quinta-feira, 4 de junho de 2009

O centenário


Estava a ouvir o centenário, de quem não gosto há anos e anos, aquele que tem montanhas de etiquetas catalogando-o na minha despensa como um fazedor de Xanax, um parvalhão arrogante e com a mania que é mais inteligente, potente, culto, ágil, cosmopolita, viajado, arguto, etc., etc., etc. e de repente o velhadas estraga tudo e diz uma coisa que não só é sensata como verdadeira e não peca por presunção. Mais ou menos isto:

- Já não tenho amigos, nem mais novos nem mais velhos, foram-se. Isso deixa uma grande melancolia... Gostaria de ser lembrado com essa melancolia.

Ora batatas, lá terei de colar um post-it sorridente naquela caixa forrada a caras feias. Já não bastava o resto, agora o estupor do homem ainda por cima me desarruma a estética.

Hélas!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A teoria do caos e a magia


Gosto imenso da Teoria do Caos. Adoro a história da borboleta que bate as asas na China, provocando um furacão na Europa.

Dá uma tranquilizante sensação de causa-efeito, como se o mundo fizesse sentido mesmo que sejamos tão limitados que não o podemos apreender. Eu até utilizo a palavra acaso, que quer apenas dizer "Não percebo como batatas é que tal coisa aconteceu". Fica subentendido que se eu não fosse tão lerdinha até poderia perceber - é reconfortante...

Deve ser por isso que não sou supersticiosa: a superstição, como a magia, querem apenas escapar ao inevitável.

Hélas!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dissonâncias


Quanto eu me sentir feliz, haverá algo ou alguma coisa que virá lembrar-me do que não me corre bem. Se por um inapropriado e extemporâneo alinhamento dos astros tudo, mesmo tudo, me estiver a correr bem pessoalmente na altura, algo me vai lembrar das criancinhas do Biafra ou qualquer coisa mais contemporânea mas igualmente horrorosa.

Se ao menos eu tivesse vocação para mártir! Mas não, prezo demasiado o meu conforto e bem-estar. Essa fuga está-me vedada.

Se eu fosse um génio, uma gaja capaz de inventar um milagre como o micro-crédito... Mas não, sou demasiado cumpridora das regras existentes para desafiar assim todo um sistema, não consigo sair o suficiente para fora da caixa.

Se eu fosse revolucionária, matava a ferro e fogo o que estivesse mal, ficávamos só com as coisas boas, seria tão bom! Mas não, o meu espírito está completamente infectado do vírus mais-vale-consertar-que-destruir, indissociável do já-viste-bem-pelo-outro-lado?, nem tem cura já, isto é uma chatice.

E se eu fosse supersticiosa? Isso era bestial, ia ali à bruxa da esquina, a mulher só prediz futuros radiosos (acho que os búzios dela estão viciados mas ela diz que não), era porreta. Mas eu acho que um gato preto é um gato que mia como os outros, uma escada é uma coisa prática que serve para subir e descer e um espelho é um rio sólido e sem azar quando chove; não me parece que consiga.

E se eu fosse simplesmente má? Borrifava-me para tudo e todos, só queria saber do que me trouxesse satisfação pessoal... Acho que era o mais prático mas depois o vizinho do cimo das escadas não me deixava dormir. E eu não me aguento sem dormir.

Não há remédio, parece. Ora batatas, acho que só me resta processar os meus pais, por perdas e danos causados por uma genética deficiente.

Hélas!

sábado, 30 de maio de 2009

A vida é bela


Está um dia de sol fantástico e eu estou feliz.

Não quero saber como estarei amanhã nem quero saber como estarei para a semana. Neste preciso momento, a vida é bela.

Hélas!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Joaquina


- Joaquina? É um nome giro...
- Pois, menina, mas que quer? A minha mãe e o meu pai queriam tanto um rapaz! Quando lhes saiu uma fêmea na rifa, deram a volta ao desgosto assim.

Ela não viu mas vieram-me as lágrimas aos olhos. Não tanto por ver mais uma vez cuspir na sorte que se tem, foi mais por presenciar uma humildade tão genuina.

Ora batatas, ando mesmo uma mariquinhas.

Hélas!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A bicicleta


Eu sempre disse que a Humanidade anda dois passos para a frente e um para trás e que isso, na contabilidade geral da coisa, é positivo. Costumo até referir que detestaria viver no séc. XIX, mulher ainda por cima, mas ainda detestaria mais viver no sec. XVIII; e é absolutamente verdade.

Como este ano é aziago, no meu cômputo geral sempre que avancei um passo dei comigo dois atrás.

O meu vizinho de cima, que regressou embora debilitado, febril e desejoso de viajar novamente, diz-me que eu sou parva e devia era andar de bicicleta porque quando os pedais andam para trás a dita cuja não lhes liga pevide. Não sei se com a gripe o tipo não diz coisa com coisa ou se, pelo contrário, diz coisas com muita coisa.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A comédia da vida


Não sou uma pessoa alegre e se calhar por isso mesmo gosto imenso de comédias.

Não gosto do Cantinflas nem dos primeiros filmes do Jim Carrey (detesto palhaços, já agora - mas o Jim Carrey evoluiu imenso, não acham?), adoro o Charlot e um dos meus filmes preferidos é "Um peixe chamado Vanda", uma verdadeira pérola que me fez rir em voz alta, coisa estranhíssima.

As comédias permitem-me ver as coisas mais horríveis de um ponto de vista engraçado e construtivo - já alguma vez reflectiram na natureza básica dos horríveis e engraçados personagens do Seinfield?!?

Tenho de arranjar um guionista de talento para organizar o meu dia-a-dia.

Hélas!

domingo, 24 de maio de 2009

Humanidade II


Hoje acho que não estamos todos mortos suicidados porque a esperança é a última a morrer. Mesmo quando racionalmente sabemos que não há solução possível, teimamos em esperar mais uns dias pelo milagre.

Quando penso que há dias em que defendo (e o pior é que acredito mesmo!) que a natureza do homem é racional!

Se a humanidade fosse realmente racional já se tinha
suicidado. Se calhar foi o que aconteceu aos dinossauros, sabe-se lá.

Hélas!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SMS


Recebi hoje um sms que dizia: "Não consigo falar contigo, telefona-me." Mas telefono a quem?!? A mensagem não vem assinada e chegou sem número...

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Decisões, decisões...


Sempre ouvi dizer que na maioria dos casos, é melhor uma má decisão que decisão nenhuma, mas... Quando a gente não sabe realmente o que fazer, será que o melhor é fazer uma coisa qualquer, em vez de não fazer nada?

O meu vizinho de cima, habitualmente tão metediço, desvaneceu-se no éter, acho que foi de férias para o México e apanhou uma gripe. É pena; hoje fazia-me jeito, a sua racionalidade cínica a par do profundo conhecimento das minhas idiossincrasias.

Lá terei de esperar, que chatice. Não se pode confiar em ninguém, caramba.

Hélas!