segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Filosofias


O gatito olhou para mim com ar interrogativo. Eu respondi-lhe:

- Desculpa, não sei.

Será que se soubesse seria mais feliz? Duvido, o que nos faz felizes não é a sabedoria que aliás, nesse capítulo, só desajuda.

Pensando bem se calhar até ajudei o bicho, mantendo-o na ignorância. Olha que bom!

Pena é que o meu egoísmo não me deixe fazer o mesmo com todas as coisas que sei e as pessoas que, às vezes, nem mo perguntam...

Hélas!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Publicidade enganosa


Durante anos e anos venderam-me a ideia de que à medida que o tempo passa por nós precisamos de dormir menos. Aqui a totó de serviço comprou a coisa; e ficou à espera da tal idade em que já não é necessário dormir tanto.

Mas sabem? Acho que era publicidade enganosa. Estou à espera há anos e tenho tanto sono como antes.

Rais parta o marketing .

Hélas!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Discussões


Ora bem, hoje voltei a ter uma grande discussão com o meu vizinho do cimo das escadas.

Diz-me ele (vejam bem o contra-senso!) que eu devia confiar mais no meu primeiro instinto.
Claro que eu respondi que a Razão pode não ser imediata pois muitas vezes é atropelada pelos sentimentos, crianças mal-educadas e sem maneiras mas com uma vitalidade e força imbatíveis; apesar disso, a Razão é sempre mais... razoável. Realista. Sensata. Ponderada. Construtiva. Confiável. E sim, Humana.

Não é que aquela aventesma olha para mim e desata a rir-se? E entre as gargalhadas me chama nomes, tipo xoné, marciana e ingénua?...

Mas vocês não acham isto um desaforo?!? Afinal é ele que mora no piso de cima, devia desancar-me com a superioridade da caixa craniana enquanto eu me encolhia a murmurar a delicada subtileza das razões sentimentais de um coração sensível...

Ainda por cima... Ingénua, eu? Acho que até fiquei vermelha da fúria, as tais crianças impetuosas a quererem sair pela boca fora e eu a tapar a dita com a mão para dar tempo à Razão de se impor... Escusado será dizer que ver o gajo agarrado à barriga e a chorar de rir, não ajudava nada; a Razão, não sei porquê, é um bocado tímida face ao riso desalmado.

Ri-se sempre de mim, aquele mafarrico.
Mas um dia hei-de rir eu dele, olá se hei-de! Nem que seja em outra encarnação.

Hélas!

sábado, 28 de novembro de 2009

Dói-dói


Hoje dói-me tudo.

O que disse e o que não disse. O que me disseram e o que não me disseram. O que pensei e o que julgo que outros pensaram.

Dói-me não conseguir comunicar o que penso e não compreender o que me dizem.
Dói-me não conseguir traçar a linha concreta entre aquilo que sou capaz mas não me dá jeito e aquilo que realmente não sou capaz por muito que me esforce.
Dói-me não ser capaz nem de abdicar do que quero nem de fazer o que é necessário ser feito para ter aquilo que quero.
Dói-me o mundo e a minha existência nele.

Há dias em que a minha vontade é deitar toda a gente fora, à excepção dos que fazem parte de mim. Claro que depois ficava uma couve sem interesse até para esses mas que interessa?!? Eu seria mais feliz ou, pelo menos, menos incomodada; eles que se tramem, já que gostam de mim.
Depois lembro-me que este tipo de dependência dá sempre asneira e lá voltamos ao mesmo.

Dói-me nunca haver repouso, dói-me que o sossego que me apetece seja morto, podre. Dói-me saber que a vida saudável nunca tem sossego mesmo sabendo também que há felicidade nesse carrocel... Dói-me e não me adianta nada saber que só aos mortos não doi.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Alma minha, gentil...


Depois de deitar a alma cá para fora, reparei que não era dia 11.

Ando sempre com os tempos trocados, que chatice.
E estou com demasiado sono para traduzier poesia em prosa, que velhice.
Além do mais,falha-me a diplomacia, que tontice.
E estou sem pachorra para inventar outra coisa, que azelhice.

Só coisas que me ralam!

Hélas!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A idade não perdoa


Olhei para o telemóvel e tinha lá 2 chamadas não atendidas.

