domingo, 31 de agosto de 2008

Que raio?...

Mas que raio de gente estou eu, a sonhar com o próximo fim de semana logo na 2ª feira de manhã e a lamentar a semana que entra, logo no Domingo à noite?!?

Tenho de me por a pau, senão qualquer dia vivo em permanência na sala de espera do desespero.

Arre! Antes a morte que tal sorte.

Hélas!

sábado, 30 de agosto de 2008

O amanhã

O sol brilha, de vez em quando. De vez em quando, chove.

E de quando em vez nem uma coisa nem outra, é assim uma espécie de chuva adiada num dia cinzento.

As crianças riem, de vez em quando. De vez em quando, choram.

E de quando em vez nem uma coisa nem outra, ficam mudas a olhar muito sérias para o mundo à volta.

A vida é boa, de vez em quando. De vez em quando, é má.

E de quando em vez nem uma coisa nem outra, é assim uma antecâmara de sentimentos contraditórios à espera de definição.

Acho que é o que que define a infância, a confiança no dia de amanhã.

Hélas!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Prece

O Homem é estranho... E Tu viste muito mais que eu, que vi o que não queria ter visto.

Maldade. Egoísmo (indiferença, miopia, ganância). Inveja.

Sei que para mim os pecados mortais são outros, quem sou eu para achar que o Teu amor caiu em saco roto e sacrificaste o Teu Filho em vão?!? Sabes melhor que eu, certamente. Mas olha, não descortino quem por cá merece tal. Nem poderia, pois não valho mais que eles; mas ajudava-me, lá isso ajudava. Embora não saiba bem a quê, tenho a certeza que ajudava.

Sossegava-me a alma, ver com os meus olhos imperfeitos a Razão cuja falta me atormenta. Eu sei, eu sei, já a puseste à minha frente e eu não a vi... Mas que queres? Disseste-me um dia: "Pede e receberás". Ora pedir é das poucas coisas que sei fazer e como qualquer Homem, não me esqueço nunca do que me prometeram, embora frequentemente me esqueça do que prometi.

Hélas!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Monólogos dialogados

Valha-me S. Teotónio! Estava eu sossegadinha a cozinhar uma couve, toca a campaínha: era o meu inquilino do 1º andar (um tipo muito metediço, como decerto já repararam: sempre pronto a meter umas colheradas de racional na mais inocente e simples emoção) todo alvoroçado. A conversa foi (àparte o facto de ser de mim para comigo, note-se) um bocadito mais surrealista que o costume:

- Tu está doida, rapariga?!?
- Eu? Mas porquê?
- A expores assim as tuas fraquezas, a mostrar - sabe-se lá a quem - alvos sensíveis?
- Eu? Mas eu só estava a descrever umas dúvidas que penso que são de todos...
- Tu estás a sonhar, até podem ser de todos mas ninguém as diz! Tu não percebes nada!
- Eu? Mas se toda a gente pensa nestas coisas...
- Pensa mas não diz! Tu é que não pensas nas implicações!
- Eu? Mas o que está implícito é que somos todos imperfeitos, todos temos fraquezas...
- Isso agora não interessa nada. Mas dizer certas coisas, rapariga, tu não vês que é perigoso? Dás armas a quem te quiser atacar!
- Eu? Mas porque é que alguém me quereria atacar?...

Bom, não reproduzo mais que a conversa prolongou-se por minutos, com o meu inquilino do cimo das escadas a desancar-me e eu, feita tola, a responder sempre o mesmo: - Eu?...

Ou o inquilino do 1º andar anda mais acutilante que o costume ou sou eu que estou cada vez mais despardalada da realidade. Ou então são as duas coisas.

Valha-me S. Teotónio... Porque diabo não me mudo eu lá para cima ou vem ele cá para baixo?!? Resolviam-se duma vez, estas discussões irritantes.

Hélas!

domingo, 24 de agosto de 2008

Segredos

Por várias vezes, amigos maiores ou menores me alertaram que o meu maior problema não é falar demais mas sim falar em voz alta - qualquer um me pode ouvir.

Já me pegaram pela mão e me levaram para local mais reservado - e quem o fez foi uma pessoa a quem respeito, preocupado pela minha falta de discrição ou quiçá com o facto de eu estar a falar com ele em voz normal, acerca de terceiros.

Detesto segredos. Cheiram-me sempre, com razão ou sem ela, a fraqueza na espinha dorsal do Homem, além de que é sempre o segredo que possibilta acções inomináveis, nunca a exposição clara.

Não me incomoda assumir que a minha opinião estava errada: não belisca um milímetro a minha auto-estima o facto de reconhecer um erro e partir para outra, agora mais informada, e fazer isto publicamente - sempre interiorizei que a verdade do homem não é intemporal e só os parvos não reconhecem o erro.

