Mais um para a minha colecção.
Hoje foi... Estranho. Até porque não sei se dê vivas ou condene ao Inferno as novas tecnologias - terei assim tantos amigos?
Mas na conta geral, foi bom. O jantar, então, foi óptimo.
porque uma Folha já está escrita.
Agradece-se adubo, chuva,
caça às ervas daninhas
e outros subsídios
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Irritações
Há coisas que me irritam, santo Deus, e como me irritam!
Tomarem-me por parva é uma delas. Apostarem no meu primo Alzheimer é outra.
Gosto imenso do Alzheimer, é um tipo catita. Mas tira-me do sério, o pessoal a sorrir com ar inocente quando me dizem que deram o recado a "alguém da família", como se não conhecessem o Alzheimer de lado nenhum.
Como se não soubessem da batalha de morte que grassa no quintal. Malandros. Energúmenos. Filhos de um diabo menor.
Se eu pudesse, matava o Alzheimer, isso matava. Apesar de ser pacifista, abria uma excepção e esfolava o tipo. Fica-me com os recados todos, o estupor.
domingo, 3 de abril de 2011
Caminhos
Perdi-me, algures no tempo. Agora não encontro o caminho, há muito que pássaros e formigas digeriram as migalhas.
Há que construir outro caminho, tem de ser. Acho que ainda sou capaz.
O único problema é que sei de onde vim mas não faço a mais pálida ideia para onde quero ir. A minha única certeza é de quem quero que vá comigo.
Isto é só coisas que me ralam.
Há que construir outro caminho, tem de ser. Acho que ainda sou capaz.
O único problema é que sei de onde vim mas não faço a mais pálida ideia para onde quero ir. A minha única certeza é de quem quero que vá comigo.
Isto é só coisas que me ralam.
domingo, 27 de março de 2011
Os velhos e os jovens
Recusei uma conversa e disse calmamente "não quero falar sobre isso", pondo um ponto final ao assunto.
Sempre me orgulhei de poder falar racionalmente sobre tudo, mesmo que o assunto fosse muito importante para mim. Podia-me apaixonar pelo tema, falar mais alto, interromper o interlocutor mas sempre mantendo a razão ao leme... Agrada-me a ideia de ser capaz de me distanciar pessoalmente e, em qualquer assunto, deixar a razão tomar as rédeas sem freio; manter a emoção sob controlo e, sem deixar de a ouvir, ser capaz de silenciar a sua voz.
Mas naquele momento foi perfeitamente claro para mim que se a conversa fosse adiante o controlo tão duramente exercido desaparecia e ficava uma coisa tipo buraco na barragem - depois de passar a primeira gota não há força humana que impeça a enchente.
11 de Fevereiro de 2011: a primeira vez do que quer que seja é sempre um marco importante e esta foi a primeira vez que me recusei a conversar sobre um assunto; a primeira vez que me senti de facto velha, incapaz de prosseguir.
Este longo monólogo é para introduzir o pensamento que me interessa aqui: porque é que os velhos se defendem e os jovens se atiram de cabeça? E não me venham com a conversa que os jovens são inconscientes do perigo, porque não são.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Artes
Na minha modesta e ignara opinião, Sócrates conseguiu exactamente o que queria, numa manifestação excepcional de competência política.
Sai muito bem visto, tanto internacional como nacionalmente: o homem que quis fazer o que era necessário, essencial mesmo, para o país. Coitado, foi impedido por uma miserável oposição que, na sua sede de poder, não quer saber da realidade objectiva desde que possa encher os seus próprios bolsos e garantir a si e aos seus uma velhice despreocupada.
Por causa disto tudo agora vem aí o FMI, pá, se tivessem deixado o homem fazer o que queria não viria nenhum tutor estrangeiro a mandar-nos fazer coisas horrorosas e a questionar a utilidade do jantar na churrasqueira... A culpa disto tudo é da porcaria da oposição que nunca deixa o governo fazer o que precisa de ser feito.
O pior de tudo é que no geral as medidas estão certas, sabem... É mesmo preciso apertar o cinto, mesmo quem toda a vida nunca o alargou. É injusto para as pessoas vulgares mas é verdadeiro para o país. E é questionável como: corta-se nas pensões ou no TGV?, mas que é preciso apertar mais o cinto é certinho como a noite.
