quarta-feira, 22 de abril de 2009

Uma dúvida tortuosa


Anda-me a moer uma rebuscada questão (se não fosse rebuscada nem seria minha, né?) e que é a seguinte: como se consegue (admitindo que tal é possível, claro) um retrato realista de nós próprios?

A nossa auto-estima é importante mas altamente polarizada, como é óbvio. Também é perfeitamente óbvio que, se estivermos sózinhos no nosso quintal ou, vá lá, acompanhados de crianças, seremos de certeza os maiores da cantareira (neste caso, cantareira = o NOSSO quintal).

Também é certinho como a noite que todos nós olhamos de forma diferente para nós próprios e as nossas questões e para os outros e as questões deles - pode ser exactamente a mesma situação mas é diferente quando somos nós uma das partes interessadas, não é?

Feitas todas as reticências, como diacho conseguimos nós uma fotografia fiável das nossas rugas? E sem um imagem fiável, como raio é que se acerta com o creme anti-rugas?!? Às tantas, estamos a pôr creme onde a pele é suave e lisa e fica seco e destratado, aquele canyon ali mesmo ao pé!

Isto é só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amigos


Telefonaram-me: era preciso ir almoçar.

Eu não ando com pachorra, ensaiei uma desculpa até muito boa porque verdadeira, "muito trabalho, uma reunião e um relatório para entregar antes das 15:00"... "Não", disseram-me do lado de lá, "Tem paciência mas é preciso, é mesmo necessário. Desculpa lá mais esta chatice, logo agora, mas tem mesmo de ser. É muito importante, tens mesmo de vir".

O que tem de ser tem muita força, de modo que fui almoçar.

Deram-me conversa fiada ao sabor dos meus humores, atenção e muita, muita amizade. Delicadamente. Com elegância. Sem parecer, sequer. Uma lição que tinha de ser.

Cruzei-me com eles pela primeira vez há anos, mal sabia eu o privilégio. Nessa altura, desconhecia por completo o almoço de hoje, juro. Há malta como eu, com muita sorte.

Hélas!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Incompreensão


Há coisas que pura e simplesmente não compreendo. E juro que tento, a sério que sim.

  • Como raio é possível ter direito a qualquer coisa se não existe ninguém com a obrigação de a fornecer?
  • Como é que uma pessoa pode pensar que uma máquina vulgar, como um carro ou uma fotocopiadora, "tem personalidade"?
  • Como diacho se consegue pensar que a bondade e a justiça são compatíveis ou, pior ainda, são a mesma coisa?
  • Como é que uma pessoa de QI normal pode julgar possível que a Humanidade "aprenda" a não utilizar o saber que lhe demorou séculos a adquirir?
  • Como...

Chega. Daqui a bocado estou a escrever sózinha a Wikipédia do des-saber. Ora batatas!

Hélas!

sábado, 11 de abril de 2009

Cegarrega


Não quero o luar
de luz fugidia
Quero brincar
à luz do dia.

Quero alegrias,
Não quero tristezas,
Quero que rias
De tristes certezas.

Não quero sonhar
a Vida impossível
Quero é gozar
c'o medo terrível.

Não quero saber
Da luz das velas
Quero é viver
Com as sequelas.

Quero brincar
à luz do dia
Morte e declínio
Mas com ironia.

Hélas!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Idade


Sabem porque é que a partir de certa altura a idade é relevante?

Porque depois de uns anitos, o pessoal dá-se conta que gostaria de fazer isto ou aquilo e não pode - mas poderia se tivesse menos 15 ou 20 anos.

O que é irrelevante é o facto de que quando se tinha menos 15 ou 20 anos não era isso o que se queria fazer.

O inconsciente é um gajo tramado, com muitos anos a virar frangos. Come-nos a todos ao pequeno-almoço e ainda pede sobremesa. O safado!

Hélas!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aniversário


Por muitas e variadas razões, este é diferente.

Caramba, que depois de tantos anos de vida, julguei que já não tinha direito a estreias... Afinal parece que sim, que ironia.

Hélas!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Há dias...


De manhã tive uma notícia inesperadamente má. Fiquei desapontada.

De tarde, tive uma outra que era bem pior do que o que eu esperava. Desmoralizou-me.

À noite tive uma discussão estéril com alguém que me acusava injustamente e quando me defendi - algo irritada, confesso - a pessoa ficou tão triste e desamparada que me apeteceu morder a língua.

Ora batatas! Quando é que raio chega o Ano Novo?!?

Hélas!

domingo, 5 de abril de 2009

Quem conta um conto acrescenta um ponto


Para ilustrar o título, cá vai: divide-se um grupo em 2; ao primeiro, conta-se uma história simples, do tipo "a menina vestiu a saia vermelha e calçou os sapatos castanhos, saiu à rua a correr, escorregou e caiu.
Levantou-se, viu que tinha o joelho todo esfolado e começou a chorar; foi a coxear pelo passeio, e patatá, patatá...". Uma história simples mas comprida, recheada de pormenores concretos (a saia vermelha, os sapatos castanhos) e recheada de pormenores indefinidos (porque é que corria, estaria atrasada ou simplesmente lhe apetecia correr? Escorregou em quê?).

A seguir, pede-se a cada pessoa que conte a história a um elemento do grupo que não ouviu a versão inicial. Depois, pede-se a estes que a escrevam num papel. Finalmente, reune-se toda a gente na mesma sala e lêem-se as versões escritas.

Nunca fiz pessoalmente a experiência mas já li em diferentes locais os resultados e são absolutamente espantosos, em várias vertentes:

  • As histórias são todas diferentes entre si e diferentes do original;
  • Ninguém sabe onde nasceram os erros, se da pessoa que ouviu a primeira versão se da pessoa que ouviu a segunda versão - mas ambas estão convencidas que foi o outro que se enganou;
  • Se se voltar a fazer a mesma experiência com as mesmas pessoas e uma história diferente, o resultado repete-se.
Não acham que as pessoas são fascinantes?

Hélas!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1 de Abril


Hoje é dia de mentiras e voilá! Eu até gosto de tradições inocentes...

Tive uma epifania: A vida é simples mas as pessoas são complicadas.

Gostaram? Bom, tenham paciência mas para o ano há mais.

Hélas!

domingo, 29 de março de 2009

O ano aziago de 2009


Já leram as crónicas do Luís Filipe Borges, na TABU? Chama-se PORTUGAL REVISTO E AUMENTADO e o magano diz coisas muito interessantes. Vão ao barbeiro/cabeleireiro na semana que vem e podem ler à borla, vale a pena se o barbeiro/cabeleireiro for minimamente decente.

Este Sábado, depois de algumas fotografias fascinantes, dizia ele: "(...) conversa entremeada de mortes e separações, doenças e convulsões, a triste sina de 2009. Está aí a Primavera e já morreram demasiadas andorinhas, diz alguém".

Ora batatas, pensei eu, tenho de começar a patentear o que me anda na tola para ver se fico rica, porque a 14 de Janeiro já eu proclamava a triste sina de 2009, ano aziago!

Ou isso ou monto uma funerária de andorinhas.

Hélas!