domingo, 22 de maio de 2011

Escrita


Para ser uma escritora publicada falta-me a capacidade de escrever sobre coisas comuns que afectem a sensibilidade dos leitores.

Não sei na verdade se é capacidade a menos se pudor a mais - o que sei é que nunca escreverei um romance de sucesso e tenho alguma pena: todos nós gostaríamos de ter uma grande audiência para uma das nossas histórias de vida.

Reli "Pássaros feridos", tão bom como os "Cem anos de solidão", embora noutro enquadramento.

Dois livros de grande sucesso, ambos a dizer o que toda a gente já sabe - a vida é lixada, geração após geração.

Nunca conseguirei escrever isso, sabe-se lá porquê.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Oooooooommmmmmm


Eu gostava de ser uma pessoa serena.

Gostava de ser daquele tipo de gente que ouve com os ouvidos da alma mais que com as orelhas de carne. Aquele tipo de gente que transpira paz, sabem como é? Que nunca se choca nem desanima, que nunca desespera e consegue transmitir uma sensação de descanso, confiança e alegria a quem quer que se lhe dirija.
Eu tento, tento mesmo mas... Há sempre qualquer coisa que interfere.

Há algumas coisas que aprendi nesta batalha: se pensarmos mais nos outros que em nós próprios é mais difícil ficarmos tristes com ninharias; se for sempre olho por olho acaba toda a gente cega; se se esperar um bocadinho, o sol nasce num espectáculo grandioso, à borla e que anima quem não for cego.

Depois de alguma reflexão parece-me que o essencial é não existirmos na equação. E isso é complicado não é? Quer dizer, complicado não é mas é muito difícil.

Difícil para chuchu.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fim


O edifício ruiu; que ninguém o tenha notado é a medida das suas fundações.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Desaparecimento à beira mar


O homem desvaneceu-se no éter.

Quando se pergunta por ele obtém-se a resposta gasta do "tem muito que fazer", embora ninguém o veja nem oiça na sua fazedura.

A malta fica na dúvida se lhe deu o Tau e não fala com ninguém, se teve um acidente secreto e está incógnito no Hospital ou se de facto é tão dedicado ao dever que nem vai a casa tomar banho.

O Poe não faria melhor.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa, 2011


Neste país falido e crivado de dívidas, onde há tanto tempo se vive acima das possibilidades, há 2 feriados que proporcionam 4 dias seguidos de repouso.

É pouco; os senhores que mandam dão de imediato mais meio dia de lazer, por acréscimo. O povo está tão cansado... Além do mais, há eleições à porta.

E assim há mais tempo para se consumir o que não se produziu. Se faltar o pilim, pede-se emprestado, ora! Qualquer banco junto de si lho empresta com um sorriso.

Isto é só coisas que me ralam.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Pontos de vista

Apesar de estar em casa há uma semana, não se pode dizer que tenha estado a olhar para o ar.

Antes pelo contrário.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Coisas


Há coisas
Coisas que andam aí,
Coisas que sangram ali,
Coisas que não sei contar.

Há coisas
Coisas que parecem cetim,
Coisas que doem assim
E que não querem parar.

Há coisas
Coisas que ferem e mordem
Coisas que sangram e doem
Coisas que não sabem falar.

Há coisas
Coisa que riem contentes
Coisas que vão nas correntes
Coisas que não posso contar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Data

Mais um para a minha colecção.

Hoje foi... Estranho. Até porque não sei se dê vivas ou condene ao Inferno as novas tecnologias - terei assim tantos amigos?

Mas na conta geral, foi bom. O jantar, então, foi óptimo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Irritações


Há coisas que me irritam, santo Deus, e como me irritam!

Tomarem-me por parva é uma delas. Apostarem no meu primo Alzheimer é outra.

Gosto imenso do Alzheimer, é um tipo catita. Mas tira-me do sério, o pessoal a sorrir com ar inocente quando me dizem que deram o recado a "alguém da família", como se não conhecessem o Alzheimer de lado nenhum.

Como se não soubessem da batalha de morte que grassa no quintal. Malandros. Energúmenos. Filhos de um diabo menor.

Se eu pudesse, matava o Alzheimer, isso matava. Apesar de ser pacifista, abria uma excepção e esfolava o tipo. Fica-me com os recados todos, o estupor.

domingo, 3 de abril de 2011

Caminhos

Perdi-me, algures no tempo. Agora não encontro o caminho, há muito que pássaros e formigas digeriram as migalhas.

Há que construir outro caminho, tem de ser. Acho que ainda sou capaz.

O único problema é que sei de onde vim mas não faço a mais pálida ideia para onde quero ir. A minha única certeza é de quem quero que vá comigo.

Isto é só coisas que me ralam.