segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A chapada sagrada


Li hoje no jornal a história da Humanidade: a Igreja do Santo Sepulcro foi palco de uma cena de pancadaria, entre monges ortodoxos gregos e padres arménios. A polícia acabou por prender um arménio e um grego (deve ter sido a bem da igualdade de oportunidades).

Tenham por favor em mente que as 6 igrejas que dividem o controlo do Templo são todas cristãs, o que não as impede de andar à chapada no local que proclamam ser o sagrado sepulcro do Deus do Amor e da Tolerância, que veneram.

Querem mais? Uma saída de incêndio não é construída porque não há consenso e uma escada de madeira, colocada no século XIX, não é retirada porque não há acordo sobre quem tem autoridade para o fazer.

É esta a história do Homem: só está real e verdadeiramente de acordo consigo próprio - e mesmo assim, essa paz às vezes não dura…

Hélas!

domingo, 9 de novembro de 2008

Espanha


As minhas mais recentes experiências com os nuestros hermanos levam-me a perguntar novamente: como raio é que o índice de produtividade deles é maior que o nosso?!?

Já não é a primeira nem a segunda vez: demoram uma eternidade a responder a uma pergunta, outra eternidade a executar uma encomenda e chegados lá, a encomenda não foi executada ou foi mal executada. Podemos contar com mais duas eternidades até a reclamação ser atendida.

Acho que isto é um caso semelhante ao do BPN: é só fama, porque quando se fazem contas vem o Estado e intervem.

Hélas!

sábado, 8 de novembro de 2008

Graças sociais


Hoje é sábado e estou desfilhada e desmaridada (os tipos foram à vida deles, têm outros compromissos para além de me aturar e às vezes esses compromissos calham ao sábado) pelo que andei a tarde toda preguiçosamente a espiolhar a vida alheia, nesta tão interessante Terceira Vida (confesso que a Second Life não é coisa de meu gosto).

Deixei uma Boca aqui, um Bitate ali, uma alfinetada acolá, uns risos sacanas acoli ou seja, estive umas horas a exercitar o meu Doutoramento, que isto, como outras coisas, sem exercício esquece muito. Uma trabalheira.

Durante o processo, atingiu-me a compreensão de uma coisa que sempre me intrigou: se acho as pessoas tão interessantes, porque diabo não tenho eu maior graça social? A resposta hoje brilhou intensa, entre a bica e o cigarro: porque a graça social necessita de uma respeitosa pachorra com regras bem definidas. E respeitosa pachorra é um gene que os meus antepassados não aprovisionaram, portanto tenho tanta culpa disso como de não ter olhos azuis e um corpo escultural.

Olha que bom, menos uma coisa para me ralar.

Hélas!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Jantar dos Primos


Desculpem mas hoje foi o Jantar dos Primos de modo que estive ocupada a discutir filosofia caseira.

Amanhã talvez o artigo seja mais interessante; depende da espírito com que ouço a musa que se sentou hoje à mesa connosco. Pelo sim pelo não, convoquei todas mas aquilo é uma maltosa muito esquisita, nunca se sabe quem aparece.

Hélas!

Aperto de mão


Já apertaram a mão a um gordo trapo morno? Hghhhhhhhh... Ainda hoje o fiz e até a recordação me eriça os pelos dos braços.

Já me disseram que eu apertava a mão como um homem - não sendo eu parte dessa raça simbiota, senti-me algo insultada, vá-se lá saber porquê.

Mas como pelos vistos não sei como uma senhora (sim, não uma gaja qualquer, que isso era uma desclassifição terrível) deve apertar a mão, haverá por aí alguma senhora que me informe? É que não gostava de morrer completamente ignorante nesta importante questão. Obrigada desde já.

Hélas!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fazer o que se pode


Que é que interessa fazer o que se pode, se o que se pode não chega?

Já uma vez falei disso,
aqui. E a verdade é que cada vez mais estou convencida que fazer o que se pode é bonito e louvável mas o que eu quero realmente é que se faça o que é preciso ser feito...

O que é giro é que por causa disso chamam-me nomes. E com toda a razão, devo dizê-lo: não é a sabedoria popular que diz que quem faz o que pode a mais não é obrigado? Pois é. Mas para mim não chega, que querem?

