terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Se posso sonhar posso fazer


Batatas, batatas, batatas.

Eu a julgar que era uma rapariga de frases originais, articulações que ninguém ouviu antes mas que fazem sentido... Eu inventei - ouviram bem, inventei - a frase "se posso sonhar posso fazer".

Agora e de repente, sem saber como nem porquê, a TV diz-me que não. Que a frase é do Walt Disney e bem conhecida. Ou seja, a TV diz-me que além de plagiadora inconsciente, sou uma ignorante que julga que inventou uma coisa que é do domínio comum...

Haverá realmente alguma frase nova, à face da Terra? Ou já está tudo dito e de todas as maneiras possíveis? Só nos resta a deprimente repetição?

Não pode ser porque eu não aguento isso.

Hélas!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Paz


Tive um sonho lindo
Com estrelas e sóis
luzes coloridas
Uma voz dulcíssima
cantava sorrisos
suaves alegrias
Não via quem cantava
Mas sentia morna
acolhedora
a sua paz feliz

Acordei e soube
Se posso sonhar
posso fazer

Hélas!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

I'm blue


E nem sei porquê.

As festas sempre me alegraram, isto deve ser um trauma de velhice, rais parta o caruncho.

Hélas!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Natal


Como se justifica a nós próprios uma escolha que, seja ela qual for, é má para alguém?

Se escolhermos uma opção, a escolha magoa um. Mas se escolhermos a outra opção magoa outro…
Pura e simplesmente não há escapatória – saímos sempre a perder e vamos sempre magoar alguém de quem gostamos.

Esta é a dança impossível: devemos escolher o alguém de quem se gosta mais - para magoar o outro, de quem também gostamos mas menos.
Como raio se pode fazer uma escolha destas? Medir a coisa informe, pesar as gramas do bem etéreo?...

Mas é sempre feita a escolha - sei perfeitamente que, de forma activa ou passiva, a escolha é sempre feita e terá as consequências devidas.
Só um cobarde pensa que fazer nada não é escolher e eu sou muitas coisas mas não essa espécie de cobarde. Outras talvez mas não essa.

Este é um Natal onde não terei a prenda desejada: alguém que me dissesse “não te preocupes, eu tomo conta desse assunto, vai lá descansada ao teu Natal que ninguém sairá magoado” e fizesse isso mesmo.

Suponho que é apenas um azarito – há montanhas de gente que morre por não ter a água que precisa para beber. E eu tenho muita pena delas mas não apanho um avião para lá, com um carrego de água engarrafada.

A escolha está feita. Quem sabe, um dia perdoarei a mim própria por ela.

Hélas!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Pensamentos


Num mundo ideal, a compaixão seria desnecessária. A inteligência não.

Hélas!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Amor à borla


Nesta época de saldos e promoções, por favor aproveitem e sejam felizes nem que seja por uns minutos.

Já o disse antes e continuo teimosamente na minha: não me venham com conversas sobre amar quem nos ama, ajudar quem nos ajuda e pensar em quem pensa em nós: isso é natural, corriqueiro e o Natal não tem nada a ver com isso. Natal é amar sem juízo e ajudar de sorriso aberto e sem contas; é isso que significa "à borla".

Por isso, meus amigos e meus inimigos... Façam alguém que não o espera feliz - nem que seja só por um bocadinho.
Façam uma festa a um cão vadio.
Dêem um resto de comida a um gato desconfiado.
Façam sorrir uma criança, seja ela inocente ou não.
E sejam felizes também.

Não há nada que se compare ao amor à borla.

Helas!

domingo, 28 de novembro de 2010

Deserto


Estou seca, como já vai sendo costume ao Domingo.

Sem soluções, sem ideias, sem pensamentos, sem sonhos, sem planos, sem remorsos, sem futuro, sem passado... Sequinha como a lenha para a lareira.
Ao menos que arda bem, que aqueça alguém com frio.

???
Olha, afinal havia um pensamento perdido algures, que fixe.

