sábado, 19 de julho de 2008

Personal Computer

Dizem que os computadores vieram ajudar a velocidade estonteante em que vivemos hoje em dia - que provoca dores de cabeça, de costas e de pés, entre outras... - á espécie humana.

Dizem que fazem contas triliões de vezes mais depressa que nós; que editam o texto, formatam-no e ao mesmo tempo corrigem a ortografia e a gramática quase sem darmos por nada; que armazenam e recuperam informação em Bases de Dados monstruosas num piscar de olhos; que possibilitam, em segundos, o que antigamente demorava dias ou semanas - eu acredito em tudo isso.

Mas quando ligo o PC e passam 10 min. antes do bicho aceder a cumprir um comando, quando estou com pressa e o Power Point me informa que está not responding, quando a impressora se recusa a cumprir o seu dever básico de imprimir, quando o email me informa educadamente que está offline sem me explicar porquê... Bom, nessas alturas tenho dúvidas.

Ou melhor, tenho pena de não ser possível matar a criatura!

Hélas!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Red Bull

Acho que estou é cansada.

Tenho uma dor de cabeça do tamanho do mundo e os olhos parecem ter vontade própria - e a vontade deles é fecharem-se. Estou cansada de lhes dizer que não, os idiotas parecem surdos.

Os dedos estão fraquinhos do peito e passam a vida a falhar teclas e a clicar ao lado da letra devida - confesso que também estou cansada de os ameaçar que qualquer dia voltam para a Primária.

Da caixa craniana nem vale a pena falar - aparentemente o morador foi de férias e deixou fraco substituto, que funciona pelo último input e cuja cache é simplesmente lamentável. Estou cansada de o ameaçar com processos em tribunal por perdas e danos.

O Murphy espreitou pela porta e riu-se para mim - mas eu estou cansada de o fintar, só lhe deitei a lingua de fora.

Vou ver se consigo passar pelo supermercado e comprar uma beberagem isotónica - mas o que eu precisava mesmo era de anfetaminas.

Hélas!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Arte

A grande arte da sobrevivência consiste em:

  1. Transmitir qual o grau de profundidade que queremos, nas explicações que pedimos;
  2. Saber qual o grau de profundidade que querem, nas explicações que nos pedem;
  3. Saber qual o grau de ignorância com que vivemos felizes.
O que é muito, muitíssimo, difícil - ora, se a gente não sabe do assunto e não está na cabeça deles, como diabo saberemos o grau de profundidade do que queremos saber, o grau de profundidade do que eles querem saber ou o grau de ignorância com que queremos viver?!?

Btatas, batatas, batatas. A vida é tão complicada.

Hélas!

A filoxera

Hoje, por um momento, passou-me uma filoxera pelos olhos:

- Vou-me embora para casa, quero lá saber, nada disto vale o sacrifício meu e dos meus, nada justifica esta tensão medonha, doida sou eu por tentar responder a solicitações impossíveis em vez de atirar a toalha ao chão, este desesperado esforço não só é insuficiente como será apreciado assim - ineficaz...

Tocou o telefone e do outro lado estava um desorbitado como eu, a tentar segurar só com as suas duas mãos três dúzias e meia de pacotes - ansioso, tenso, rindo infeliz, a dar o seu melhor com a perfeita consciência que nunca será suficiente pois o Rossio é maior que a Betesga. Desistir é pôr mais um pacote na sua pilha, já demasiado grande.

Não esqueci a filoxera, ignorei-a. As árvores também morrem, bem sei, mas morrem de pé.

Hélas

terça-feira, 15 de julho de 2008

As pessoas são boas

Parece uma tontice mas não é. A sério, as pessoas são boas. Claro que todos nós temos defeitos, diferentes graus de paciência e de educação, muito diferentes graus de egoísmo e muitíssimo diferentes valores de tolerância. Mas no panorama geral, as pessoas são boas - se não houver consequências nem para um lado nem para o outro, a esmagadora maioria de nós escolhe o lado certo - mas é isto mesmo que define uma tendência, de outra forma estamos a pesar coisas sem sequer conhecer os pesos envolvidos.

