terça-feira, 25 de novembro de 2008

Oculista


Há malta que vê tão pouco, mas tâo pouco, que nem vê que está a precisar de óculos.

Com óculos de ver ao perto podiam perceber que o umbigo é afinal um buraquito irrelevante na sua barriga e não um buraco negro cheio de fome e de força. Mas não há nada a fazer: precisavam de usar óculos para ver que precisavam de usar óculos.


Hélas!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A minha pátria é a minha língua


- Deslarga-me!

Fixo a rapariga atentamente, mas não, continuo na dúvida: ela quer que ele a largue de vez ou quer que ele nunca, nunca!, a largue?

Rais parta o Tempo e os provectos anos, cada vez me entendo menos com os meus irmãos desta língua tão amada. Depois do acordo será ainda pior, suponho.

Só coisas que me ralam.

Hélas!

Terapia


Lamento, hoje precisava de terapia, fui ao SPA
Homer Simpson.

Deve ter tido algum resultado, veremos.

Hélas!


domingo, 23 de novembro de 2008

Silêncio


Devo dizer que gosto muito de música - oiço, quando quero ouvir música.
E não dispenso a TV - ligo-a quando quero ser entretida e desligo quando já não quero.
Adoro cinema: ponho um DVD ou vejo o que está a dar na TV. Também gosto muito de séries, não todas mas algumas.
A net também tem ofertas muito boas.

Mas em geral? Adoro o silêncio. A ausência de sons perceptíveis.

E não percebo quem não o suporta, não percebo mesmo, my fault, I know.
Faz-me uma enorme confusão ao espírito, quem liga o rádio ou a TV numa sala e vai fazer uma coisa qualquer na outra. Assim como as pessoas que são incapazes de estar caladas, principalmente quando os outros também estão.
A ausência de som incomoda-as.

Será por vivermos num mundo barulhento e o silêncio transmitir uma certa inquietação, de coisa não normal? Será porque o barulho de fundo simula a companhia desejada e inexistente por falta de prova sonora?

Não faço a mínima idéia, o que me chateia. Quase tanto como a dificuldade em ouvir o silêncio.

Hélas!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Vida V


Há lá tristeza maior que ver alterações profundas na admiração que se teve em tempos por alguém?

Verificamos com desgosto que, ou eles ou nós, alguém se alterou no decorrer da Vida. Já não admiramos. Já não serve de exemplo. Já não se aspira a chegar lá.

Não foi por ter sido atingida a meta, foi porque esta deixou de o ser. E esta diferença marca toda a tristeza do Tempo e da perda da Inocência.

Depois, é preciso inventar formas de não ficar estupidamente zangado por alguém ser quem é e não quem nos dava tanto jeito que fosse.

Hélas!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mizaru Kikazaru Iwazaru


- Que o diabo seja cego, surdo e mudo!

Ouvi de passagem, no café. Fiquei a matutar no assunto: então isto não são as célebre virtudes dos três macacos sábios?

Estranho, muito estranho. Ora batatas, como é que alguém pode sequer conceber (quanto mais desejar) que o Diabo, mau por natureza, tenha as virtudes que se crê evitarem a maior parte do Mal?!?

Se calhar são idiossincrasias do bravo povo lusitano. Ou será que outros povos também utilizam a expressão?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Relógio


Fui a uma mostra, agora não interessa de quê; cheguei uns minutos mais cedo pois tratava-se de uma mostra guiada e portanto tinha hora marcada.

Esperei meia hora. Em pé e sem explicações, no meio de um molho de gente tão parva como eu. Fui-me embora sem ver nada, que a mostra iria demorar cerca de uma hora e eu tenho que fazer.

Diz quem lá ficou que foi giro. Eu não achei.

Hélas!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dentes do siso


O meu vizinho de cima desceu para, com aquele seu ar grave, me perguntar:

- Tu não achas que já tens idade para ter juízo?
- Não.

Ficou desconcertado.

Toda a gente que me conhece um tiquinho sabe como o meu vizinho do cimo das escadas é cínicamente racional, acutilantemente sério e absurdamente crítico; podem portanto avaliar a alegria infantil de o desconcertar com uma pequena aldrabice.


Hélas!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Guerra civil


Já uma vez fiz esta pergunta, na Folha de Couve.

Como ninguém respondeu, faço agora outra vez, esperando beneficiar desta maior interactividade: Que diacho quer dizer "guerra civil"?

Hélas!

domingo, 16 de novembro de 2008

Jornalistas


Estava eu à procura de inspiração no Correio da Manhã (não há melhor para temas abstrusos) quando li: (...) Quanto ao homem que atropelou o bebé, de dois anos, seguia num Volkswagen Golf cinzento e "nem sequer abrandou", lamentam os moradores. "Se o apanhássemos, matávamo-lo".

Não percebo bem se eles lamentam que o tipo não tenha parado para levar o puto ao Hospital se lamentam que ele não tenha parado para o poderem matar com toda a calma.

Estas coisas enervam-me. O raio dos jornalistas nunca fazem a pergunta que se impõe.

Hélas!