sexta-feira, 17 de julho de 2009

O sentido da prosa


Hoje não é dia de poesia.

O vizinho de cima sorri, escarninho - É dia de prosa com sentido - diz ele e vai-se embora, deixando-me sozinha a contas com o sentido da prosa.

E agora, Adalberto?!? Que hei-de eu dizer em prosa aos meus pares, que valha o tempo que gastam a ler?? Guerra, política, Nietzsche, roubos, spam, moral... Batatas, isto são tudo lugares comuns, gastos como os degraus da igreja velha.

E ainda dizem que difícil é ter um filho. Caraças, foi muito mais fácil, ele tinha de nascer e nasceu, ficou feito e prontes, não há cá confusão nenhuma.

Agora prosa... E com sentido, ainda por cima?!?
Estão a brincar com a tropa - um dia destes arrependem-se.

Ora batatas.

Hélas!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Contra-relógio


O sono é muito e as horas são poucas.

Dão-se alvíssaras a quem conseguir colocar 3 horas de sono em 1 de relógio - podiam cooperar, em vez de estrebuchar, caramba!

Qual modelo de negócio, qual carapuça! Isto sim, era inovação com dentes.

Hélas!

terça-feira, 14 de julho de 2009

A vida continua


É um cliché.

E é a realidade. Uma calamidade, um terramoto, maremoto ou whatever depressa são engolidos pelas necessidades dos vivos, porque os mortos estão para além disso, não necessitam de nada na nossa dimensão.

De certa forma, é triste - parece que os mortos não fazem falta, o que todos sabemos que não é verdade.
De outro ponto de vista, é um hino fantástico à Esperança - seja o que for que se passar, a humanidade continua a bulir - mesmo a humanidade tão próxima que deixa de ser humanidade para ser simplesmente irmão, mãe, pai, amigo, tio, entidades concretas.
De um terceiro ponto de vista (?!?), não há qualquer relação entre as coisas; são assuntos disjuntos e é tolo meter os dois no mesmo raciocínio.

Haverá mais, certamente, muito mais. Amanhã pensarei sobre isso.


Hélas!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Hoje


Hoje, há uma jovem que chora.

Sei que ontem houve muitas, hoje muitas há e amanhã mais haverá - mas não me interessa, egoísta na minha triste natureza humana - hoje, há uma jovem alegre que eu conheço e que chora.

O desespero da impotência, conheço-o bem; também conheço bem o medo profundo, oleoso, peganhento e traiçoeiro. Mas não conheço a dor funda e irreparável da perda dela. Apenas posso imaginar, confortavelmente longe da realidade.

Ela chora, hoje. Amanhã não chorará porque o físico é fraco e as lágrimas esgotam-se. Mas o desgosto continuará imenso, arrasador, incalculável.

8 anos, foi-lhe roubado o futuro. Que dizer?!? Menina, eu sei que não vale nada mas o meu coração chora contigo.

Hélas!

domingo, 12 de julho de 2009

Amor é água que corre


Eu não gosto muito de chavões. Ou, se calhar, gosto demasiado.

Normalmente são frases profundas e que merecem meditação mas são usados de forma descuidada e irresponsável, a propósito das coisas mais triviais e sem qualquer rebuço. Isso irrita-me.

Há lá pachorra para ouvir, a propósito duma aula péssima, que "Quem sabe faz, quem não sabe ensina"?!?

Hélas!

sábado, 11 de julho de 2009

Tempos


O sol brilha forte
Hoje não é ontem
E é outra a sorte
Outros que contem
As fugas à morte.



Hélas!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Serralharia


Hoje foi um dia chave.

Não sei ainda é se a fechadura serve.

Hélas!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Parar é morrer


Acreditem, o pior de tudo o que nos pode acontecer é parar.

Quem pára entra imediatamente em estagnação.
Os fungos da resistência à mudança explodem de vida, os neurónios entram rapidamente em inanição, as traças fazem uma festa desenfreada abrindo buracos no espírito, tudo se torna enormemente complicado, trabalhoso e sem interesse, a rotina, o sofá, a TV e o PC ganham o estatuto fantástico de necessidades de primeira ordem.

E arrancar, depois de parado? Estão a brincar?!? A inércia é incalculável. Os fungos demonstram uma estranha vitalidade vegetal, abafando o movimento. As traças abocanham os neurónios inertes, o sofá aparece em sonhos declamando I have a dream and you can have it too, just seat on me and think about it. Boo!, o PC sussurra "Anda cá, tenho o mundo que queres à tua espera" e a vontade fraqueja.

O esforço é hercúleo; a curiosidade, comida pelas traças, prima pela ausência. A necessidade não se revela e é tudo baseado nuns vagos conceitos de que "não se pode estar 20 anos a ver TV sem sentido" e "daqui a nada estou uma couve de Bruxelas num sofá plantada". O pior é que sabemos bem que sim, pode-se viver de TV. E nunca ninguém ouviu falar de couves de Bruxelas infelizes.
E embora um neurónio moribundinho tenha ainda a resistência suficiente para gritar "NÃO!", a verdade é que as pernas já não lhe obedecem.

Então quando as contingências da vida estão contra nós, é dramático. Se bem que toda a gente sabe que as contingências da vida são a melhor desculpa do mundo.

Enfim... Um dia disseram-me que o que conta é tentar. Eu não perguntei para que conta é que isso contava, tive receio da resposta. Mas há-de ser para alguma...

Hélas!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pois é...


Conhecem alguém que vos encha as medidas de forma completa? Não falo de amores, que o coração tem razões que a razão desconhece e que para aqui também não são chamados
Falo de outra coisa: uma pessoa, viva e ainda capaz de vos desapontar, a quem se admira como expoente daquilo que se deseja ser.

Conhecem alguém - vivo - que seja um modelo? Com quem aspirem a parecer-se? Alguém que admirem de tal forma que não vos custava nada dobrar o joelho em público?

Eu também não. Acho que é por isso que se diz que vivemos uma crise de valores.

Hélas!

domingo, 5 de julho de 2009

Fuga


Gostava de fugir para uma ilha paradisíaca do Pacífico e ficar por lá uns anos, a viver do sol e da boa disposição.

O problema é que teria de trazer comigo uma data de gente que não tem qualquer interesse em ilhas atrás do sol posto.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!