sábado, 11 de julho de 2009

Tempos


O sol brilha forte
Hoje não é ontem
E é outra a sorte
Outros que contem
As fugas à morte.



Hélas!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Serralharia


Hoje foi um dia chave.

Não sei ainda é se a fechadura serve.

Hélas!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Parar é morrer


Acreditem, o pior de tudo o que nos pode acontecer é parar.

Quem pára entra imediatamente em estagnação.
Os fungos da resistência à mudança explodem de vida, os neurónios entram rapidamente em inanição, as traças fazem uma festa desenfreada abrindo buracos no espírito, tudo se torna enormemente complicado, trabalhoso e sem interesse, a rotina, o sofá, a TV e o PC ganham o estatuto fantástico de necessidades de primeira ordem.

E arrancar, depois de parado? Estão a brincar?!? A inércia é incalculável. Os fungos demonstram uma estranha vitalidade vegetal, abafando o movimento. As traças abocanham os neurónios inertes, o sofá aparece em sonhos declamando I have a dream and you can have it too, just seat on me and think about it. Boo!, o PC sussurra "Anda cá, tenho o mundo que queres à tua espera" e a vontade fraqueja.

O esforço é hercúleo; a curiosidade, comida pelas traças, prima pela ausência. A necessidade não se revela e é tudo baseado nuns vagos conceitos de que "não se pode estar 20 anos a ver TV sem sentido" e "daqui a nada estou uma couve de Bruxelas num sofá plantada". O pior é que sabemos bem que sim, pode-se viver de TV. E nunca ninguém ouviu falar de couves de Bruxelas infelizes.
E embora um neurónio moribundinho tenha ainda a resistência suficiente para gritar "NÃO!", a verdade é que as pernas já não lhe obedecem.

Então quando as contingências da vida estão contra nós, é dramático. Se bem que toda a gente sabe que as contingências da vida são a melhor desculpa do mundo.

Enfim... Um dia disseram-me que o que conta é tentar. Eu não perguntei para que conta é que isso contava, tive receio da resposta. Mas há-de ser para alguma...

Hélas!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pois é...


Conhecem alguém que vos encha as medidas de forma completa? Não falo de amores, que o coração tem razões que a razão desconhece e que para aqui também não são chamados
Falo de outra coisa: uma pessoa, viva e ainda capaz de vos desapontar, a quem se admira como expoente daquilo que se deseja ser.

Conhecem alguém - vivo - que seja um modelo? Com quem aspirem a parecer-se? Alguém que admirem de tal forma que não vos custava nada dobrar o joelho em público?

Eu também não. Acho que é por isso que se diz que vivemos uma crise de valores.

Hélas!

domingo, 5 de julho de 2009

Fuga


Gostava de fugir para uma ilha paradisíaca do Pacífico e ficar por lá uns anos, a viver do sol e da boa disposição.

O problema é que teria de trazer comigo uma data de gente que não tem qualquer interesse em ilhas atrás do sol posto.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

sábado, 4 de julho de 2009

Janica


A Joãozinha vai renunciar à nacionalidade portuguesa? Fantástico.

Está farta, diz ela. Sim, digo eu, isto de não se ser tratado como mba na nossa casa farta uma pessoa, principalmente uma pessoa que toca bem, o que devia ser certificado suficiente para gerir uns tostões de dinheiro alheio - não há direito.

Aliás, costuma ser por isso que os jovens saem de casa dos pais: querem ser tratados como senhores da casa, não como filhos - o facto de receberem mesada é irrelevante para o caso. É verdade que normalmente não renegam os pais mas já tem havido casos.

Boa sorte, Janica. Um conselho de ex-compatriota: fica-te pelo Chopin e não te ponhas com mbas em Jericoacoara. Senão ainda tens de renegar os pais adoptivos, ficavas orfã, era uma chatice.

Hélas!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vejo => penso => sinto => quero => desejo


Entre outras coisas, no tal curso de soft skills ensinaram-nos que a mais produtiva forma de refilar - ou falar do tempo - é ser assertivo (palavrão muito na moda e que quer mais ou menos dizer falar com controlo + verdade + objectividade + emoção - agressividade. O palavrão justifica-se, portanto, é muito mais económico).

A ideia geral do discurso é: primeiro o retrato objectivo da realidade, depois a interpretação desse retrato e depois a verbalização das emoções suscitadas pela interpretação; no segundo passo, informa-se o outro da acção concreta que desejamos e por fim explicam-se os objectivos que julgamos conseguir com essa acção concreta.

Ocorreu-me na altura que deve ser até divertido: imaginem só a reacção assertiva perante um assalto à mão armada. O assaltado, muito controlado, diz com voz firme para o ladrão, antes mesmo deste abrir a boca:

- Vejo que tem uma pistola na mão e penso que me quer assaltar; sinto-me ao mesmo tempo assustado e indignado. Quero que meta outra vez a pistola no bolso e se vá embora, pois não pretendo ficar sem qualquer das coisas que trago comigo.

Isto segue a regra da forma mais académica. E se calhar, o assaltante ficava tão espantado e desconfiado que dava resultado.

Hélas!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

言語日本語


Ocorreu-me uma experiência: em 24 horas, quantos visitas virão do Japão, se o título for em Japonês?

É relativamente científica, visto que nunca tenho visitas do país do sol nascente. E se correr mal, posso sempre dizer mal do tradutor automático... Que terá traduzido uma frase simples para qualquer coisa inominável.

Hélas!

Malandros!


Uma vez mandaram-me com todo o charme, às urtigas. Disseram-me claramente que me deixasse destas filosofias sob pena de passar a vida toda a buscar causas e mais causas até à origem da criação de vida... Se não me perdesse por tão ínvio caminho.

Ela tem carradas de razão, claro. Aliás, estou farta de passar o conselho a outros, a prova provada de que acho que é realmente um bom conselho!

É uma pena que não lhe tenha ligado nenhuma. Também é pena que, com a fomeca, ter comido o pão todo sem me lembrar que era conveniente deixar umas migalhas para saber como volto para casa.

Por consequência, agora estou aqui. Sem fazer a mais pálida idéia onde é o aqui, só me ocorre que é indecente não haver cobertura mental e não poder chamar o 112 por telepatia (chama-se o 112 para qualquer aflição, não é?).

No meio desta infelicidade e porque eu sou eu, desculpem lá mas tenho mesmo de me queixar: como não pode de forma alguma ser minha - eu nunca, nunca eu! - a culpa disto tudo é daqueles malandros (os gajos que não são eu).

Hélas!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sonho


Eu não sei o que faria, para ter o dom necessário para adorar pintar. Ou desenhar. Ou cantar. Ou tocar, este, ou aquele, ou outros mais instrumentos. Adorava ter aquela compulsão que nos leva a deixar de almoçar para poder comprar o material necessário para fazer uma coisa. Aquela coisa, não uma coisa qualquer.

Deixem-me clarificar: não é o aplauso público (de que toda a gente gosta, mesmo quando diz que não - mas que normalmente não é, de facto, a força motriz) que eu quero. Não sonho com a fama, pois na verdade prefiro a privacidade do anonimato; nem com a fortuna, embora uns cobres a mais não fizessem mal nenhum.

Não. Aquilo que me faz verde de inveja é a paixão por uma actividade. Não sou burra, praticamente poderia ser qualquer actividade que se aprenda; mas o que não me falta em inteligência ou persistência falta-me em paixão.

Uma chatice, realmente (e um peso indecente para aqueles que nos consolam no desespero). Dá uma trabalheira danada, reinventar todos os dias a razão de viver.

Hélas!