O que não era preciso era fazer a coisa como ela foi feita - mas era preciso ser feita assim para atingir o objectivo do político. E foi muito bem feita, Sócrates sai por cima: não tem culpa de uma crise que é mundial e é a porcaria da oposição que tem a culpa do seu país não ter feito o que é preciso fazer.
O que me chateia nisto tudo é que ele consegue numa penada concretizar o sonho do actual político português: ninguém quer saber das responsabilidades que teve no estado da arte e os actos actuais são julgados como se quem os praticou tivesse aterrado repentinamente no prato da sopa sem nunca ter contribuído para a panela.
Reparem que ninguém fala no acto político: a maneira como o PEC foi anunciado é a real causa da situação actual, não o PEC propriamente dito; mas quem fala nisso? Ná, só se fala do PEC...
Decididamente, não sou só eu que ando a perder a memória. Chateia-me, isto.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Zero-A
Eu tenho um sonho. O meu sonho é do tamanho do mundo e igualmente improvável.
Mas se formos honestos, também era improvável que um preto fosse presidente do país mais poderoso do mundo. Por muito que muita gente o sonhasse, era improvável.
Meus amigos, o meu sonho também um dia será realidade.
Limitado, claro. Tal como Obama é limitado pela realidade da presidência (limitação que nada tem a ver com ser preto: se fosse branco, amarelo ou às bolinhas azuis era a mesma coisa obviamente, portanto o sonho concretizou-se), também o meu sonho será limitado pela realidade e não será exactamente como o sonhei. Mas será realidade um dia.
Um dia, meus amigos, um dia o homem vulgar será um ser responsável, a quem nem sequer ocorre responsabilizar outrém pelas suas escolhas ou pelos seus actos.
Alguém que me lê já leu algum dos livros do "ZERO-A"? Um dia os zero-a serão senhores do mundo.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Primavera
Cantam as borboletas
Doces canções
Choram os canários
Velhas objecções
Dançam pinguins
estranhas valsas
Saltam malandrins
Em alegres salsas
Os cães ladram
A caravana passa
Os gatos escondem
A arruaça.
Hoje foi primavera.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Desconversando
A desconversa é uma arte nobre. Muito difícil, extremamente difícil, eu não a domino e portanto é dificílima.
Frequentemente confundida com "conversa de tolo", não é tal. O tolo tem tendência a explicar-nos que Paris é em França. Um desconversador pergunta-nos se a lei francesa põe troianos na Bastilha... E não sorri nas nossas atabalhoadas explicações de que não há França; em vez disso, pergunta a seguir o que é que Esparta tem a ver com votos religiosos, explicando en passant que não é crente em nada.
Não há resposta que faça sentido numa desconversa, é uma arma mais poderosa que qualquer metralhadora e muito mais económica.
Nem percebi ainda se gosto dela ou não; mas é certo que me desconcerta.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Umh...
Ainda não percebi se sou eu que estou doida ou é o mundo que está maluco. E esta dúvida acompanha-me já há algum tempo, essa é que é essa.
Agora, de repente, ocorreu-me que esta diferença é irrelevante. Que chatice, sempre gostei de pensar que eu era relevante. Até sou mas só para mim, que irrelevância...
Batatas, parece que esta dúvida nem fazia sentido, afinal. Uma dúvida tão acarinhada, francamente, não há justiça, anda uma rapariga a criar uma dúvida anos e anos e depois é isto. Não há justiça, pá.
Isto é só coisas que me ralam.
Há gente de quem gosto
Quero dizer de gentes de quem gosto.
Pessoas que não conheço em pessoa (que será que isto quer dizer, realmente?), só em alma ou virtual imagem, sabe-se lá mas eu prefiro alma. Até porque acho difícil projectar uma imagem consistente ao longo dos anos quando a consistência é construída, ao passo que a alma se revela até na forma como comentamos banalidades ao correr da pena.
Falam comigo em discurso directo. Discordo imensas vezes, até há algumas acesas discussões - poucas porque o meio e a cultura o desaconselham - mas há.
É estranho, malta que pela geografia e cultura nunca me baterá à porta mas com quem falo ao fim do dia.
Gente estranha, gente boa.
De repente tomo consciência do que acabei de dizer, "Gente estranha, gente boa" e vou mas é dormir, que daqui só sai asneira.
Meus irmãos, amigos, companheiros - presenciais, virtuais, imaginários, whatever, obrigada por tornarem a jornada menos solitária.
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