Note-se que sou daquelas que nunca desliga o telemóvel nem de noite nem de dia, dorme com o dito na mesa-de-cabeceira (é o despertador, coisa horrorenda), põe em silêncio com vibração quando está em reunião e atende sempre, sempre! Mesmo que seja para dizer que depois telefona.

Ó pitosgas, conhecem aquela distância em que nem com lunetas nem sem elas se vê nada decente? Pois, eu também, cada vez mais.

E hoje cheguei à conclusão de que ainda por cima, me ando a esquecer de coisas, tipo convocar ontem uma reunião importante para amanhã - ficou para depois de amanhã, que hei-de eu fazer?!?

Ora batatas: cegueta, surda e xoné, cada vez mais percebo o desespero dos velhos.

Hélas!

domingo, 22 de novembro de 2009

Hora, minuto, segundo...


Passei esta semana inteira numa luta contra o tempo e este fds foi um sprint, passei o sábado e o domingo a olhar para o relógio para ver se ainda tinha tempo de fazer isto ou aquilo ou se a respectiva tasca já tinha fechado a loja...
Imaginem que até me levantei cedo e tudo, ao fim de semana isto é um crime de lesa-majestade para a minha real natureza noctívaga.

Não estou triste com o resultado – podia certamente ser melhor mas também podia ser muito (mesmo muito!) pior. De um modo geral a maralha portou-se bastante bem, dando o seu tempo, preocupação e competência ao fim em vista, daí os resultados suficientes.

Não estou feliz mas não estou descontente.

Agora, na semana que vai entrar e apesar de saber que vai ser difícil, não permitirei que a limpeza das cestas me afaste dos meus outros interesses todos, dos meus amigos e da famelga.
Ora batatas, às vezes até a mim espanta esta minha tineta em dar suma importância a coisas com que me parece que mais ninguém desperdiça tempos alegres.

Juro – e nem sequer é 31 de Dezembro, portanto é uma jura séria.

Hélas!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Desculpem


Fui dormir.

Há coisas das quais sou escrava, que hei-de eu fazer além de estrebuchar até adormecer?!?

Hélas!

domingo, 15 de novembro de 2009

Modelos


Houve um impulso irreprimível (escusado será dizer o que toda a gente já sabe, eu NUNCA tenho culpa de nada, são tudo traumas de infância ou virtudes arduamente conseguidas) e, porque sou uma gaja tão livre que nem ás suas próprias peias liga nenhuma, cá está isto, roubado daqui.

São estas e outras que me envergonham: não são os nossos problemas surrealistas, dificuldades de mariquinhas que não sabem qual o chá que querem tomar às cinco?

Hélas!

sábado, 14 de novembro de 2009

Mesquinhices


Dizem que a inveja é defeito de português mas eu não concordo; acho que é uma característica genética da raça humana - uma característica detestável mas muito humana. Penso que os bichos não são assim: avançam quando acham que merecem melhor e depois ou conseguem ou não; em qualquer dos casos arrumam o assunto e não o deixam a apodrecer a sua vida.

Reparem: nunca olhamos duas vezes para quem é melhor (dizem que faz mal, que cria complexos de inferioridade...);
Quando vemos alguém rico dizemos com um ar conspiratório que "de algures lhe vem..." porque mesmo não havendo nada que aponte para vigarices não podemos aceitar que sem elas alguém seja mais rico que nós;
Quando vemos uma pessoa realmente altruísta pomos a dita em Rilhafoles porque aquilo não é normal! ou então suspeitamos das suas intenções...
Um rol interminável de acções e pensamentos desprezíveis, todos nascidos da inveja.

Noutra vertente (ou quiçá a mesma?!?), quem tem o hábito de comparar o que se consegue com o que conseguem os melhores é tido por um "tipo destrutivo, que só gosta de deitar abaixo".
Quem não embandeira em arco porque alguém faz o que é suposto fazer uma pessoa normal é "um parvalhão que tem a mania que é melhor que os outros".
Quem não rotula uma pessoa decente de "excelente" é um porco que não sabe o que custa ser uma pessoa decente porque ele, manifestamente, não é.

Às vezes espanta-me como é que a humanidade consegue avançar.

Hélas!