terça-feira, 15 de dezembro de 2009

É Natal...


Muito triste com o facto, tenho de confessar que nunca vi como o Natal para acender intensos os traços mais básicos e bestiais da humanidade.

Nisto como outras coisas, tento borrifar-me para o assunto. O que interessa é o que se é, hoje e agora, neste Natal de 2009.
Não tem qualquer relevância - desculpas de coitadinho, na verdade - o que se poderia ser se a mãezinha não fumasse, o paizinho não andasse atrás de pin-ups, os irmãos não fossem umas bestas, os tios, primos e afins uma gente que nunca nos ligou nenhuma e nós coitados, uns heróis desconhecidos que só por os outros serem umas bestas é que não somos aclamados como Heróis da Cantareira...

Não me interessa: aqui e agora, o que serás tu (eu) capaz de fazer por alguém que não tu (eu) próprio, mereça ou não na tua (minha) paupérrima escala de valores, apenas e só porque é Natal, a festa do amor à borla?!?

Ai de mi...

Hélas!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Que raio de coisa!


Isto já me começa a irritar.

Há alguém que saiba onde se pode comprar em Lisboa um pinheirinho natural, coisa para pouco mais de 1 m, de preferência oriundo da limpeza de Monsanto ou qualquer outra mata charmosa?!?

Eu tenho uma embirração invencível aos de plástico (não tenho culpa nenhuma, deve ser trauma de infância) e não posso usar isso no Natal.

Agora só me aparecem umas coisas a que chamam pinheiros mas não são - são umas árvores anoréticas com uns paus espetados a que chamam ramos e que podem ser belas numa floresta nórdica mas não têm nada a ver com o meu Natal.

Queeeeeeeeeeeero um pinheiriiiiiiiiiiiiiiiinho!

Hélas!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Espanto


Jovem, espectante,
Certa de que viria
O amanhã brilhante
Da vida que sorria.

O tempo passa, morno,
Ela crente e parada,
Sem alegria ou adorno
Nem dá pela cilada.

Já velha e desdentada,
Continua à espera
Não se apercebe coitada
Que é cega à primavera.

Repousa agora espantada.

Hélas!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Desculpem, mas...


Estou tão cansada!

Há dias em que verifico que já disse tudo, daqui para a frente são só repetições. E não há nada tão chato como fotos velhas...

Caramba, ao menos podia encontrar parábolas novas mesmo que a lição a tirar fosse a mesma.

Tenho mesmo de voltar para a escola - é essencial ter gente que retruque "e porquê?!?" quando a malta perora, é essencial ter gente que olhe para nós espantada, quando perguntamos "e isso que é?..."

Hélas!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Filosofias


O gatito olhou para mim com ar interrogativo. Eu respondi-lhe:

- Desculpa, não sei.

Será que se soubesse seria mais feliz? Duvido, o que nos faz felizes não é a sabedoria que aliás, nesse capítulo, só desajuda.

Pensando bem se calhar até ajudei o bicho, mantendo-o na ignorância. Olha que bom!

Pena é que o meu egoísmo não me deixe fazer o mesmo com todas as coisas que sei e as pessoas que, às vezes, nem mo perguntam...

Hélas!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Publicidade enganosa


Durante anos e anos venderam-me a ideia de que à medida que o tempo passa por nós precisamos de dormir menos. Aqui a totó de serviço comprou a coisa; e ficou à espera da tal idade em que já não é necessário dormir tanto.

Mas sabem? Acho que era publicidade enganosa. Estou à espera há anos e tenho tanto sono como antes.

Rais parta o marketing .

Hélas!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Discussões


Ora bem, hoje voltei a ter uma grande discussão com o meu vizinho do cimo das escadas.

Diz-me ele (vejam bem o contra-senso!) que eu devia confiar mais no meu primeiro instinto.
Claro que eu respondi que a Razão pode não ser imediata pois muitas vezes é atropelada pelos sentimentos, crianças mal-educadas e sem maneiras mas com uma vitalidade e força imbatíveis; apesar disso, a Razão é sempre mais... razoável. Realista. Sensata. Ponderada. Construtiva. Confiável. E sim, Humana.

Não é que aquela aventesma olha para mim e desata a rir-se? E entre as gargalhadas me chama nomes, tipo xoné, marciana e ingénua?...

Mas vocês não acham isto um desaforo?!? Afinal é ele que mora no piso de cima, devia desancar-me com a superioridade da caixa craniana enquanto eu me encolhia a murmurar a delicada subtileza das razões sentimentais de um coração sensível...

Ainda por cima... Ingénua, eu? Acho que até fiquei vermelha da fúria, as tais crianças impetuosas a quererem sair pela boca fora e eu a tapar a dita com a mão para dar tempo à Razão de se impor... Escusado será dizer que ver o gajo agarrado à barriga e a chorar de rir, não ajudava nada; a Razão, não sei porquê, é um bocado tímida face ao riso desalmado.

Ri-se sempre de mim, aquele mafarrico.
Mas um dia hei-de rir eu dele, olá se hei-de! Nem que seja em outra encarnação.

Hélas!

sábado, 28 de novembro de 2009

Dói-dói


Hoje dói-me tudo.

O que disse e o que não disse. O que me disseram e o que não me disseram. O que pensei e o que julgo que outros pensaram.

Dói-me não conseguir comunicar o que penso e não compreender o que me dizem.
Dói-me não conseguir traçar a linha concreta entre aquilo que sou capaz mas não me dá jeito e aquilo que realmente não sou capaz por muito que me esforce.
Dói-me não ser capaz nem de abdicar do que quero nem de fazer o que é necessário ser feito para ter aquilo que quero.
Dói-me o mundo e a minha existência nele.

Há dias em que a minha vontade é deitar toda a gente fora, à excepção dos que fazem parte de mim. Claro que depois ficava uma couve sem interesse até para esses mas que interessa?!? Eu seria mais feliz ou, pelo menos, menos incomodada; eles que se tramem, já que gostam de mim.
Depois lembro-me que este tipo de dependência dá sempre asneira e lá voltamos ao mesmo.

Dói-me nunca haver repouso, dói-me que o sossego que me apetece seja morto, podre. Dói-me saber que a vida saudável nunca tem sossego mesmo sabendo também que há felicidade nesse carrocel... Dói-me e não me adianta nada saber que só aos mortos não doi.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Alma minha, gentil...


Depois de deitar a alma cá para fora, reparei que não era dia 11.

Ando sempre com os tempos trocados, que chatice.
E estou com demasiado sono para traduzier poesia em prosa, que velhice.
Além do mais,falha-me a diplomacia, que tontice.
E estou sem pachorra para inventar outra coisa, que azelhice.

Só coisas que me ralam!

Hélas!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A idade não perdoa


Olhei para o telemóvel e tinha lá 2 chamadas não atendidas.

Note-se que sou daquelas que nunca desliga o telemóvel nem de noite nem de dia, dorme com o dito na mesa-de-cabeceira (é o despertador, coisa horrorenda), põe em silêncio com vibração quando está em reunião e atende sempre, sempre! Mesmo que seja para dizer que depois telefona.

Ó pitosgas, conhecem aquela distância em que nem com lunetas nem sem elas se vê nada decente? Pois, eu também, cada vez mais.

E hoje cheguei à conclusão de que ainda por cima, me ando a esquecer de coisas, tipo convocar ontem uma reunião importante para amanhã - ficou para depois de amanhã, que hei-de eu fazer?!?

Ora batatas: cegueta, surda e xoné, cada vez mais percebo o desespero dos velhos.

Hélas!