sábado, 7 de março de 2009

Os bons velhos tempos


Toda a gente gosta d"os bons velhos tempos". Sonha-se com eles, tem-se saudades... Quem se lembra já de que na altura não os achou assim tão bons?!

Ora batatas! Virão no futuro óptimos tempos, embora estejam destinados a serem, também eles, velhos. Mas neste momento não são, são não-nascidos ou seja, ainda mais novos que os novos - mas serão bons na mesma, tenho a certeza.

Abramos os olhos para "os bons actuais e futuros tempos", para os gozarmos, ao invés de apenas nos lembrarmos deles com saudade, quando já forem velhos e fora de prazo.

Para já, aproveitem este glorioso dia de sol.

Hélas!

terça-feira, 3 de março de 2009

Flores


== Dados os comprovados erros de ortografia, acorro prestes à devida correcção. Ora batatas! ==

Tenho a casa cheia de flores e cheiram bem.

Não faço a mais pequena ideia se o agradável cheiro é mais do que uma agonia floral mas isso não me preocupa - o que me preocupa é o facto de isso não me preocupar.

É real e normal, sermos completamente insensíveis a coisas distantes. Uma flor é distante, não é? Ou não é e eu é que me distancio do que não me interessa nesta altura?

Ora batatas, devia haver um interruptor para este tipo de elucubrações. Caramba, agora preocupo-me por não me preocupar?!? Isto já é vício!

Hélas!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

É tarde! É tarde!


Ultimamente faço tudo tarde e a más horas.

Ando a correr daqui para ali, pareço uma barata tonta de Sheltox - e permanece o facto de chegar sempre tarde e responder a más horas... Além de, ainda por cima, aparecer a ofegar da famosa pressa do atrasado. Uma figura patética e ainda por cima, cansada! Ora batatas, até parece que não conheço o efeito descansador de um cigarrito fumado em 3,5 minutos. Uma vergonha, uma verdadeira vergonha.

Isto preocupa-me um pouco: tarde e a más horas não é melhor que nunca, como toda a gente sabe; há muita coisa que ou vem a horas ou até era melhor que se escafedesse no éter. Acho que nem conheço nada concreto que seja melhor tarde que nunca, além do ditado - ou se calhar esqueci-me neste momento, não há mal, depois lembro-me de certeza. Mas amanhã ou se calhar depois de amanhã, tenho mesmo de analisar esta questão com maior cuidado.

Rais parta isto, vou comprar um frasco de vitaminas. Daqui a bocadinho vou à farmácia ou, se a coisa não der, vou durante a semana que vem. Juro.

Hélas!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Uma história de Natal


Meados de um Fevereiro passado, um frio de rachar.

O miúdo pequeno, 5 ou 6 anos, estava na rua pela primeira vez, via-se. Notava-se na confiança com que se aproximava, na expressão inocentemente triste com que recebia as respostas dos condutores. A roupinha quase nova e muito limpa atestava um cuidado familiar amoroso que o tinha preparado para o serviço. Lembram-se quando vestiram a vossa cria para ir para a escola pela primeira vez? Era a mesma coisa.

Vendia pensos rápidos e agendas "baratinho, menina, baratinho!..."

Eu não quis. O sinal mudou para verde, eu arranquei - até hoje, passados anos, perseguem-me aqueles olhos enormes, inocentemente incrédulos na sua incompetência em ajudar a por o pão na mesa e a lenha na lareira.

Teria 6 anos se tanto e levarei a imagem da sua face comigo eternamente.

Não me venham com tangas de que "é necessário que perceba que isso não é vida" - a verdade é que um criança tão pequena não devia ter os sonhos desfeitos à beira de um semáforo, num Fevereiro tão frio. Tudo o resto são justificações do nosso egoísmo - hoje, não tenho qualquer dúvida que o que Dante nunca teve coragem de escrever é que há um nível no Inferno onde simplesmente somos olhados por incrédulos olhos inocentes.

Hélas!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Filosofias II


A filosofia é aquilo que nos permite sofrer nobremente.

A mais iníqua dor de barriga, fruto de excessos na véspera se calhar, torna-se reveladora de dores mais nobres e elevadas, que questionam a contigência do ser, a Natureza Humana, a alegoria da caverna e outros profundos assuntos.

