quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uma vida normal


Vivi os dias como os sabia
Límpidos e puros e livres
Não sabendo nada, sabia tudo
E a Vida era simples e clara
Mesmo quando era difícil.

Mas há mesmo monstros, afinal
Escondidos debaixo da cama
Mesmo que não acreditemos neles
Rasgam com as garras rombas
Os sonhos que vivemos acordados.

Hoje não tenho certezas
A pureza há muito desapareceu
E os monstros tornaram obscura
A limpidez da certeza do Bem
E a liberdade da escolha do Mal.

Hoje os dias são-me estranhos
E os momentos fáceis da Vida
Nunca são simples ou claros
Mesmo sabendo mais que ontem
Nunca sei nada com certeza.

Hélas!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Riqueza das Nações


Tive (infelizmente já cá não mora) um amigo que tinha os ditos mais engraçados que já ouvi.

Eram frases cheias de humor e a malta podia rir-se delas alegremente. E podia, se quisesse e depois de se rir, pensar nelas.

Uma coisa que ele costumava dizer, a propósito disto ou daquilo era: "Não se deve acabar com os ricos, deve-se é acabar com os pobres".

Uma frase cómica, com sábias palavras. Acho que este mundo andaria bem melhor se, em vez de se tentar acabar com a riqueza das pessoas ricas, se tentasse acabar com a pobreza das pessoas pobres.

Posso estar enganada mas parece-me que, como de costume, é mais fácil matar a fortuna dos afortunados e assim acabar com as comparações dolorosas que combater as circunstâncias que condenam os desafortunados. E o Homem, como toda a gente sabe, é um gajo preguiçoso.

Depois há tipos como este, que vêem desassombradamente a nossa natureza e conseguem rir-se dela. Melhor ainda, conseguem fazer-nos a nós rir dela...

Abençoada gente, que inveja!

Hélas!

domingo, 8 de novembro de 2009

O que é a verdade?


Nós não gostamos da verdade e essa é que é essa.

Não gostamos das coisas como são, só gostamos das coisas como deviam ser; e este deviam contém todo o nosso egoísmo, todas as nossas manias, todas as nossas limitações, todas as nossas loucuras e todas as nossas virtudes; a palavra chave aqui é nossas.

Se dependesse de nós, a verdade dos outros não existiria e a Verdade, assim com letra grande, seria sempre só uma, a nossa.

É necessário amor para encarar a verdade dos outros. É necessária honestidade, para aceitar as coisas que lá estão e que são verdadeiras e das quais nós não gostamos. É necessário sacrifício porque dá imenso trabalho mudar a nossa verdade, mais a mais com coisas que não nos beneficiam em nada. E é necessária firmeza, porque a verdade dos outros também não é a Verdade, é simplesmente a verdade deles.

E isto é uma trabalheira desgraçada. Para quê? Porque raio havemos nós de nos importar com a verdade dos outros? Porque não é suficiente a nossa, porque diacho nos importamos com as diferenças e defendemos acaloradamente a nossa verdade?

Acho que é porque no íntimo, lá bem no fundinho do nosso ser, escondido no escuro e muito tímido, reside um gajo horrorosamente firme e que nunca se dobra. A gente bate-lhe, mata-o à fome e abafa-o mas o parvalhão nem morre nem dobra. E quando, já cansados, lhe gritamos "E o que é a verdade, hã? Diz lá o que é a verdade, hã?!?" ele olha para nós mas não responde, porque ele nunca responde àquilo que a gente já sabe.

E é preciso amor para dizer a alguém a nossa verdade. Acho que é preciso tanto quanto o necessário para a ouvir.

Acho que é por isto que, em geral, a verdade me dói. E também é por isto que agradeço o facto de ter gente que me diz a sua verdade. Porque na verdade é muito mais fácil fingir que a verdade dos outros é a nossa verdade e, francamente, essa é a maior mentira que conheço.

