quarta-feira, 15 de abril de 2009

Incompreensão


Há coisas que pura e simplesmente não compreendo. E juro que tento, a sério que sim.

  • Como raio é possível ter direito a qualquer coisa se não existe ninguém com a obrigação de a fornecer?
  • Como é que uma pessoa pode pensar que uma máquina vulgar, como um carro ou uma fotocopiadora, "tem personalidade"?
  • Como diacho se consegue pensar que a bondade e a justiça são compatíveis ou, pior ainda, são a mesma coisa?
  • Como é que uma pessoa de QI normal pode julgar possível que a Humanidade "aprenda" a não utilizar o saber que lhe demorou séculos a adquirir?
  • Como...

Chega. Daqui a bocado estou a escrever sózinha a Wikipédia do des-saber. Ora batatas!

Hélas!

sábado, 11 de abril de 2009

Cegarrega


Não quero o luar
de luz fugidia
Quero brincar
à luz do dia.

Quero alegrias,
Não quero tristezas,
Quero que rias
De tristes certezas.

Não quero sonhar
a Vida impossível
Quero é gozar
c'o medo terrível.

Não quero saber
Da luz das velas
Quero é viver
Com as sequelas.

Quero brincar
à luz do dia
Morte e declínio
Mas com ironia.

Hélas!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Idade


Sabem porque é que a partir de certa altura a idade é relevante?

Porque depois de uns anitos, o pessoal dá-se conta que gostaria de fazer isto ou aquilo e não pode - mas poderia se tivesse menos 15 ou 20 anos.

O que é irrelevante é o facto de que quando se tinha menos 15 ou 20 anos não era isso o que se queria fazer.

O inconsciente é um gajo tramado, com muitos anos a virar frangos. Come-nos a todos ao pequeno-almoço e ainda pede sobremesa. O safado!

Hélas!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aniversário


Por muitas e variadas razões, este é diferente.

Caramba, que depois de tantos anos de vida, julguei que já não tinha direito a estreias... Afinal parece que sim, que ironia.

Hélas!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Há dias...


De manhã tive uma notícia inesperadamente má. Fiquei desapontada.

De tarde, tive uma outra que era bem pior do que o que eu esperava. Desmoralizou-me.

À noite tive uma discussão estéril com alguém que me acusava injustamente e quando me defendi - algo irritada, confesso - a pessoa ficou tão triste e desamparada que me apeteceu morder a língua.

Ora batatas! Quando é que raio chega o Ano Novo?!?

Hélas!

domingo, 5 de abril de 2009

Quem conta um conto acrescenta um ponto


Para ilustrar o título, cá vai: divide-se um grupo em 2; ao primeiro, conta-se uma história simples, do tipo "a menina vestiu a saia vermelha e calçou os sapatos castanhos, saiu à rua a correr, escorregou e caiu.
Levantou-se, viu que tinha o joelho todo esfolado e começou a chorar; foi a coxear pelo passeio, e patatá, patatá...". Uma história simples mas comprida, recheada de pormenores concretos (a saia vermelha, os sapatos castanhos) e recheada de pormenores indefinidos (porque é que corria, estaria atrasada ou simplesmente lhe apetecia correr? Escorregou em quê?).

A seguir, pede-se a cada pessoa que conte a história a um elemento do grupo que não ouviu a versão inicial. Depois, pede-se a estes que a escrevam num papel. Finalmente, reune-se toda a gente na mesma sala e lêem-se as versões escritas.

Nunca fiz pessoalmente a experiência mas já li em diferentes locais os resultados e são absolutamente espantosos, em várias vertentes:

  • As histórias são todas diferentes entre si e diferentes do original;
  • Ninguém sabe onde nasceram os erros, se da pessoa que ouviu a primeira versão se da pessoa que ouviu a segunda versão - mas ambas estão convencidas que foi o outro que se enganou;
  • Se se voltar a fazer a mesma experiência com as mesmas pessoas e uma história diferente, o resultado repete-se.
Não acham que as pessoas são fascinantes?

Hélas!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1 de Abril


Hoje é dia de mentiras e voilá! Eu até gosto de tradições inocentes...

Tive uma epifania: A vida é simples mas as pessoas são complicadas.

Gostaram? Bom, tenham paciência mas para o ano há mais.

