domingo, 5 de julho de 2009

Fuga


Gostava de fugir para uma ilha paradisíaca do Pacífico e ficar por lá uns anos, a viver do sol e da boa disposição.

O problema é que teria de trazer comigo uma data de gente que não tem qualquer interesse em ilhas atrás do sol posto.

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

sábado, 4 de julho de 2009

Janica


A Joãozinha vai renunciar à nacionalidade portuguesa? Fantástico.

Está farta, diz ela. Sim, digo eu, isto de não se ser tratado como mba na nossa casa farta uma pessoa, principalmente uma pessoa que toca bem, o que devia ser certificado suficiente para gerir uns tostões de dinheiro alheio - não há direito.

Aliás, costuma ser por isso que os jovens saem de casa dos pais: querem ser tratados como senhores da casa, não como filhos - o facto de receberem mesada é irrelevante para o caso. É verdade que normalmente não renegam os pais mas já tem havido casos.

Boa sorte, Janica. Um conselho de ex-compatriota: fica-te pelo Chopin e não te ponhas com mbas em Jericoacoara. Senão ainda tens de renegar os pais adoptivos, ficavas orfã, era uma chatice.

Hélas!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vejo => penso => sinto => quero => desejo


Entre outras coisas, no tal curso de soft skills ensinaram-nos que a mais produtiva forma de refilar - ou falar do tempo - é ser assertivo (palavrão muito na moda e que quer mais ou menos dizer falar com controlo + verdade + objectividade + emoção - agressividade. O palavrão justifica-se, portanto, é muito mais económico).

A ideia geral do discurso é: primeiro o retrato objectivo da realidade, depois a interpretação desse retrato e depois a verbalização das emoções suscitadas pela interpretação; no segundo passo, informa-se o outro da acção concreta que desejamos e por fim explicam-se os objectivos que julgamos conseguir com essa acção concreta.

Ocorreu-me na altura que deve ser até divertido: imaginem só a reacção assertiva perante um assalto à mão armada. O assaltado, muito controlado, diz com voz firme para o ladrão, antes mesmo deste abrir a boca:

- Vejo que tem uma pistola na mão e penso que me quer assaltar; sinto-me ao mesmo tempo assustado e indignado. Quero que meta outra vez a pistola no bolso e se vá embora, pois não pretendo ficar sem qualquer das coisas que trago comigo.

Isto segue a regra da forma mais académica. E se calhar, o assaltante ficava tão espantado e desconfiado que dava resultado.

Hélas!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

言語日本語


Ocorreu-me uma experiência: em 24 horas, quantos visitas virão do Japão, se o título for em Japonês?

É relativamente científica, visto que nunca tenho visitas do país do sol nascente. E se correr mal, posso sempre dizer mal do tradutor automático... Que terá traduzido uma frase simples para qualquer coisa inominável.

Hélas!

Malandros!


Uma vez mandaram-me com todo o charme, às urtigas. Disseram-me claramente que me deixasse destas filosofias sob pena de passar a vida toda a buscar causas e mais causas até à origem da criação de vida... Se não me perdesse por tão ínvio caminho.

Ela tem carradas de razão, claro. Aliás, estou farta de passar o conselho a outros, a prova provada de que acho que é realmente um bom conselho!

É uma pena que não lhe tenha ligado nenhuma. Também é pena que, com a fomeca, ter comido o pão todo sem me lembrar que era conveniente deixar umas migalhas para saber como volto para casa.

Por consequência, agora estou aqui. Sem fazer a mais pálida idéia onde é o aqui, só me ocorre que é indecente não haver cobertura mental e não poder chamar o 112 por telepatia (chama-se o 112 para qualquer aflição, não é?).

No meio desta infelicidade e porque eu sou eu, desculpem lá mas tenho mesmo de me queixar: como não pode de forma alguma ser minha - eu nunca, nunca eu! - a culpa disto tudo é daqueles malandros (os gajos que não são eu).

Hélas!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sonho


Eu não sei o que faria, para ter o dom necessário para adorar pintar. Ou desenhar. Ou cantar. Ou tocar, este, ou aquele, ou outros mais instrumentos. Adorava ter aquela compulsão que nos leva a deixar de almoçar para poder comprar o material necessário para fazer uma coisa. Aquela coisa, não uma coisa qualquer.

Deixem-me clarificar: não é o aplauso público (de que toda a gente gosta, mesmo quando diz que não - mas que normalmente não é, de facto, a força motriz) que eu quero. Não sonho com a fama, pois na verdade prefiro a privacidade do anonimato; nem com a fortuna, embora uns cobres a mais não fizessem mal nenhum.

Não. Aquilo que me faz verde de inveja é a paixão por uma actividade. Não sou burra, praticamente poderia ser qualquer actividade que se aprenda; mas o que não me falta em inteligência ou persistência falta-me em paixão.

Uma chatice, realmente (e um peso indecente para aqueles que nos consolam no desespero). Dá uma trabalheira danada, reinventar todos os dias a razão de viver.

Hélas!

domingo, 28 de junho de 2009

Simples?!?


Não falo de situações extremas, no limite ou abaixo das necessidades básicas, doenças terminais, morte violenta, guerra... Não, não falo disso porque tenho a ventura de não as viver. Mas desconfio que aí é ainda mais simples: viver ou morrer.

Mas não, agora estou a falar da vida corriqueira de gente acima das necessidades básicas, gente vulgar da minha afortunada vulgaridade.

É tão fácil a infelicidade! Um trejeito de lábio, um resmungo. Uma frase infeliz. Um silêncio.

É tão fácil a felicidade! Um sorriso. Uma carícia, os nós dos dedos mal afloram a face. Um olhar.

A vida parece simples. Mas não é.

Hélas!

Que chata!


Perguntaram-me porque era eu tão chata.

Porque é que insistia para se levantar quando não há nada para fazer, porque é que insistia para se mexer quando estava tão cansada, porque é que queria que se vestisse e penteasse, quando nem sequer ia à rua. Qual o objectivo do enorme esforço?!? "És chata! Porque é que és tão chata?"

Eu não soube responder.

Estes cursos de soft skills são uma treta.

Hélas!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson


Morreu inesperadamente, com meses de trabalho planeado para o futuro. Foi-se.

Não tenho a veleidade de pretender saber a verdade mas e como toda a gente, sou sensível a estes dois ditos:
  1. Onde há fumo há fogo;
  2. Caluniai, caluniai, que alguma coisa há-de ficar.
Posto isto e porque não tenho qualquer interesse no homem, deixem-me chorar publicamente o artista que tantas vezes me tirou do desânimo.

O meu mundo ficou hoje mais pobre de futuro.

Hélas!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Um dia


Um dia acordarei em paz e não me ocorrerá perguntar o porquê dos homens não serem felizes.

Um dia a incoerência, minha e alheia, me passará desapercebida no alegre revolutear dos pássaros.

Um dia, a Injustiça e a Dor ficarão escondidas com vergonha da luz e a única coisa que se passeará ao sol será a vontade de crescer.

Um dia.

O que me chateia é que nesse dia provavelmente estarei mortinha da silva.

Hélas!