Hélas!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Irritação


Irritam-me aos emails em cadeia - mande agora a 5/10/20 pessoas e verá a sorte grande a nascer à porta!

Irritam-me os cartões de fidelidade: diga-nos as suas preferências, o seu BI, o nº de contribuinte, o agregado familiar, a cor das cuecas e a malta dá uns bónus quando nos der jeito!

Na mesma linha, irritam-me os prémios na blogosfera: a maralha iluminada deu-te um prémio, agora faxavor põe o nosso selo (com um link, óbvio!) na tua casa, publicita quem te premiou, diz aí mais 5/10/20 gajos que te pareça estarem de acordo com isto e avisa-os que têm de publicitar quem os premiou e denunciar mais 5/10/20 existências...

Que querem? Irrita-me. Gosto é daqueles que, vendo o que veem, escolhem conforme acham e dizem de sua justiça; não avisam ninguém, não pedem referências, não exigem contrapartidas e não impõem regras. Limitam-se a referenciar o que acham digno de referência. Acho isto de louvar e de seguir o exemplo.

E deixem-se de risinhos parvos, que eu conheço sítios assim.

Hélas!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Amanhã


Deixem que vos diga: amanhã é outro dia, 24 horas de oportunidade.

É complicado, isto, claro, nem poderia ser de outra forma em assuntos humanos: se nos ficarmos sempre pelo amanhã, nunca vivemos o hoje... E se só olharmos para hoje, certamente que o amanhã será horrível! Como de costume, a prima Virtude anda algures pelo meio, a passear e a colher flores - umas mortas, outras abertas e ainda outras em prometedores botões...

Mas agora estou cheia de sono, toda a gente sabe que o Homem é perito em parvoíces, não adianta nada chover no molhado e se não durmo agora sei lá se daqui a uma hora me passa o sono e depois nem o despertador me vale, vivemos numa ditadura relojoeira de ampulheta em punho, uma coisa horrorosa que perturba o bio-ritmo e me transtorna as noites e o que me vale nisto tudo é o madrugador e pachorrento homem com um café cheiroso...

Vou pró berço!

Hélas!

sábado, 31 de outubro de 2009

As Letras e as Ciências


Esta disjunção sempre me fez urticária. Como agora estou velha, faz eczema...

Eu vou tentar outra vez: Inglês e Chinês é Letras, certo? Matemática e Física são Ciências. Filosofia é Letras, Química é Ciências. Pois.

Mas cá para mim, Filosofia e Matemática é a mesma coisa embora em língua diferente, e daí vem que Psicologia e Japonês sejam aparentados, tipo irmãos (embora não sejam gémeos...).

Hélas!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nove


Pois nem sei bem que dizer, que o nove é o número do meu carinho, é mesmo mágico (que querem?!? O sete, a bem dizer, não me diz nada...)!

Saibam pois que tem 9 círculos o inferno e 9 esferas o céu (perguntem ao caramelo porque é que num caso só considera a área mas o outro já tem volume - cá para mim é racismo). Saibam também que:

  • 9 é a soma dos algarismos equidistantes (não falo em números em geral onde equidistância é vazia de sentido, falo de algarismos, de 0 a 9);
  • Qualquer dezena cuja soma dos dois algarismos dê o número 9, multiplicado por 12345679, dará sempre um número de algarismos repetidos;
  • Fazendo 12345679 multiplicar por 999999999 (nove noves) obtemos um crescendo e decrescendo giros: 12345679 x 999999999 = 12345678987654321
Acho que o meu amor por ele vem daí: não sendo monótono, é constante na presença.

Não o sendo ele próprio (não faz parte de clubes restritos, ama a boémia) é um produto de primo consigo próprio - e se já não se recomendam produtos entre primos, que dizer desta promiscuidade?!? Reparem que não se fala aqui em clones, detestável falta de originalidade - do que vos falo é de um filho (com toda a roleta de genes que isso implica) mas com um fundo genético único. É de doidos, não é? À 9, ora pois.

