sábado, 3 de janeiro de 2009

Estudos superiores


Andamos sempre tão emaranhados no passado (recente, muito recente, claro, que mais curto que a memória só mesmo a gratidão) e no futuro (próximo, muito próximo, claro, que mais curto que uma previsão só mesmo uma boa intenção) que nos esquecemos muitas vezes de gozar o dia na exacta altura em que passa.

Porque sou muito esperta e percebi isto, ando a estudar a arte de apreender o momento que passa; no futuro estarei habilitada a aproveitar o dia, embora agora não tenha tempo para isso porque no passado fui parva e não estudei a coisa.

Hélas!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Incoerências


O cristão devoto dá uma tareia ao ladrão da sua casa, em vez de o convidar a entrar e oferecer-lhe duche, cama e mesa. Depois se calhar vai confessar-se, pedir a absolvição. Embora no íntimo saiba que voltará a fazer exactamente o mesmo se tornar a acontecer, e sabendo embora que assim não o pode ser, acredita que foi perdoado.

o Manel refila com o polícia que o impede de estacionar onde lhe apetece e refila a seguir com a ausência dum polícia que impedisse a Manela de estacionar onde lhe apeteceu.

O muçulmano que forra o sobretudo com bombas para ir explodir a escola berra indignadíssimo contra a brutalidade da coisa, quando uma bomba lhe entra pela janela.

O Jaquim vocifera impropérios ao condutor do carrito que se lhe meteu à frente mas farta-se de rosnar quando quer entrar numa faixa e não lhe dão passagem, e mete-se de chofre.

A raça humana é um contra senso. Os seus elementos elogiam a civilidade, continuam na idade da pedra, do pau e da moca e julgam que são donos da razão absoluta.

Excepto eu, nunca eu. Eu sou a excepção que confirma a regra, como é óbvio.

Hélas!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009


Passei o ano a dançar, como manda uma já longa tradição. Não comi passas porque não gosto e sou céptica, mas à meia noite brindei com champanhe "à nossa!" com quem já me atura há já montanhas de tempo.

Telefonei à cria fora de tempo, porque a network is busy, rais parta a rede móvel. Estou cansada, zumbem-me os ouvidos com a música demasiado alta e doem-me os pés por falta de prática. É tarde, mas não tenho sono. Estou feliz.

Hoje é o primeiro dia de uma ano novinho em folha.Sejam felizes este ano, faxavor.

Hélas!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008


Neste ano da graça de 2008 desejo a todos que não vos falte a pachorra para aturar os 365 dias que vão começar a chegar amanhã e que não vos falte a energia para dizer adeus aos que acabam de se ir embora hoje.

Nesses dias futuros, por favor façam asneiras e coisas acertadas. Leiam, falem, escrevam, dancem, chorem, riam e comam gelados.

Sejam felizes.

Tchim, tchim, à vossa!

Hélas!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Floresta de betão


Asseguraram-me que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela. Sinceramente não sei se isto é uma boa notícia, porque eu moro no 10º andar.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ás vezes precisava da cauda


Andei aqui a pensar, a pensar, a pensar mas não consigo chegar a uma conclusão; e isso, como sabe quem me conhece, é pura tortura.

Haverá alguém que me possa dar uma explicação satisfatória para o facto de só termos duas mãos e mesmo assim, termos dispensado a cauda preênsil?

Hélas!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Criação


Estive a ver um documentário sobre a criação de cães de raça. É impressionante: o Homem põe o seu engenho e perseverança a trabalhar e consegue imitar a Natureza, reforçando umas características e fazendo quase desaparecer outras. Espantoso.

Depois emerge uma outra característica humana - está completamente a borrifar-se para o facto dessas manipulações prometerem uma vida curta e de sofrimento ao bicho: o que interessa é que seja bonito (?!?) e ganhe o concurso de beleza canina.

Embora diferente, é a mesma lógica da malta anoréctica.

Acho que o que realmente distingue a raça humana dos outros bichos é colocar uma suposta beleza à frente de tudo, saúde e razão incluídas. Raio de raça, a nossa.

Hélas!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Estrelas


Há uma coisa que me preocupa verdadeiramente: porque diacho são só as estrelas cadentes que nos permitem formular desejos que serão transformados em realidade? Então não era muito mais razoável formular os desejos àquelas estrelas que, dia após dia, nos iluminam a noite com uma perseverança fantástica?! 

Com as cadentes é uma chatice. Nunca estão. Quando a malta olha já passaram ou ainda não. Além disso, onde é que as vamos encontrar quando quisermos reclamar que o desejo nunca se tornou realidade ou, pior ainda, que chegou mas é defeituoso?!?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tudo é relativo, não é?


Resolvi, nesta quadra da celebração da fraternidade entre os homens, recortar uns pedaços de uma notícia do Correio da Manhã, encurtando a cópia sem alterar o sentido:

Agredida na Consoada

Eram 04h00 quando uma vizinha começou a ouvir os sucessivos pedidos de socorro da mulher, de 42 anos. Foi chamada ao local uma patrulha da GNR que, à chegada, ainda ouviu a vítima gritar e pedir ajuda.

Segundo a mesma fonte, os militares foram recebidos "com injúrias e agressões", o que levou de imediato à detenção do homem, de 28 anos.

O agressor foi detido por desobediência e agressões à autoridade, assim como pelos indícios do crime de violência doméstica. Foi constituído arguido e, horas depois, já estava novamente em casa sujeito a Termo de Identidade e Residência (TIR)


Afinal é Natal, vá-se lá embora para casa homem, e quando matar a sua mulher de vez pelo menos não chame nomes à autoridade.

Hélas!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Tempus fugit


Todos aqueles que têm o hábito de me visitar de quando em vez se aperceberam que não dou uma para a caixa há uma semana... E estou de férias (do outro trabalho, quero eu dizer, do trabalho na empresa que me retribui com o pão de cada dia mais as filhoses no Natal)!

Não me perguntem por favor onde foram gastas todas aquelas horas que costumo gastar no emprego – em férias normalmente gasto grande parte delas a dormir, uma bênção! Mas no Natal nem isso, ando daqui para ali, tipo barata tonta, à procura do que não há, a perder o tempo que há e a pouca pachorra de que sou dotada. Chegada a casa, nem ânimo sobrevive para responder ao que entretanto se passa nos meus outros lugares de estimação, só dá para vegetar no SPA Homer Simpson.

Lamento mas, a julgar pela minha experiência, a coisa provavelmente fica assim tem-te-não-caias e só se resolve em 2009, com o regresso à rotina de não ter tempo para nada… Aí sim, haverá condições para viver normalmente.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos os meus visitantes uma noite alegre, pacífica e cheia daquelas porcarias que fazem imenso mal a tudo excepto ao espírito. Afinal, é melhor morrer pobre e doente que rico e com saúde

Hélas!