quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Como disse?


Só mesmo aquela abestunta seria capaz de dizer com ar sério que "Deus é má pessoa".

Dâaahhh... O que eu poderia desculpar a tantos outros, parece-me imperdoável num escritor, de quem se espera uma intimidade com as palavras incapaz de tão idiota incoerência.

Amanhã vos conto sobre o Três. Honra lhe seja feita, a aventesma é dos poucos homens que não conheço pessoalmente e que me irrita a ponto de me fazer mudar de rumo.

Hélas!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dois


Introduz a questão.

Tal como o seu predecessor, é único: há mais num par que em dois uns - ou conhecem algum casal feito de dois solteiros?

O par é como a água, solvente universal: quase tudo se pode dividir em pares ou num ou mais pares de ímpares.

Até a natureza humana, tão complexa, se divide normalmente em pares. Claro que podem não ser os mesmos pares, mas entre Amor, Filhos, Lazer, Profissão, etc, o Homem procura sempre o seu par.

Está, como era de esperar, de acordo com a Filosofia: não há Mal sem Bem, não há Felicidade sem Infelicidade; tudo mais o par de botas neste vale de lágrimas anda aos pares.

Até o mistério das meias desaparecidas só o é porque é um par que perdeu o par mas que toda a gente sabe que o par anda para aí sózinho, desgraçado.

É um número mágico.

Hélas!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um


É a base, o pilar. A tinta com que se escrevem as letras.

Todos os números mais não são que a quantidade de 1s envolvidos: um quaquilhão (número impressionante) é um quaquilhão de uns - e é esta a quantidade que impressiona, não o quaquilhão ele próprio que afinal é só um, coitado.

A Unidade permanece imutável, sempre a mesma, única mesmo que composta, o referencial, aquilo cuja natureza intrínseca nunca se altera seja qual for a sua natureza extrínseca. É mágico, não é?

Sem pelo menos 1 nada existiria. Já repararam bem? É que nem conseguíamos ter uma partezita, pequenininha, 1 cheirinho... Se não houvesse o 1 de que isso é parte.

Hélas!

domingo, 18 de outubro de 2009

Zero


É a personificação do paradoxo da humanidade: na ciência cuja natureza é contabilizar a existência - passada, presente ou futura - inventou-se a quantificação da inexistência.

Fazia falta, estão a ver, embora seja demasiado complicado explicar aqui porque é que a inexistência faz falta a quem contabiliza a existência, a verdade é que faz.

E como o Homem não é gajo para ficar a chorar por algo que lhe falta, ZÁS! Inventou o 0. E as coisas ganharam existência, pois agora havia a sua negação.

É mágico.

Hélas!

Ciência


Sabem? Eu, do alto da minha grande ignorância, acho que há 2 ciências: a Matemática e a Filosofia.
Tudo o resto são frutos, especializações, esmiuçamento de particulares.

Há muitos particulares, muitos esmiuçamentos, claro. Física. Álgebra. Estatística. Medicina. Religião. Psicologia. E mais, muitos mais.

Nobres, mas filhos. A génese da sua sabedoria reside nos sabedores genes dos pais.

E mai' nada.

Hélas!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Gostava de ser poeta


Um poeta é um joalheiro da língua.

Da matéria bruta contida em qualquer Dicionário, faz obras únicas, intrincadas, sofridas, em camadas infindáveis, buriladas com uma paciência de velho chinês... Obras belas na sua identidade única e natureza variável.

O poeta depois refaz novamente, lima aqui, acrescenta acoli, corta mais além... Nunca fica satisfeito - quanto melhor a obra mais sensível ao tempo do espírito de quem lê (o autor não é excepção pois é antes de mais, gente; e a poesia tem essa Natureza, é mutável sem nunca perder a sua identidade, como as pessoas) - a obra só está acabada quando é roubada ao autor.

Ao ser lida, sofre uma metamorfose do tipo Pedra Filosofal mas aplicada a si própria: deixa de ser o que foi para ser - realmente SER - a coisa percebida - tão única como única é a identidade de quem a lê no tempo em que o faz. É mágico.