É defeito de fabrico portanto não me chateiem, chateiem os meus tataravós.

Hélas!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições nos USA


As eleições prosseguem e com elas as orações e anseios de montanhas de gente.

A raça humana é sempre a mesma - deposita as suas maiores esperanças num gajo e fica à espera, prontinha para o enforcar na praça pública à primeira ocasião que as suas pouco sensatas esperanças sejam defraudadas - e serão de certeza, de tão pouco sensatas que são. Além de que qualquer relação entre elas e o que o tipo diz é pura coincidência...

O que acho mais giro é que, sendo este traço humano sobejamente conhecido, haja sempre tipos dispostos a encarnar activamente esse papel de salvador. Se calhar, como o enforcamento em praça pública é figurativo, ganham não figurativamente qualquer coisa com o quiosque.

Hélas!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O Grande Circo das Pulgas


Acho que toda a gente conhece a história dO Grande Circo das Pulgas.

O espectáculo grandioso começa logo com a tenda enorme e cheia de cor, apesar de lá dentro haver apenas uma cúpula de vidro muito pequena. Dentro da cúpula, há baloiços e escorregas, assim como trapézios, banquetas e outros objectos coloridos e brilhantes.

Estes pequenos objectos movem-se ao som da voz do apresentador e à medida do seu anúncio tronitruante que deixa qualquer um ansioso e tenso:

- Vejam estas maravilhosas, fantásticas, pulgas contorcionistas, a Pulgona e o Pulgão!

- Reparem na arte inimitável da Pulguita no trapézio: sem rede, meus caros, sem rede!

Ao fim de pouco tempo, toda a gente vê as pulgas e aplaude o seu desempenho, verdadeiramente inacreditável.

Sempre achei este Circo fascinante. Não exactamente a exibição, dado que as pulgas não existem, mas os espectadores são de facto um espectáculo.

Será que existem ou são pulgas numa cúpula dentro de uma enorme, colorida tenda, comigo no público?

Hélas!

domingo, 2 de novembro de 2008

Santinho!


- Atchim!
- Santinho.

Porque carga de água se responde "Santinho!" a quem espirra?!?

Será que nas profundezas da nossa ignara história o espirro foi conotado com alguma manifestação do mal e era necessário convocar os Santos para atalhar potenciais desgraças?

Ou pelo contrário, o santinho era convocado para ajudar a curar a maleita de saúde do espirrador? Ou será que a expressão é a síntese altamente contraída da reza "por favor, meu santinho, protege-me a mim da doença que aflige este tipo"?

Só coisas que me ralam.

Hélas!

sábado, 1 de novembro de 2008

A pergunta


Eu sempre disse que quando estamos em dúvida com a actuação ou intenções de alguém que nos importa, o melhor é perguntar-lhe directamente e sem rodeios. Pode não ser muito fácil mas se o alguém nos importa mesmo, o melhor é saber a sua resposta frontal e sem intermediários. É mais justo para o alguém e mais verdadeiro para nós.

O que não costumo dizer expressamente (sempre me pareceu claramente implícito... Mas aparentemente não é), vou dizer agora: estejam preparados para as consequências, porque elas existem: o próprio facto da questão se colocar é relevante e demonstra que sabemos que a nossa confiança nesse alguém é insuficiente.

Depois, podemos ou não acreditar na resposta. Se sim, resta apenas o facto da questão se colocar, o que pode não ser demasiado grave, dependendo da questão.

Mas, para qualquer questão, se não acreditamos na resposta, toda a confiança cai por terra e não há nada a fazer. Essa relação morreu. O melhor que o perguntador pode fazer para minimizar o luto é dizer claramente ao alguém que não acredita na resposta e ao menos assim ficam ambos conscientes do funeral...

Deixem-me só alertar para mais um pormenor a ter em conta: se a pergunta é feita, respondida com verdade mas quem pergunta não acredita na resposta - bom, parabéns ao perguntador. Acabou de ganhar a medalha de ouro na arte muito humana de magoar gravemente alguém inocente e matar qualquer coisa importante.

Hélas!