrário: está branquinho como algodão doce. Não se vê nada mas esse nada é branco, difuso mas de uma difusão nitidamente branca.

E surge agora a oportunidade de falar. Agora, que as palavras me secaram na boca.

World's time is not my time. Aren't I lucky!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Nevoeiro


Olho para a janela e em vez de ver coisas, vejo nada.

A coisa é tal ordem que estou a pensar seriamente em chamar a troika, a ver se consegue clarificar esta neblina.

De repente ocorre-me que... Caraças... Será nevoeiro mesmo ou será a catarata??!

Lá terei de contratar um consultor externo, isto é só coisas que me ralam.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Why?

Porque será que quando o assunto é ao mesmo tempo muito sério e muito privado é em inglês que me surgem as palavras e verbalizo pensamentos na minha cabeça? Ainda por cima um inglês macarrónico porque eu nem sequer sou dotada nesse campo.
Mas deve haver alguma razão, quando for grande vou ao psiquiatra para ele me explicar.

Anyway...

domingo, 20 de novembro de 2011

Duplo plágio

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mia Couto


A maior desgraça de uma nação rica é que em vez de produzir riqueza, produz pobres.

Francisco Castelo