Hélas!

domingo, 29 de março de 2009

O ano aziago de 2009


Já leram as crónicas do Luís Filipe Borges, na TABU? Chama-se PORTUGAL REVISTO E AUMENTADO e o magano diz coisas muito interessantes. Vão ao barbeiro/cabeleireiro na semana que vem e podem ler à borla, vale a pena se o barbeiro/cabeleireiro for minimamente decente.

Este Sábado, depois de algumas fotografias fascinantes, dizia ele: "(...) conversa entremeada de mortes e separações, doenças e convulsões, a triste sina de 2009. Está aí a Primavera e já morreram demasiadas andorinhas, diz alguém".

Ora batatas, pensei eu, tenho de começar a patentear o que me anda na tola para ver se fico rica, porque a 14 de Janeiro já eu proclamava a triste sina de 2009, ano aziago!

Ou isso ou monto uma funerária de andorinhas.

Hélas!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma questão de temperatura


Bom, toda a gente sabe que há dias para esquecer.

Dias que correm mal, de manhã à noite. Aqueles dias em que suspiramos por ir dormir, para ver se a sorte aziaga se perde de nós no escuro.

Nesses dias, temos o pavio muito curto, não é? Explode-se sem razão para isso - diacho, razões até há muitas, não têm é nada a ver com o que se passa no momento ou com quem tem o azar de estar à nossa frente a bocejar...

Tão alerta que estou para este fenómeno, já tenho um reflexo quase condicionado: quando a minha própria temperatura começa realmente a subir, caem as persianas da alma. Fico assim tipo boi de olhos mornos e ouço tudo com uma impessoalidade total, incluindo insinuações maldosas, falsos factos, acusações injustas ou mesmo insultos. Raramente fico alterada - quanto mais grave o conflito, mais grossas as persianas descidas.

Parece até bom, não parece? O problema é que normalmente também tomo decisões. São usualmente definitivas e impermeáveis a qualquer raciocínio posterior, por muito razoável e sensato que possa parecer. 99,999% das vezes a decisão é definitivamente definitiva (só me lembro uma vez na vida de ter voltado atrás numa decisão deste tipo e foi por causa de uma paciência absolutamente de santo, uma persistência pior que uma pastilha elástica no cabelo, tudo aliado a uma delicadeza quase oriental).

A temperatura, embora pareça baixa, na realidade está alta. Queima-se o pavio e é a cera que está a ser consumida, em chama alta ainda que invisível - é assim.
Em outros vejo reacção diferente, esbravejam, discutem e cospem, são tão emocionais, subjectivos, pouco racionais! As tais minhas decisões inamovíveis podem não ser as melhores mas são racionais e objectivas.
E depois, quem cospe, esbraveja e se ofende, 3 dias depois parece ter esquecido tudo - o ultraje escafedeu-se no éter, desapareceu e não deixou descendência. Já comigo, o conflito que fez descer as persianas jamais é esquecido, mesmo que não tenha sido pessoal. Não sou rancorosa, não sou mesmo, e também não faço minhas as dores alheias. Mas não me esquece, ainda que não tenha sido comigo, o que me fez subir a temperatura.

A que propósito vem isto? Bem, é que me deu para a introspecção e surgiu a pergunta: será realmente melhor isto que desatar a insultar o pirralho que me tocou num ombro, na fila do autocarro?

Deixo-vos a questão. Não sei o que parece mas garanto que não é nada simples.

Hélas!

domingo, 22 de março de 2009

Cogitações


Andei aqui a cogitar (é um perigo, acreditem!).

Pensei nas mil acções que temos diariamente, algumas inconscientes e mecanizadas, outras pensadas no foro racional e lógico, outras de natureza puramente emocional...

São tão raras, as acções concertadas, não acham?

Há quanto tempo não pondero uma determinada acção levando em conta todas as suas componentes? Tendo em conta, analisado, pesado e medido, as suas consequências estritamente racionais, estritamente sociais, estritamente familiares, estritamente emocionais, e - o pesadelo - todas as interacções destas coisas todas?

Ora batatas. Quando eu era uma jove inconciente dizia que uma pessoa realmente feliz tinha de ser um bocado estúpida (para não se aperceber da infelicidade existente no resto do mundo, que certamente toldaria a sua própria). Hoje, bem mais velha, refino: para uma pessoa ser tranquilamente segura de si própria tem de ser completamente tapada no que diz respeito às suas próprias insuficiências.

Batatas, batatas, batatas. Até tenho medo do que eu própria direi, daqui a uns anos.

Hélas!