quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O ano da graça de 2009


Eu não sei se de facto está, mas este ano parece enguiçado e ainda só vamos a meio de Januarius.

Uma vez houve uma bruxa numa feira que não me quis ler a mão, será que viu lá o ano da graça de 2009 e não me quis alarmar? Na altura pensei que a velhota se tinha esquecido dos óculos na roullotte e teve vergonha de o dizer, mas agora já nem sei.

Ando a faltar às aulas dos meus estudos superiores, será que chumbo ou passo administrativamente? Tenho que mandar um leitãozito ao júri, pode ser que ajude a tomar uma decisão, em vez de ficarem a olhar uns para os outros com ar de parvos.

Ora batatas, só coisas que me ralam.

Hélas!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Frio

Considerem por favor que hoje é ontem, dia 11...

Sopra um vento frio de Norte,
ou pode ser de Sul, sei lá,
Mas sei que sopra e que é frio.

Conduz as tombadas folhas
Num insensato bailado
vazio de sentido e de vida.

Gela o que pode gelar.
Varre o que pode varrer.
Mata o que pode matar.

Sopra um vento frio de Norte,
E eu que estou sem casaco!


Hélas!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Prioridades


Valores mais altos se alevantaram e ando sem disponibilidade mental para qualquer outra coisa além de quem me preocupa e de quem me apoia e conforta...

Lamento; peço desde já desculpas a quem me segue e a quem eu sigo mais ou menos activamente nesta existência digital - uma existência simultâneamente real e virtual; adoro esta dualidade, confesso - mas a minha presença, nos tempos mais próximos, será fatalmente limitada ou nula.

Paciência. Amanhã é outro dia, são 24 horas inteirinhas para mudar o curso à vida. Ou mantê-lo. 

Hélas!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Estudos superiores


Andamos sempre tão emaranhados no passado (recente, muito recente, claro, que mais curto que a memória só mesmo a gratidão) e no futuro (próximo, muito próximo, claro, que mais curto que uma previsão só mesmo uma boa intenção) que nos esquecemos muitas vezes de gozar o dia na exacta altura em que passa.

Porque sou muito esperta e percebi isto, ando a estudar a arte de apreender o momento que passa; no futuro estarei habilitada a aproveitar o dia, embora agora não tenha tempo para isso porque no passado fui parva e não estudei a coisa.

Hélas!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Incoerências


O cristão devoto dá uma tareia ao ladrão da sua casa, em vez de o convidar a entrar e oferecer-lhe duche, cama e mesa. Depois se calhar vai confessar-se, pedir a absolvição. Embora no íntimo saiba que voltará a fazer exactamente o mesmo se tornar a acontecer, e sabendo embora que assim não o pode ser, acredita que foi perdoado.

o Manel refila com o polícia que o impede de estacionar onde lhe apetece e refila a seguir com a ausência dum polícia que impedisse a Manela de estacionar onde lhe apeteceu.

O muçulmano que forra o sobretudo com bombas para ir explodir a escola berra indignadíssimo contra a brutalidade da coisa, quando uma bomba lhe entra pela janela.

O Jaquim vocifera impropérios ao condutor do carrito que se lhe meteu à frente mas farta-se de rosnar quando quer entrar numa faixa e não lhe dão passagem, e mete-se de chofre.

A raça humana é um contra senso. Os seus elementos elogiam a civilidade, continuam na idade da pedra, do pau e da moca e julgam que são donos da razão absoluta.

Excepto eu, nunca eu. Eu sou a excepção que confirma a regra, como é óbvio.

Hélas!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009


Passei o ano a dançar, como manda uma já longa tradição. Não comi passas porque não gosto e sou céptica, mas à meia noite brindei com champanhe "à nossa!" com quem já me atura há já montanhas de tempo.

Telefonei à cria fora de tempo, porque a network is busy, rais parta a rede móvel. Estou cansada, zumbem-me os ouvidos com a música demasiado alta e doem-me os pés por falta de prática. É tarde, mas não tenho sono. Estou feliz.

Hoje é o primeiro dia de uma ano novinho em folha.Sejam felizes este ano, faxavor.

Hélas!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008


Neste ano da graça de 2008 desejo a todos que não vos falte a pachorra para aturar os 365 dias que vão começar a chegar amanhã e que não vos falte a energia para dizer adeus aos que acabam de se ir embora hoje.

Nesses dias futuros, por favor façam asneiras e coisas acertadas. Leiam, falem, escrevam, dancem, chorem, riam e comam gelados.

Sejam felizes.

Tchim, tchim, à vossa!

Hélas!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Floresta de betão


Asseguraram-me que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela. Sinceramente não sei se isto é uma boa notícia, porque eu moro no 10º andar.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ás vezes precisava da cauda


Andei aqui a pensar, a pensar, a pensar mas não consigo chegar a uma conclusão; e isso, como sabe quem me conhece, é pura tortura.

Haverá alguém que me possa dar uma explicação satisfatória para o facto de só termos duas mãos e mesmo assim, termos dispensado a cauda preênsil?

Hélas!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Criação


Estive a ver um documentário sobre a criação de cães de raça. É impressionante: o Homem põe o seu engenho e perseverança a trabalhar e consegue imitar a Natureza, reforçando umas características e fazendo quase desaparecer outras. Espantoso.

Depois emerge uma outra característica humana - está completamente a borrifar-se para o facto dessas manipulações prometerem uma vida curta e de sofrimento ao bicho: o que interessa é que seja bonito (?!?) e ganhe o concurso de beleza canina.

Embora diferente, é a mesma lógica da malta anoréctica.

Acho que o que realmente distingue a raça humana dos outros bichos é colocar uma suposta beleza à frente de tudo, saúde e razão incluídas. Raio de raça, a nossa.

Hélas!