O desgosto de não ter ganho a lotaria funde-se uno com a necessidade do ser vivo de gratificação e a felicidade de achar dinheiro no chão confunde-se com a satisfação de alcançar um objectivo, confuso e difuso como nos é habitual.

Quando eu peroro do alto do meu caixote que o Homem é um ser racional não pensem que estou com dores de barriga. Não, apenas reconheço que o Homem tem a necessidade intrínseca de justificar as dores de barriga que tem - a começar por mim, dá a volta ao mundo e acaba no meu vizinho do lado...

Se não as puder justificar nobremente, o Homem nega-as. E todos sabemos que há dores de barriga muito difíceis de negar, ao passo que filosofar acerca de dores - barrigais ou não - é simples, ocorre-nos naturalmente e facilita muito.

Penso que isto é uma coisa boa e que impele a Humanidade em frente, em vez de cada homem se agachar simplesmente atrás de um arbusto... É sempre bom por qualquer coisa mais a funcionar além do intestino - é uma questão de racionalização de investimento, estão a ver?

Hélas!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Uma bola de papel


Olhei para a folha de papel meio amarfanhada e ocorreu-me de repente que para se ser feliz seria suficiente encarar a vida como encaramos a folha: não acertámos no cesto e a bola de papel caiu no chão.

Não acertámos no cesto, é verdade, mas e então? Se tivéssemos acertado no cesto era giro, não acertámos e foi giro tentar.

Não acertámos no cesto mas nem o cesto nem a bola desapareceram e se quisermos, podemos sempre fazer o esforço de levantar o rabo da cadeira, ir buscar o papel e tentar novamente.

Não acertámos no cesto mas isso não adianta nem atrasa à natureza do cesto, ou da bola de papel, ou mesmo da nossa natureza.

Parece tão fácil, não parece? Ora batatas.

Hélas!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A contingência da Vida


É tudo tão difícil, as circunstâncias são desencorajadoras, a idade não perdoa...

Pois, pois, sei isso tudo. Também sei que é muito mais difícil aguentar os outros que aguentarmo-nos a nós próprios e tenho plena consciência que os frágeis que amamos são ou serão uma tremenda fonte de preocupação, trabalhos e desgostos.

Sim, também sei que não é justo, nada disto nos faz justiça a nós, fortes, direitos, que somos como alguém deve ser... Raios partam os outros (aqueles que não são como nós), raios os partam a todos, mas então eles não vêem?!? Bolas, que cambada de parvos!

Sim, sim, a vida dói a todos mas dói a uns mais que a outros, também sei isso. E a nós dói sempre mais, sabe-se lá porquê... O Outro ou é parvo, estúpido mesmo, ou frágil, ou doente, ou pior ainda, indefeso - o certo é que é a nós que dói mais, a eles dói também mas menos e além de tudo são assim: contam sempre com ajuda de terceiros. Além de que, invariavelmente, não percebem nada e julgam que são donos da Razão.

Cheguei - mais uma vez - à mesma conclusão que antes: cuidado com a nossa própria vaidade e auto-convencimento. É de longe, o maior e mais insidioso defeito.

Raios nos partam a nós.

Hélas!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Arrefeceu


Que culpa tenho eu, que ultimamente até ando de casaco e tudo?!?

É a conjuntura, malvada conjuntura. Houvesse uma bruxa má que rogasse uma praga verdadeiramente horrorosa à conjuntura.

Estou farta da conjuntura. Nem acredito que não posso fazer nada para torcer o pescoço à dita, só coisas que me ralam.

Hélas!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O sol é quente


Está um glorioso dia de sol, neste inverno tão frio e chuvoso.

Mesmo sem sair de casa, olho pela janela e a alegre luz ilumina-me a alma. Não percebo como, sendo assumidamente notívaga, me faz tanta falta a alegria da quente luz do sol... Parece que só dou por isso quando a vejo mas esta luz traz consigo força, alegria e esperança.

Esta luz faz-me falta, sim - mas hoje não, que está um glorioso dia de sol.

Hélas!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ainda bem que sou Carneiro


Empresa recruta empregados consoante o signo astrológico: A oferta de emprego de uma companhia austríaca é clara: só se aceitam candidatos dos signos Capricórnio, Touro, Aquário, Leão ou Carneiro.[Expresso]

Já sabia que há muita gente que acredita na astrologia mas é a primeira vez que vejo esta fé...

Hélas!