É por isso que a poesia é intraduzível - o melhor que se consegue nesta área é uma imitação deslavada - se lerem uma boa tradução é porque não é tal, é a expressão de um poeta inspirado por outro e a obra é intrínsecamente diferente. Não é possível traduzir poesia, do mesmo modo que não é possível fazer um anel de ouro usando prata, embora se possam fazer anéis com ambos...

Também gostava de ganhar o Euromilhões.

Hélas!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Intervalo


[Porque isto anda uma bandalheira tal que já nem o dia 11 cumpre a sua obrigação de semear sonhos, resolvi (outra vez! Há palermices estupidamente reincidentes, não há dúvida) lutar contra a maré. Decidi, contra o mais elementar bom senso (sou tonta, sim, mas uma tonta com pretensões racionais), adaptar o canal do Panamá aos meus intentos particulares e invadir uma outra horta só parcialmente minha:]

Hoje o sol põe-se em silêncio,
A Vida vê a pausa, inquieta,
A Morte ri-se, lá do Outro lado:
- Querias, não é? Mas hoje não estou para isso.
Os segundos passam, lentos, seguros,
Tudo continua como antes, imutável
O Homem chora pérolas mais salgadas
e o seu desespero é mais amargo e duro.
Não há matemática
capaz de igualar a Zero
esta equação.

Hélas!

sábado, 10 de outubro de 2009

Barraca


Barack ganhou o prémio Nobel da Paz.

Eu gosto dele, da sua estudada leveza, da pose, do savoir faire.
Quanto ao resto, sei lá?!? O homem só está naquela posição há uns meses, nem teve tempo de ler todos os arquivos dos assuntos difíceis, veremos os seus actos. Mas para já, é diferente do que estamos habituados, não é de graça que é um não-branco, o primeiro não-branco na Casa Branca.

Isto achei fantástico, só nos USA, esse país inquinado de preconceitos raciais, teorias do mérito e defesa despudorada do seu próprio modo de vida. Não sendo fã dos USA em tanta e tanta coisa, confesso que fiquei impressionada com aquele povo, quando o tipo ganhou as eleições - na liberal Europa parece-me impossível um não-branco subir a tal altura, para já.

Mas é conveniente realçar que não fiquei impressionada com ele, fiquei impressionada com o povo dele.

O Nobel da Paz é outro assunto. Que raio de provas privadas terá dado o homem (públicas parece-me que não há) para estar ao lado de Mandela que impediu, além de um passageiro banho de sangue, uma doentia propagação de ódio - que custa mais a ser absorvida pelo planeta que um saco de plástico?

Ele confessou-se espantado. Eu cá também fiquei mas no meu caso é o discernimento comezinho de uma pessoa vulgar. E também me entristece saber que o espanto pela barraca do Nobel o honra a ele mas não a mim, pela própria natureza da humanidade.

Hélas!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Inquietação


Acho verdadeiramente inquietante não fazer a mínima ideia se daqui a uma semana estarei a rir ou a chorar.

Devia haver seguros contra a tristeza - com o prémio pago em alegria pronta-a-usar.
As prestações seriam em horas de nem-triste-nem-alegre (já imaginaram o balúrdio?...) e reclamar o seguro seria livre - tantas horas depositadas compram x minutos de alegria.

Tenho mesmo jeito para estas coisas, não percebo porque é que não arranjo investidores: já calcularam o mercado potencial deste negócio?!?

Bem me parecia que a culpa era deles; é por estas e outras que Portugal não anda para a frente, caramba!

Hélas!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Hoje


Hoje é segunda-feira, 5 de Outubro de 2009, são 12:50 e é feriado.

Ocorre-me de repente que não é feriado para todos, só para os portugueses. Também não são 12:50 para todos, há malta na Terra que acabou de se deitar para uma boa noite de sono. Nem sequer é 5 de Outubro de 2009 para todos porque há povos que não têm o mesmo calendário...

Como diacho é que se conseguiu que fosse segunda-feira para todos?!?

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!