A coisa passa-se assim: estou eu com os meus azeites, a boca azeda da limonada, viro-me estúpidamente agressiva a quem não me fez mal (é sempre assim, não é? Reflexão para outro artigo, caramba que tenho mesmo de aprender a tomar notas!) e, em vez da óbvia reação defensiva, obtenho... Um sorriso quente. Uma frase gentil. Uma coisa assim de quem nem notou a agressividade, a violência gratuita e vil.
É um bocadito difícil de explicar mas imaginem que estão zangados com o mundo e dão um encontrão a alguém e esse alguém, em vez de se firmar nos pés para não cair, estende o braço e tenta ajudar no que lhe parece um desiquilíbrio, não um encontrão. É completamente diferente de quem sentiu e quis perdoar, não tem nada a ver com alguém que pesou, mediu e decidiu que não se devia zangar. É uma coisa diferente, um impulso natural.
Nessa situação, olhem, eu liquefaço-me... Enrola-se-me a língua, o coração aquece, os pés fraquejam e o juízo volta a si. Mas, pensando bem... Será que reparo sempre ou depende da limonada? Quantas vezes terei eu empurrado brutamente alguém sem notar e sem notar passei por cima do sorriso gentil e da frase calorosa? Ajudando, com a minha falta de atenção, à extinção de uma espécie milagrosa?
Caramba, uma pessoa pode tão facilmente dar em doida.
Hélas!