O que verdadeiramente me incomoda é o silêncio ou um papaguear vago quando se discute uma questão, evento ou pessoa qualquer; incomoda-me a falta de tomada de posição pública, incomoda-me o cuidado com o não-compromisso, incomoda-me passar tempos e conversas com pessoas das quais não sei a verdadeira opinião.

Incomoda-me o segredo, mesmo que seja apenas da opinião sincera.

Hélas

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Verdades, verdade...

Sempre acreditei e continuo a acreditar que a verdade é libertadora.

Mentiras médias, grandes logros ou mentirinhas da tanga não são mais que cadeias às quais acorrentamos a nossa vida; e a grossura das cadeias é proporcional à grandeza/importância da mentira.

Deste ponto de vista, o mais inócuo é a ausência de verdade - também é uma mentira, claro, mas é aquela que traz consigo as cadeias mais frágeis. E permite quase sempre a fuga do "Nem me lembrei de te dizer...".

Valha-me S. Teotónio! Porque lidamos tão mal com a verdade, a despida, real, inocente, incompleta, pura e brutal verdade?!? Porque julgamos insensatamente que a verdade que assumimos publicamente tem de ser intemporal? Afinal, não é preciso ser maldoso ou insensível, para dizer a verdade dessa hora.

Se a Verdade nem existe nunca para o Homem e todos sabemos que aquilo a que chamamos verdade não é mais que a nossa percepção da realidade, sempre toldada pelo conhecimento da altura, pelos humores da altura, pelas hormonas da altura, pelo sono dessa noite?!?

Bolas, dito isto, agora acho que não é bem com a verdade que lidamos mal, é mais com as nossas próprias imperfeições e incapacidades.

Hélas!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Filosofias

Há quem trate os amigos com a mesma delicadeza com que trata um conhecido qualquer e se dê ao trabalho de agradecer uma gentileza; claro que também há quem considere essa gentileza como devida.

Há quem se lembre de ditos, feitos e factos velhos de mais de 6 meses mas passados com outros; claro que também há quem apague da lembrança toda e qualquer coisa passada que não lhe diga directamente respeito.

Há quem se lembre dos amigos quando eles se afastam e os chame, uma e outra e outra vez, sendo insistentemente chatos, só para ver se estão inteiros e saudáveis e fazer saber que se está lá se eles algum dia quiserem voltar; e também há quem responda por considerar que é uma necessidade do chamador - não querem voltar para trás e a resposta é um fardo mas são boa gente e não querem magoar quem os chama. Sem intenção, enganam os chamadores...

Acho que a Filosofia não devia deixar de ser obrigatória na Escola, devia era ser proibida de todo. Faz crescer, sim, abre os olhos para muitas coisas.

Entre elas, uma desgraçada consciência do Outro.

Hélas!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Não contes a ninguém

A história é velhinha e sempre gostei dela pelas mil situações diferentes em que se aplica e as mil personagens que já vi fazerem estes papéis (sem falar de outras ilações, mais periféricas mas também muito interessantes - assunto para outro artigo):

A rapariga, com uma barriga onde caberiam trigémeos, sussurra para a amiga:

- Sabes, estou grávida. Mas não digas nada a ninguém, é segredo, está bem?
- Eu não vou dizer a ninguém!

Confesso que por vezes não sei bem se alguma das personagens, ou ambas, pensa de facto que o segredo não pertence à praça pública. Mas tenho a certeza de que é a sensação de outros saberem que se possui informação priveligiada que lhes enche a alma. Mesmo que seja um segredo de Polichinelo, a sensação é importante para o seu bem estar. É por isso que não resistem a contar - arriscando o privilégio - mas pedem muito segredo - protegendo o privilégio

O Homem é um animal estranho, sem dúvida.

Hélas!

sábado, 16 de agosto de 2008

Fim

Há qualquer coisa que poderia continuar mas não continua e esta é a idéia que marca. Que assegura que se chegou ao ponto em que já não existe o "logo se vê".

Não interessa discutir se esse amanhã valeria a pena (qual pena? Pena de quê, pena de quem?) - mas é certo que havia antes um amanhã que agora não há e isso é uma perda.

O que há é o fim de uma era. Hábitos que agora não fazem sentido. Uma realidade que deixou de existir. Pensamentos que agora não têm valor mas que teimam em ocupar o seu espaço, aquele que sempre ocuparam e com todo o direito pois apesar de tudo e todos, na realidade eram eles que asseguravam a continuidade que garantia a lógica da vida.

Há uma nova realidade, assustadora porque desconhecida. E a gente sem o fulgor de quando éramos novos! Sem a força, sem a esperança, sem a inconsciência da juventude!

Hélas!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Cão

Já viram um cão prestes a deitar-se?

É giro: o bicho dá voltas, voltas e mais voltas, sempre no mesmo sítio, até que se deita na posição finalmente confortável.

Eu tento, a sério que sim: ando às voltas feita cão e já dei montes, montes e montes delas. Mas não há meio de achar a posição confortável e confesso que estou a ficar cansada. Um bocado tonta, também.

Hélas!