Hélas!

sábado, 27 de novembro de 2010

Objectivo


Amo e sou amada.
Já escrevi um livro (quer dizer, tinham capa e folhas e houve gente que leu, portanto acho que contam), já plantei uma árvore (de fruto!) e já tive um filho (um calaceiro de coração de manteiga, intelecto honesto e espírito livre, a quem não hesito em entregar o futuro).

Já sonhei sonhos loucos e prosaicos. Também já ri e chorei, tanto com coisas próprias como com alheias. Já ajudei e já fui ajudada.

Mas acho, sempre achei, que o objectivo da vida humana é deixar o mundo um bocadinho (piquinininho...) melhor, pelo facto de termos passado por cá. Isso ainda não consegui.

Ora batatas, estou tão cansada e ainda tenho de esfolar tanto...

Hélas!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Choque


Morreu. Ou, mais precisamente, matou-se.

Eu não o conhecia bem, estive com ele em meia dúzia de reuniões. Circunspecto, algo fechado, mas a quem não era alheio um certo humor inglês muito ao meu gosto. Jovem (na minha idade quem tem menos de quarenta é jovem), com 2 catraios em idade escolar.

Quanta dor é necessária para uma pessoa não se lembrar do efeito dos seus actos nos seus filhos?
Quanto desespero é necessário para levar um adulto a não aguentar nem mais um minuto?
Quanta solidão é suficiente para que ninguém lhe trave o passo?

Uma colega dizia-me que "é assustador, hoje tudo nos leva a querer ser super-homens mas isso não existe fora da BD" e tinha razão, claro. Como tinha razão quem me disse que "para uma pessoa forte pode ser simplesmente impensável admitir uma derrota pessoal (e qualquer fragilidade é uma derrota pessoal para uma pessoa forte; significa simplesmente que não conseguiu)".

Foi um choque, confesso. Como disse antes, não o conhecia bem mas a imagem era de uma pessoa equilibrada, controlada. De certa maneira a imagem era verdadeira mas este tipo de controlo é discutível, não é?

E deixa-me a pensar, o facto do choque ser generalizado: nunca sabemos o que realmente se passa dentro da cabeça das pessoas. Num minuto trocam graçolas connosco, no seguinte deitam-se ao Metro.

Concordo com a minha colega: é assustador. E triste, também.

Hélas!

domingo, 21 de novembro de 2010

Velhice


Eu sempre disse que é tudo uma questão de prioridade.

O que não torna mais simples o problema, antes pelo contrário; as prioridades são voláteis e têm a ver com a maneira como - a todo o instante - avaliamos a realidade que nos rodeia e o valor que lhe damos. Se qualquer coisa absolutamente essencial para nós pode esperar 5 minutos, passa-lhe à frente naquela hora exacta uma outra coisa com muito menos importância mas que não pode esperar minuto nenhum.

Eu costumava reagir a isto instantaneamente. Computava tudo em milésimos de segundo e agia sem dúvidas. Suponho que fui muitas vezes de uma enorme injustiça e de uma enorme arrogância, tão convicta estava de que fazia o que era de facto correcto...

Agora já não consigo fazer isso. Estou permanentemente a pensar que se calhar não estou a ver bem a coisa, se calhar há um aspecto fundamental de que não me estou a dar conta... Se calhar, se agir assim estou a estragar tudo no assado. Se calhar, ao pensar nisto é o meu egoísmo que fala, se calhar ao fazer aquilo estou a desperdiçar um tempo inadiável, se calhar não vi o pôr-do-sol porque estava a lavar o chão da cozinha e amanhã o pôr-do-sol será diferente e o chão da cozinha vai estar sujo novamente.

Não sou mais feliz por já não ser capaz. Duvido que alguém seja mais feliz por eu já não ser capaz.

Não há dúvida que a velhice não traz sabedoria. O que a velhice traz, meus amigos, é a consciência que de que falhámos no que nunca julgámos falhar.
E isto é uma grande chatice.

Hélas!