sábado, 16 de janeiro de 2010

Preguiça


Bem dizia a minha amiga que o melhor era não ir ver - mas eu sou mula, fui na mesma e agora estou horrorizada.

A 16 de Janeiro (já passou metade do mês) foram aqui publicados 6 (seis) artigos. Dá, mais coisa menos coisa, 1 artigo a cada 3 dias, uma distância abismal do objectivo geral de publicar uma vez ao dia.

Não é aceitável dizer, 2 em cada 3 vezes: "desculpe mas estamos em ruptura de stock. Pode encomendar que depois de amanhã já cá canta". Sinceramente, pareço o Obama, só que sou bem mais velha, já não cola.

Batatas - ou tomo vitaminas ou fecho a loja, isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

24 horas


Isto já vem tarde, bem sei.
Mas anda a corroer-me a moleirinha desde ontem, vou vomitar e pronto.

Em 24 horas, o mundo não foi capaz de responder de forma decente. 24 horas! Quanta gente morre em 24 horas, mesmo sendo o Homem mais resistente que a mais resistente erva daninha?!?

Ir e vir ao outro lado do mundo demora menos que 24 horas. Venham-me cá com histórias de aldeia global.

Hélas!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sonho


As letras são palavras divorciadas,
São sobras de sonhos desfeitos.
As letras são partes separadas
de inteiros outrora perfeitos.

Hélas!

sábado, 9 de janeiro de 2010

O País bondoso


O Garcia Pereira estava muito chateado com a TAP, porque não deu prémios às suas grávidas. Francamente, não percebo porquê. Devia dar? Equiparar as ditas aos seus trabalhadores mais produtivos e esforçados tendo elas trabalhado bastante menos?

Já oiço o coro de protestos: "Mas estão grávidas, pá!"; "Tem de se apoiar a gravidez, palerma"; "Ó parvalhona, o País precisa de crianças!".

Concordo com tudo. A gravidez deve ser apoiada, a mulher não devia ser financeiramente penalizada por dar ao mundo uma criança e o país precisa de futuro.
Só não concordo que os custos de todas estas coisas tão boas devam ser suportadas pelas empresas.

Se é bom para o País, o País que pague. Que seja o Estado a pagar os meses de ausência por licença parental e os prémios que não foram ganhos por razões de gravidez.

É como as rendas de casa congeladas: sim, concordo que os mais pobres também têm direito a uma casa mas discordo liminarmente que essa benesse deva ser suportada pelo senhorio.

Liberem o mercado e o Estado (sim, todos nós, com os nossos impostos) que pague ao senhorio aquilo que o pobre não pode pagar. Talvez se evitassem as centenas de casos de pessoal com belíssimos ordenados e que pagam 50€ de renda da casa de 7 divisões no centro de Lisboa, apenas porque já lá moram há 30 anos...

Ou as centenas de senhorios que não têm dinheiro para as obras e vêem as suas casas a degradarem-se todos os dias.

Pode ser-se pobre e ter casas em Portugal - este país é dado a paradoxos, toda a gente sabe.

Informo desde já que não sou pobre, não tenho casas alugadas, não estou grávida nem nunca estive de licença parental. Também não sou nem fui empresária, nunca paguei os custos acima referidos.

Na verdade, não tenho qualquer interesse pessoal em nenhum dos assuntos deste artigo e até simpatizo com o Garcia Pereira e as suas lutas.

Apenas me irrita esta mania de considerar que as empresas (visam o lucro, as malvadas) e alguns particulares (têm bens, são maus) é que devem pagar por aquilo que todo um País quer.

Se todo o País quer, todo o País pague.

Hélas!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Encontro


Alguém me explique por favor como se eu fosse muito loura, tivesse 4 anos e fosse atrasada mental, porque diacho foi Manoel de Oliveira escolhido para discursar no encontro do Papa Bento XVI com o mundo português da cultura.

Parece haver gente convencida que "o encontro entre o cineasta e o Papa será uma das imagens marcantes da visita de Bento XVI a Portugal". Dizem ainda que "O encontro do Papa com artistas, académicos e investigadores é o último acto da presença de Bento XVI em Lisboa". *
Nem percebo bem quem é que está a morrer: será o Papa, a Cultura, o Ensino ou a Investigação, em Portugal? Porque, como é claro para tanta gente (onde não estou incluída, deve ser preconceito ou racismo), é tudo fruta da mesma cesta.

Claro que tem de haver discurso, é impensável o Papa vir a Portugal sem haver discurso. Mas não percebo que é que tem o Manoel que o La Feria não tenha mais, além que deve ser mais fluente em discursos.
É claro que o nome não ajuda, nem parece português nem nada mas Manoel, cá para mim, é demasiada condescendência com o proverbial conservadorismo clerical romano.

