sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Telepatia


O defeito da raça: tentar compreender o "lado de lá" (Nota: o lado de lá é a humanidade inteira. Eu não percebo bem isto mas olhem, sou apenas um resto de couve).

Sem ser empata (de empatia, maldosos morons!) ou telepata, isso implica falar, um enorme gasto de tempo, esforço, paciência, vontade e persistência.

Quando alguém se recusa a falar, alegando montes de boas razões como falta de tempo, de pachorra, de tédio, de cansaço, de estabilidade emocional, de desistência, fica-se na dúvida maldosa: aceita-se (yuuuuupiiiiii, férias!) ou não se aceita (que chatice, isto vai ser esforço para uns muito largos anos de esforço, de persistência, de adiamento da vontade de ir fazer xixi em momenos críticos...), é complicado, não é?

Mas olhem, muito mais complicado que isto tudo é quando quem não se recusa a falar não fala realmente. Antes debita em voz alta e com os olhos em alvo o discurso que o ajudou a suportar as tempestades da vida. Tipo mantra - hooooooooommmmmmmm...

Compreende-se. Mas cria dificuldades acrescidas na compreensão da realidade comezinha.

Devemos respeitar a dor real ou tentar enquadrá-la no vasto mundo, cheio de tantas (e tão diversas!) dores?
Devemos desmontar o óbvio (para quem está de fora) esquema de auto-preservação ou respeitar (quiçá apoiar) as tentativas de sobrevivência emocional?
Devemos desistir, com a confortável certeza de que ele/a sabe melhor e portanto podemos por a viola no saco e descansar?

Não sei. E porque raio, não sabendo, não se pode escolher a via mais cómoda?

Sofro da doença da raça: saber que o "lado de lá" não é o "lado de cá". Ora batatas.

Hélas!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval

== Acorro prestes às necessárias correcções ortográficas. Caramba, que estou a ficar mesmo iletrada! O que me vale são as carolas que me avisam que meti a pata na poça, obrigada! ==
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Hoje é dia de carnaval. É dia de nos mascararmos de quem não somos e rir da nossa própria figura... É dia de troça e, como sempre quando troçamos de nós mesmos, de saúde mental.
Risonha, como deve ser toda a saúde, senão nem vale a pena ser saudável!

Não para todos, claro - há empresas que não admitem um dia de rir à pala de não produzir nada. Paciência, há sempre malta mal-humorada.

Para mim (deram-me o dia!), que sempre detestei máscaras, é dia de não fazer nenhum. De me levantar da cama mais tarde. De andar pela casa a resmungar e a tossir, mudar coisas daqui para ali, tossir e resmungar, mudar coisas dali para aqui, resmungar e tossir outra vez, olhar pela janela e resmungar "que porcaria de dia", tossir mais uma vez para que conste, voltar a resmungar com a contingência da vida e antes que a tosse me impeça...

Será isto uma máscara também?


Hélas!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As sete magníficas

[porque a Bli não gosta de frango assado]

Sete saias de filó,
Sete amigas de lua,
Sete sombras no pó,
Sete rastos na rua.

Sete risos d'alegria,
Sete gestos de carinho,
Sete tons de melodia,
Sete rumos no caminho.

Sete mouras encantadas,
Sete tipos de ilusão,
Sete largas passadas,
Sete fontes de perdão.

Sete faias no pomar,
Sete maçãs na mó,
Sete barcas no mar
Sete vidas numa só.

Hélas!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ah! Pois é...


Estou novamente a permitir que a voracidade do tempo me devore a necessidade de tempo.

Rais parta isto, tantos anos e não aprendo. Alguém me cole um post-it na testa!

Hélas!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Religião e moral


Nunca percebi muito bem a coisa, devo dizer. Nem no meu íntimo e a respeito de mim própria.

No outro dia, disse a alguém cristão que o que uma pessoa sinceramente crente devia desejar é que o seu bebé morresse serenamente no sono - a criança passaria directamente ao paraíso sem passar pela casa "Partida" e sem sofrer as agruras da vida (atenção que não estou a falar em matar o bebé, que seria um acto contrário a outros princípios cristãos).

É claro que os pais teriam um grande desgosto mas não é isto o amor cristão? Ignorar a nossa mágoa para que outro seja feliz? Na realidade, perorei eu, o que nos faz lutar assanhadamente pela vida de alguém é o nosso egoísmo, se fossemos realmente cristãos gostaríamos de ver a alma partir de encontro a Deus, com quem seria mais feliz que neste vale de lágrimas. Mas como somos egoístas, olhamos primeiro para o nosso umbigo e para o facto de gostarmos de o ter por cá ou não suportarmos a dor de não fazer nada, seja qual for o sofrimento que lhe estamos a comprar com isso.

Bem, quase me cuspiram num olho e de certezinha que passei à categoria de monstro se já lá não estava.

As minhas dúvidas mantêm-se: como é que um crente sincero, se for honesto consigo próprio, pode defender o seu próprio egoísmo? Isso não o devia fazer sair a correr para a igreja a pedir perdão? Ou a sua crença serve apenas e egoisticamente para o ajudar a superar os seus próprios maus momentos? E nesse caso, como raio pode sinceramente continuar a considerar-se honesto?

