segunda-feira, 18 de maio de 2009

Felicidade


A felicidade é estranha coisa. Contra tudo e todos, pode residir onde há seca e murchar sob os cuidados do mais vigilante e atento jardineiro.

Não sei, honestamente não sei: é melhor viver 2 meses em felicidade imaginada e sem suporte real ou 2 anos sob os cuidados do jardineiro vigilante, chato como um raio mas que aduba a terra e vigia o desenvolvimento?

Não sei. Quem me dera saber.

Hélas!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O dia das rimas


Onze é dia de poesia,
Gritou-me o calendário;
Mas eu estava vazia
de qualquer abecedário.

Não há nada a dizer
De novo neste mundo...
E até o meu querer
morre lá bem no fundo.

Dormita, alma febril
Sonha palavras sem letras.
Esquece de vez o vil
desenho de linhas pretas.

Xanax, rica alminha,
Esquece o mundo exterior
Sê feliz rei ou rainha
No nada do teu interior.

Hélás!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Muitos anos a virar frangos


Hoje perguntaram-me "Porquê?". Eu comecei a explicar, mas de repente apercebi-me que quem me perguntou estava já a ilustrar o que eu estava ainda a contar com histórias suas, para eu ouvir... E tenho a certeza que eu própria já fiz isto.

É este o retrato da idade: quando perguntamos alguma coisa, o que na verdade queremos é constatar publicamente que alguns episódios da nossa vida se ajustam perfeitamente. Há diferenças, claro, mas são irrelevantes.

Já vimos tudo, vivemos tudo... De tudo temos experiência própria ou se não própria pelo menos próxima.

Que maçada. Tenho mesmo de me virar para a cerâmica, não percebo nada de cerâmica.

Hélas!

sábado, 9 de maio de 2009

Limonada?!?


"A vida só te dá limões? Faz limonada."

Sempre me irritou este dito, se calhar porque não gosto de limonada. Prefiro o meu:

"A vida só te dá limões? Continua a plantar laranjeiras até alguma pegar."

Mas reconheço que é muito mais cansativo.

Hélas!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Teoria da conspiração


Há um tipo com um projecto qualquer (pode ser construir uma casa, pode ser montar um negócio, pode ser qualquer coisa que tenha princípio, meio e fim). O projecto não é simples mas também não é nada de fantástico.

O tipo, que até tem alguma experiência no ramo, planeia a coisa, previne os contratempos habituais neste tipo de projecto, fala com todos os envolvidos para garantir que o pessoal está todo de acordo com o que precisa de ser feito, enfim, o normal das boas práticas.

Mas o projecto não corre bem. As coisas mais simples não se desenrolam conforme o previsto e aparecem maus imprevistos a torto e a direito. Há enganos, com más consequências, há pequenos incumprimentos deste e daquele.

O tipo, que mantêm o desenrolar das acções sob estreito controlo, aplica medidas, volta a conversar com todos, altera processos, busca ajuda, enfim, utiliza toda a sua experiência para controlar a derrapagem e devolver ao projecto um desenvolvimento normal.

Não consegue. Continuam a ocorrer, dia a dia, pequenas contrariedades que, apesar de diferentes umas das outras e não especialmente graves, vão-se acumulando e arrastando o projecto para cada vez mais fundo.

Pergunta: deve o tipo começar à procura de uma entidade desconhecida com objectivos maldosos? Ou a teoria da conspiração nunca faz sentido?

Hélas!

sábado, 25 de abril de 2009

O círculo


Para quem não sabe o que é um círculo, eu explico: é um caminho em que por mais que se ande, não se chega a lado algum. Um círculo pode ter início mas não tem fim - depois de fechado, quem nele anda está condenado a andar por toda a vida sem nunca sair do mesmo sítio.

Eu em tempos pensava que um círculo se podia romper sem violência, com uma acção determinada e consciente, delicada mas definitiva. Parece que não, afinal.

É a terceira vez que tento (dizem que à terceira é de vez, não dizem?) e, tal como das outras vezes, o Universo actua e dou comigo no mesmo podre e familiar trilho.

Ainda não desisti - persistência é o meu nome do meio - mas a próxima tentativa terá de ser violenta e destrutiva. Não sei se sobrevivo inteira mas apodrecer em vida parece-me bem pior.

Hélas!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Uma dúvida tortuosa


Anda-me a moer uma rebuscada questão (se não fosse rebuscada nem seria minha, né?) e que é a seguinte: como se consegue (admitindo que tal é possível, claro) um retrato realista de nós próprios?

A nossa auto-estima é importante mas altamente polarizada, como é óbvio. Também é perfeitamente óbvio que, se estivermos sózinhos no nosso quintal ou, vá lá, acompanhados de crianças, seremos de certeza os maiores da cantareira (neste caso, cantareira = o NOSSO quintal).

Também é certinho como a noite que todos nós olhamos de forma diferente para nós próprios e as nossas questões e para os outros e as questões deles - pode ser exactamente a mesma situação mas é diferente quando somos nós uma das partes interessadas, não é?

Feitas todas as reticências, como diacho conseguimos nós uma fotografia fiável das nossas rugas? E sem um imagem fiável, como raio é que se acerta com o creme anti-rugas?!? Às tantas, estamos a pôr creme onde a pele é suave e lisa e fica seco e destratado, aquele canyon ali mesmo ao pé!

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amigos


Telefonaram-me: era preciso ir almoçar.

Eu não ando com pachorra, ensaiei uma desculpa até muito boa porque verdadeira, "muito trabalho, uma reunião e um relatório para entregar antes das 15:00"... "Não", disseram-me do lado de lá, "Tem paciência mas é preciso, é mesmo necessário. Desculpa lá mais esta chatice, logo agora, mas tem mesmo de ser. É muito importante, tens mesmo de vir".

O que tem de ser tem muita força, de modo que fui almoçar.

Deram-me conversa fiada ao sabor dos meus humores, atenção e muita, muita amizade. Delicadamente. Com elegância. Sem parecer, sequer. Uma lição que tinha de ser.

Cruzei-me com eles pela primeira vez há anos, mal sabia eu o privilégio. Nessa altura, desconhecia por completo o almoço de hoje, juro. Há malta como eu, com muita sorte.

Hélas!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Incompreensão


Há coisas que pura e simplesmente não compreendo. E juro que tento, a sério que sim.

  • Como raio é possível ter direito a qualquer coisa se não existe ninguém com a obrigação de a fornecer?
  • Como é que uma pessoa pode pensar que uma máquina vulgar, como um carro ou uma fotocopiadora, "tem personalidade"?
  • Como diacho se consegue pensar que a bondade e a justiça são compatíveis ou, pior ainda, são a mesma coisa?
  • Como é que uma pessoa de QI normal pode julgar possível que a Humanidade "aprenda" a não utilizar o saber que lhe demorou séculos a adquirir?
  • Como...

Chega. Daqui a bocado estou a escrever sózinha a Wikipédia do des-saber. Ora batatas!

Hélas!

sábado, 11 de abril de 2009

Cegarrega


Não quero o luar
de luz fugidia
Quero brincar
à luz do dia.

Quero alegrias,
Não quero tristezas,
Quero que rias
De tristes certezas.

Não quero sonhar
a Vida impossível
Quero é gozar
c'o medo terrível.

Não quero saber
Da luz das velas
Quero é viver
Com as sequelas.

Quero brincar
à luz do dia
Morte e declínio
Mas com ironia.

Hélas!