Se calhar é apenas para se poder dormir em sossego durante o discurso, são velhotes e têm de descansar de vez em quando. O La Feria ou outro assim dinâmico ainda lhes dava um ataque cardíaco e depois era o cabo dos trabalhos - afinal, se calhar foi bem escolhido.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!


* [As citações entre aspas são retiradas do Jornal Público]

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O eterno presumido inocente


Voltou para o BCP.

Armando Vara “não vai trabalhar para o banco, mas sim para empresas participadas pelo banco”, revelou ao PÚBLICO fonte oficial do BCP" (suponho que terá afirmado isto tudo com um ar sério e cândido). "(...) irá continuar a receber o salário bruto mensal de trinta mil euros que tinha enquanto administrador."*

Este país onde vim cair é, no mínimo, estranho. Uma notícia destas é publicada e nada acontece... O homem lá fica, feliz com o seu ordenado de administrador embora "não trabalhe" para o Banco.

Aparentemente, os clientes dão tanta importância à sua face oculta como deram aos fundos da PRP, isto é, nenhuma. Presumido inocente até ser condenado, certo? Já agora, mais vale ser inocente com um ordenado chorudo que culpado e sem ordenado nenhum, diria um velho amigo se ainda por cá andasse.

Hélas!


*[Público]

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Inutilidades


Liguem a tv. Escolham um canal que esteja a transmitir música de orquestra, de preferência uma música de que gostem - pode ser da idade mas eu gosto mais das antigas, neste momento estou na RTP1 a ouvir Strauss (o Johann).

Reparem nos instrumentos. São estranhos.

Os de sopro, são cheios de refegos, pontas, patilhas... Uma confusão. Os de cordas não lhes ficam atrás. Os de percussão são aparentemente mais simples mas suspeito que é só a aparência. Depois há umas coisas esquisitas que soam como pássaros ou rãs.

Quanto tempo, engenho e arte para os inventar!
Quanto tempo, engenho e arte para os tocar!
Quanto tempo, engenho e arte para compor estas complexas melodias que os usam!

Para quê? Para fazer música, uma coisa que não serve para nada útil, no sentido comum do termo. E incentiva a inutilidade, pois certamente estão montes de pessoas a ouvir isto, esparramadas no sofá como eu. Em vez de estarem a fazer alguma coisa útil, estão a inutilar, esparramadas a ouvir música.

Não se compreende porque é que tanta gente se deu a uma trabalheira incrível para que outras fiquem assim, a inutilar.

Hélas!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Espanto


Já repararam que os dias são englobantes, enquanto as horas são pontuais?
A malta pergunta ao tipo do lado: "que dia é hoje?"
E o gajo responde (se for bem educado, claro. Se não manda-nos a um sítio onde não queremos ir mas adiante...):

- 29 de Dezembro.

A resposta é a mesma, quer sejam 10:00, 15:00 ou 23:00. Qualquer hora entre as 0:00 e as 23:59:59 tem a mesma resposta - depois disso há uns engraçadinhos que acham graça à exactidão.
Mas experimentem logo de seguida perguntar também as horas (até porque o tipo é bem educado e responde):

- São 3 e meia.

E pronto.

É o mesmo dia das 0:00 às 23:59, mas a hora varia muito dentro dela própria. Só é bem definida enquanto o ponteiro dos minutos está entre as 12:00 e as 12:03. Depois disso, é à vontade do respondedor:

- São dez e dez (10:09)
- Já passa das 10 e um quarto (10:16)
- São quase 10 e meia (10:26)

E por aí adiante. Ao Dia dão tudo mas à Hora nem um bocadinho lhe dão de borla, começam logo a cobrar...

Hélas!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Fingimentos


Aguiar-Branco acusou o primeiro-ministro de “fingir que vive num país que não é o nosso”. Ora batatas, então queria que fingisse que vive no nosso país? O homem ainda apanhava uma depressão.

Se querem um presente original ofereçam um bacio; agora uma depressão, isso não se faz. Talvez pelo aniversário, mas pelo Natal?!? Francamente, há malta com muito pouco respeito pelo Natal.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Liberdade


Sempre foi o meu bem mais precioso; mas às vezes temos de ofertar o que nos é mais precioso.

Pasmo com a minha sorte.

Partilhando o Tempo com outros, esta decisão é difícil pois o que damos a uns sonegamos a outros, quiçá mais merecedores... Mas nunca esta falta me foi cobrada, antes pelo contrário - sou frequentemente ajudada nas prestações diárias.

Há malta com sorte, não há?!?

Hélas!