Para os que têm dificuldades com as máquinas de calcular ou com os excéis deste mundo digital, cá vai uma que pode ser feita á mão: 9 x 1 = 9; 9 x 2 = 18 (1+8=9); 9 x 3 = 27 (2+7=9); 9 x 4 = 36 (3+6=9) e por aí fora...

Para a malta que não curte muito contas, pensem que temos de esperar 9 meses para nascer mais um Homem (sentido lato da raça, que chatice sentir-me compelida a explicar o óbvio, batatas) e que quem chumba com 9 (estava quase!) se sente muito mais infeliz que quem chumba com 8 (eu não sabia nada, que se lixe), numa proporção que nada tem de linear...

Alarguei-me, desculpem. Mas é que adoro o bicho!

Hélas!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Oito


Imaginem um tipo grande e com uma cobiça irreprimível por bolos de creme. Depois imaginem que o coitado toda a vida usou cinto, sem cinto sente-se despido mas o cinto não lhe serve, de modo que todas as manhãs aperta, aperta, aperta até conseguir...

Cá está o oito. Coitado.
Nem é primo nem é especial, é apenas o oito, de família mas afastado.

Há malta que o associa à justiça mas cá para mim é malta com uma versão de editor de texto muito antiga e que não se apercebe que, conforme a fonte utilizada, o tipo fica com a bola de cima mais pequena que a de baixo - ou vice-versa.

Depois há o pessoal diz que "a minha vida está feita num oito" mas quando se lhes fala do algarismo dizem logo que é um infinito alentejano; e eu fico sem perceber se esperam de facto viver eternamente mas deitados.

É mágico, este - não parece haver razão para a sua existência mas que existe, existe. Como as bruxas.

Hélas!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sete


O 7 é o número amado pelo Homem.

Atribui-lhe toda a espécie de características que, como não são demonstráveis fria e cientificamente, são vestidas por uma espécie de sabedoria transcendental. Como toda a gente sabe, o transcendental não se discute, simplesmente aceita-se ou não - a esmagadora maioria das pessoas aceita, mesmo que tenha de fazer algum corte-e-costura para lhe assentar melhor. E o 7, talvez por ser esguio, elegante e frugal suporta lindamente toda a espécie de costura.

Mesmo quem não acredita em nada que não possa medir tem especial ternura pelo 7.

São 7 os dias da semana, 7 são as maravilhas do mundo. São 7 os pecados mortais, como são 7 as cores do arco-íris e 7 foram as pragas do Egipto... Sagrado ou profano, tudo o que são conceitos humanos transpira setes.

Visualmente é esguio e elegante, matematicamente não só é Primo como, na primeira dinastia, é o último, aquele que fecha a era. É mágico.

Hélas!

Desculpem


Isto é lamentável mas hoje foi um dia indecente e já é meia-noite e tenho uma montanha de coisas ainda para fazer HOJE, a porcaria do PC não ajuda nada e a rede ainda menos, sei lá se o mal é dos vírus ou do interface entre a cadeira e o teclado, o que sei é que que amanhã tenho de me levantar com as galinhas e vai ser um dia de máquina de costura para lá e para cá porque me falhou a gente com que contava e agora tenho de me arranjar sem ela e a coisa não está nada fácil; ainda por cima parece-me que aqui há gato mas o diabo do bichano é esquivo e não se mostra, tenho de o perseguir através de n ficheiros de diferente índole e data de alteração, a microinformática é uma Medeia e eu estou contra a parede nos famigerados deadlines que nem dão tempo para respirar rais parta isto tudo se ao menos queimasse calorias e nos desse tempo extra de boa vida ainda se compreendia assim acho que é uma perfeita tolice mas que tem de ser porque sem estas tolices a gente sentia-se mal.

Amanhã vos conto sobre o 7, número amado pelo Homem.

Hélas!