domingo, 31 de janeiro de 2010

Cristianidades


Não adianta nada pregar; quem já é assim, assim continua sem pregação; quem não é, também não passa a ser depois do discurso. Digo isto a mim própria até à exaustão mas continuo tão burra como antes, não aprendo.
Tenho a mania que tenho o dom da Palavra, é o que é. Uma parvajola, como diria alguém que amo e já cá não mora.

Fica-me o consolo de não haver absolutamente nada que eu não seja capaz de discutir friamente, nem que seja para admitir que não consigo falar racionalmente no assunto...

No meio disto tudo, deixo uma pergunta que me apoquenta: como diabos um cristão honesto pode acalentar rancores? Porque é que este facto não o impede de se considerar um cristão honesto, se em tudo o mais é uma pessoa honesta?

Tenho de perguntar ao Bagão, se calhar ele sabe.


Hélas!

sábado, 30 de janeiro de 2010

A contingência da Vida


(Bla, bla, bla, bla...)

Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

[Vinicius de Moraes]

Nunca a realidade foi dita de forma tão simples e concisa; não há hipótese de amanhã ser Sábado outra vez.

Isso chateia-me, confesso.

Hélas!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Stress


Tudo o que estava por fazer anteontem e ficou para fazer ontem, ontem não consegui e ficaram para hoje. Hoje não tive tempo, de modo que ficaram para amanhã, juntamente com algumas de ontem e de hoje, que sobraram dos respectivos dias.

Às vezes - normalmente quando estou na casota (nunca quando me deito, que isto é por a cabeça no travesseiro e pimba! Olá, Morpheu, como passaste desde ontem?) - o actual ritmo da vida preocupa-me.

Fico sem saber se sou eu que não consigo acompanhar o mundo e preciso de vitaminas e speeds para ultrapassar as minhas limitações e acompanhar o ritmo normal da vida ou se é o mundo que endoidou e eu, sabe-se lá porquê, fiquei de fora do acerto biológico (se calhar estava distraída na altura em que puseram o relógio do Universo em overclock, nem dei por nenhuma fila nem nada, sempre a mesma aluada, rais parta isto).

Filosofias à parte, fica-me a dúvida torturante: devo ir para a escola de chinês ou não?!? Terão cursos com uma aula semanal ao Sabamingo? Os sites nunca são explícitos, grandes malandros.

Hélas!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Haiti, pobre ice tea...


Isto é uma vergonha, queremos adoptar haitianos, já!

Aqueles palermas, com o país destruído e totalmente dependente da ajuda externa, vejam bem, aqueles desgraçados sem eira nem beira, a morrer de fome e sede e lixo e mortos, aqueles tipos que nem sabem bem quantos morreram e quantos estão feridos, quem são os desaparecidos e quem são os vivos sem poder falar, vejam bem, aqueles malandros mal agradecidos não querem doar as suas crianças.

A gente para aqui cheia de pena deles e eles não querem retribuir, não querem dar as crianças à nossa malta, toda disposta a adoptar haitianos da mesma maneira que adopta cães, com muito amor, todos os sábados vamos ao jardim.

Malandros, a morrer de tudo e não querem dar as crianças coitadinhas, que estariam tão melhor connosco, civilizados e ricos, que com eles, pobres e dependentes.

Bando de mal-agradecidos, essa gente não é de fiar. Devíamos repensar a ajuda, eles não querem retribuir, isto assim não é justo, a gente dá-lhes tudo e eles não querem dar as crianças.

Hélas!

sábado, 23 de janeiro de 2010

As sete

[Para Blimunda, a certeira]

Todas as sete magníficas
Comem o frango corado
Com 7 características
a ferver no bom assado:

7 sorrisos sinceros
7 selos de amizade
7 tipos de exageros
7 laivos de vaidade
7 segredos austeros
7 leis de lealdade
7 princípios severos

Com o frango comido
E todas as 7 serenas
É concreto o olvido
E reais as quarentenas

Hélas!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Raiva

[Para a Saphou, implorando indulgência: eu não sou poeta]

Sobe a fúria poderosa
Incendeia o espírito
Quer destruição furiosa
Do especial delito

A raiva borbulha, insana
Não vê caras ou corações
Mas importante e tirana
Vê bem as suas razões

A raiva é muito vermelha
Cor do sangue a derramar
Tantas vezes a centelha
Do que não se pode amar

A sanha dá vida, energia
O ódio é tão poderoso
E é tão linda a melodia
De se ser tão virtuoso

Fúria! Batalha! Morte!
Sangue! Medo! Acção!
A Vida de um gesto forte
A semear destruição!

E escondida no restolho
A voz suave como um prego:
Se for sempre olho por olho
Acaba todo o mundo cego.


Hélas!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poesia


Poesia é tudo porque poesia não é uma coisa, é a maneira de olhar a coisa. Podem ser pedras, batatas ou flores, não tem qualquer importância o objecto - mas a carola que o vê, ah! essa carola...

Ser poeta é ser capaz de mostrar qualquer coisa a 5 dimensões (ver a 5 dimensões toda a gente faz). As 3 do costume, mais o tempo, mais os humores - é muita dimensão para mostrar, só alguns o conseguem com palavras abstractas.

Eu gosto de poesia: de vez em quando tropeço numas palavras que - palavra de honra - poderiam ter sido escritas por mim para explicar isto ou aquilo, coisas e sentimentos muito especiais, muito meus. É magia pura.

Hélas!

Preguiça


Bem dizia a minha amiga que o melhor era não ir ver - mas eu sou mula, fui na mesma e agora estou horrorizada.

A 16 de Janeiro (já passou metade do mês) foram aqui publicados 6 (seis) artigos. Dá, mais coisa menos coisa, 1 artigo a cada 3 dias, uma distância abismal do objectivo geral de publicar uma vez ao dia.

Não é aceitável dizer, 2 em cada 3 vezes: "desculpe mas estamos em ruptura de stock. Pode encomendar que depois de amanhã já cá canta". Sinceramente, pareço o Obama, só que sou bem mais velha, já não cola.

Batatas - ou tomo vitaminas ou fecho a loja, isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

24 horas


Isto já vem tarde, bem sei.
Mas anda a corroer-me a moleirinha desde ontem, vou vomitar e pronto.

Em 24 horas, o mundo não foi capaz de responder de forma decente. 24 horas! Quanta gente morre em 24 horas, mesmo sendo o Homem mais resistente que a mais resistente erva daninha?!?

Ir e vir ao outro lado do mundo demora menos que 24 horas. Venham-me cá com histórias de aldeia global.

Hélas!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sonho


As letras são palavras divorciadas,
São sobras de sonhos desfeitos.
As letras são partes separadas
de inteiros outrora perfeitos.

Hélas!