Barack ganhou o prémio Nobel da Paz.
Eu gosto dele, da sua estudada leveza, da pose, do savoir faire.
Quanto ao resto, sei lá?!? O homem só está naquela posição há uns meses, nem teve tempo de ler todos os arquivos dos assuntos difíceis, veremos os seus actos. Mas para já, é diferente do que estamos habituados, não é de graça que é um não-branco, o primeiro não-branco na Casa Branca.
Isto achei fantástico, só nos USA, esse país inquinado de preconceitos raciais, teorias do mérito e defesa despudorada do seu próprio modo de vida. Não sendo fã dos USA em tanta e tanta coisa, confesso que fiquei impressionada com aquele povo, quando o tipo ganhou as eleições - na liberal Europa parece-me impossível um não-branco subir a tal altura, para já.
Mas é conveniente realçar que não fiquei impressionada com ele, fiquei impressionada com o povo dele.
O Nobel da Paz é outro assunto. Que raio de provas privadas terá dado o homem (públicas parece-me que não há) para estar ao lado de Mandela que impediu, além de um passageiro banho de sangue, uma doentia propagação de ódio - que custa mais a ser absorvida pelo planeta que um saco de plástico?
Ele confessou-se espantado. Eu cá também fiquei mas no meu caso é o discernimento comezinho de uma pessoa vulgar. E também me entristece saber que o espanto pela barraca do Nobel o honra a ele mas não a mim, pela própria natureza da humanidade.
Hélas!