domingo, 14 de dezembro de 2008

A língua


Como já expliquei uma vez, dia 11 é dia de rimas.

Eu gosto de rimas, quer rimem quer não. Conseguem muitas vezes exprimir o inexprimível ou seja, conseguem que se partilhe qualquer coisa que não é realmente partilhável... Nomeadamente sentimentos. Que são comuns (toda a gente os tem) mas não são comuns (não os experimentamos nas mesmas situações nem com os mesmos estímulos).

Complicado, não é? Pois é. Acho que foi por isso que se inventaram as rimas. Elas conseguem explicar isto e outras coisas igualmente complicadas, difusas, indefinidas, controversas, disjuntas.

As rimas são uma coisa fantástica, é a 3ª melhor invenção da humanidade.

Hélas!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Dúvidas existenciais


Estive para aqui a tarde toda a matutar no assunto, nem dormi bem nem nada!

Se os homens e as mulheres não são da mesma raça mas sim simbiotas, como está mais que provado que são, porque diacho as fêmeas são tão maldosas com os machos?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O piloto


Eles vieram.
Andaram escada acima, escada abaixo pelo prédio, até descobrir o que procuravam.

-Hmmm... Vai ser complicado, mas faz-se.

Depois andaram a cirandar pela casa, espreitaram buracos e calhas técnicas, puseram-se de gatas e subiram a escadotes:

-Hmmm... Vai ser complicado, mas faz-se.

Adoro esta maneira de ser, confesso.

Depois viraram-se para mim e disseram, meio envergonhados (já passava das 19:30, estamos no inverno...):

- Fazia-lhe muto transtorno se viéssemos outra vez, assim mais de manhã? É que vai ser complicado. É claro que nós temos lanternas...

Ora batatas. Não me dá jeito nenhum, mas que se há-de fazer?!? Os homens precisam de luz.
Agendou-se nova visita, ser cobaia é uma seca.

Hélas!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

As palavras que nos tiram a razão


(Obrigada, Blimunda, por esta frase)

As palavras que nos tiram a razão,
doem como um corte de papel,
são leves mas duras como pedras,
são combate, discórdia e raiva.

As palavras que nos tiram a razão,
são noites de insónia, são desespero,
são terramotos e tsunamis,
são desassossego e medo.

As palavras que nos tiram a razão,
são prova do nosso engano,
são medida do nosso orgulho,
são água de quem não tem sede.

São impossíveis de entender,
As palavras que nos tiram a razão.

Hélas!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Saramago


(...) já vendeu, nos Estados Unidos, 1 milhão de livros (...), diz a TV em tom embevecido.

Estamos a falar numa população de cerca de 300 milhões de alminhas, lá pelos EUA (provavelmente, grande parte dos livros foi vendida depois do filme - feito por um primo brasuca, pois claro!, que exarcebou os fígados áquela malta tão sensível e socialmente activa).

É esta a medida da nossa grandeza literária. E notem por favor que não estou a comentar o livro mas sim a pequenez das nossas aspirações.

Hélas!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Faltas


António José Seguro: "percepção de que os deputados são absentistas adensou-se".

Pudera. Se eu fosse aluna, convocava uma grandiosa manifestação para exigir direitos iguais.

Hélas

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Employer branding


Chegou o employer branding.

Entre muitas outras coisas, dizem eles, "O objectivo é criar uma imagem de «great place to work» perante a comunidade." (o sublinhado é meu).

Acho isto um espanto, vocês não acham isto um espanto?

Hélas!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sinais

Há sinais de não-trânsito que são absolutamente surrealistas, olhem bem para este:
Agora imaginem sinais apropriados para todas aquelas acções que vocês gostariam de proibir em praça pública...

Bom, ainda bem que eu não trabalho lá. Ainda era processada, ou davam-me uma tareia, ou sei lá, coisa ainda pior!!

Hélas!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Conhecimentos


Nós somos quem nos conhece melhor.

Ou será que somos quem se desconhece melhor? (Assim que coloquei o ponto parágrafo, ouvi uma gargalhada escarninha vinda do andar de cima - raios partam o vizinho.)

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Metafísica


Irrita-me profundamente que confundam brio profissional com falta de vida própria.

Quando se assume uma responsabilidade profissional, é de esperar que esse compromisso seja honrado... Ou não? Só deve ser honrado quando não interferir com a vida particular?

Quando entram em colisão de interesses, a coisa deve ser analisada ou sujeita a uma regra cega do tipo "A tem sempre preferência sobre B"?

Certo, certo, é que qualquer que seja a resposta, haverá descontentes - pessoais ou profissionais. Sim, valha-nos isso para sossegar o espírito, há coisas que são certinhas como a noite.

Hélas!