Eu acho que até percebia se me dissessem "olha, eu sou pecador, isto é o melhor que consigo mas todos os dias tento ultrapassar o meu egoísmo, todos os dias tento não me por a mim próprio em primeiro lugar, todos os dias peço a Deus forças para me esquecer e às minhas dores e conseguir por o bem do outro em primeiro lugar".

Mas não me dizem isto, cospem-me num olho e ficam zangados comigo.

Não percebo, a sério que não.

Hélas!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O segundo ímpar


Um dia pediram-me para explicar a relação entre o segundo ímpar e a coisinha das mulheres (sic. Foram estes os exactos termos da encomenda).

Sabendo perfeitamente que não é o meu género, agradeciam-me (a mim, que não tenho espírito de humor?!?) uma diatribe explicativa do porquê de dizer na mercearia "eu tenho aqui os três - escudos, euros ou pepinos" e todos desatarem a rir que nem uns alarves.

Dediquei algum tempo a estas questões (sim, são duas, vocês não estão com atenção?) e cheguei às seguintes conclusões brilhantes:

1º - O pedido foi para me provocar e embaraçar. Não sabem que já nada me embaraça e o que me provoca não tem nada a ver com isto, anda tão, mas tão, longe... Da intenção por trás da intenção, penso que era boa, do tipo vamos lá sacudir a couve que está cheia de lagartas e este assunto até é engraçado. Portanto, surtiu efeito embora por razões que nunca foram suspeitadas.

2 - A razão porque se riem desbragadamente as pessoas é um escape psicológico a uma tecla demasiadamente sensível. A evolução sexual da nossa sociedade é um embuste; os machos continuam inconscientemente agarrados à miragem da fêmea pura de outros genes que não os deles e as fêmeas continuam a considerar que quem tem vários machos é incompetente e não soube escolher o macho certo.

Estou impressionada comigo própria. Das duas, uma: ou vou tirar um curso de psicologia ou vou ter aulas com a Maya. Este talento não se devia desperdiçar, não acham?!

Hélas!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Cristianidades


Não adianta nada pregar; quem já é assim, assim continua sem pregação; quem não é, também não passa a ser depois do discurso. Digo isto a mim própria até à exaustão mas continuo tão burra como antes, não aprendo.
Tenho a mania que tenho o dom da Palavra, é o que é. Uma parvajola, como diria alguém que amo e já cá não mora.

Fica-me o consolo de não haver absolutamente nada que eu não seja capaz de discutir friamente, nem que seja para admitir que não consigo falar racionalmente no assunto...

No meio disto tudo, deixo uma pergunta que me apoquenta: como diabos um cristão honesto pode acalentar rancores? Porque é que este facto não o impede de se considerar um cristão honesto, se em tudo o mais é uma pessoa honesta?

Tenho de perguntar ao Bagão, se calhar ele sabe.


Hélas!

sábado, 30 de janeiro de 2010

A contingência da Vida


(Bla, bla, bla, bla...)

Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

[Vinicius de Moraes]

Nunca a realidade foi dita de forma tão simples e concisa; não há hipótese de amanhã ser Sábado outra vez.

Isso chateia-me, confesso.

Hélas!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Stress


Tudo o que estava por fazer anteontem e ficou para fazer ontem, ontem não consegui e ficaram para hoje. Hoje não tive tempo, de modo que ficaram para amanhã, juntamente com algumas de ontem e de hoje, que sobraram dos respectivos dias.

Às vezes - normalmente quando estou na casota (nunca quando me deito, que isto é por a cabeça no travesseiro e pimba! Olá, Morpheu, como passaste desde ontem?) - o actual ritmo da vida preocupa-me.

Fico sem saber se sou eu que não consigo acompanhar o mundo e preciso de vitaminas e speeds para ultrapassar as minhas limitações e acompanhar o ritmo normal da vida ou se é o mundo que endoidou e eu, sabe-se lá porquê, fiquei de fora do acerto biológico (se calhar estava distraída na altura em que puseram o relógio do Universo em overclock, nem dei por nenhuma fila nem nada, sempre a mesma aluada, rais parta isto).

Filosofias à parte, fica-me a dúvida torturante: devo ir para a escola de chinês ou não?!? Terão cursos com uma aula semanal ao Sabamingo? Os sites nunca são explícitos, grandes malandros.

Hélas!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Haiti, pobre ice tea...


Isto é uma vergonha, queremos adoptar haitianos, já!

Aqueles palermas, com o país destruído e totalmente dependente da ajuda externa, vejam bem, aqueles desgraçados sem eira nem beira, a morrer de fome e sede e lixo e mortos, aqueles tipos que nem sabem bem quantos morreram e quantos estão feridos, quem são os desaparecidos e quem são os vivos sem poder falar, vejam bem, aqueles malandros mal agradecidos não querem doar as suas crianças.

A gente para aqui cheia de pena deles e eles não querem retribuir, não querem dar as crianças à nossa malta, toda disposta a adoptar haitianos da mesma maneira que adopta cães, com muito amor, todos os sábados vamos ao jardim.

Malandros, a morrer de tudo e não querem dar as crianças coitadinhas, que estariam tão melhor connosco, civilizados e ricos, que com eles, pobres e dependentes.

Bando de mal-agradecidos, essa gente não é de fiar. Devíamos repensar a ajuda, eles não querem retribuir, isto assim não é justo, a gente dá-lhes tudo e eles não querem dar as crianças.

Hélas!