Quando a bondade entra em conflito com o interesse pessoal, pode-se questionar quão boa a pessoa é - mas isso não tira uma vírgula à natureza intrínsecamente boa, apenas a pesa contra outros factores que, naturalmente, nem sequer são os verdadeiros mas sim a forma como os apercebemos.

Apesar de todas as decepções (eu sei que há muitas), apesar de todas as desilusões (também já tive muitas), apesar de todos os desgostos (todos os adultos já tiveram imensos), apesar de nos apetecer por vezes matar o Manel, estrafegar a Maria, retalhar o Jaquim, afogar a Jaquina, enforcar o Zé e cortar às fatias - fininhas! - a Josefa, podem crer no que vos digo: as pessoas são, intrínsecamente, boas. Claro que temos de ter cuidado com elas e não andar de olhos fechados mas isso não vem ao caso: as pessoas são boas. Mas é que são mesmo!

Hélas!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A carroça não anda

A gente empurra, empurra, empurra a carroça e a carroça não anda. Ou melhor, andar até anda, uns milímetros num percurso de muitos metros...

E a gente esbraveja, irrita-se, deprime-se, refila, e empurra, empurra, empurra a carroça e a carroça não anda.

A malta fica ainda pior, nem dorme, já treslê buracos e pedras onde nem existem, gasta tempo e energia a verificar, reverificar, pede aos companheiros para verificarem as reverificações e empurra, empurra, empurra a carroça e a carroça não anda.

Já meio tresloucados, vesgos, de olhos tortos, a malta volta ao princípio com uma falsa frieza e empurra, empurra, empurra a carroça e a carroça não anda.

Há um mosquito? Mata! Uma pedrinha brilhante? Mata! Uma flor bonita? Mata! Já só se vê a carroça pesada de rodas quadradas - e a gente empurra, empurra, empurra a carroça e a carroça não anda.

Hélas!

domingo, 13 de julho de 2008

O Grande Plano das Coisas

No Grande Plano das Coisas, as pessoas concretas não têm significado. Se pensarmos em termos de Universo, Vida, Humanidade, que importância tem se mato esta formiga ou se, pelo contrário, a recolho cuidadosamente e solto no quintal?

Que importância tem se cumprimento o sr Joaquim ou se passo por ele como por uma pedra? Qual a relevância de ajudar o João numa hora de dificuldade ou de ser gentil com a triste Maria?

Na realidade, qual é a diferença causada pelo que sou (somos) e o que faço (fazemos)?

Zero.

Por muito que nos custe, a relevância da nossa vida e dos nossos actos é praticamente nula. Só existe para os que são directamente afectados e mesmo para esses durante um curto, curtíssimo, espaço de tempo após o qual a acção e as suas circunstâncias se esbatem na memória selectiva que é característica do ser humano.

É bom por um lado - não podemos estragar o mundo, mesmo se quiséssemos. É mau por outro - porque diabo devemos nós alguma vez olhar para algo além dos nossos interesses pessoais?

É este o problema. É esta a dúvida. E acho que é esta a resposta, embora eu não saiba qual é.

Hélas!

sábado, 12 de julho de 2008

Pessoas

Há pessoas que, pura e simplesmente, não têm remédio. São como são e põem-se em certas situações, repetidamente.

É claro que serem como são não significa que nasceram assim (bom, nasceram com as tendências com que nasceram) mas de qualquer forma são assim. Formadas pelas suas experiências, influenciadas nos seus anos de formação pelas forças que existiam na altura, consolidadas pelas decisões que tomaram ao longo da vida, são assim.

Sinceramente, penso que toda a gente é sempre passível de mudança e portanto também estas o são; mas em certa altura do campeonato a sua mudança requer um choque. Nalguns casos e nalgumas circunstâncias e com algumas pessoas, penso que eu poderia fornecer esse choque. Mas... Não, não posso.

Quer dizer, até podia no sentido em que estou na posição de o fazer. Mas para isso teria de dar a mim própria um outro choque - e não creio que me fizesse bem, porque implica ter uma atitude que fria e eticamente não aprovo.

Depois, também há os outros considerandos: Será que o choque dado surtia o efeito desejado? Ou iria destruir outras características, alguma raríssimas e muito boas? Ainda mais importante: quem sou eu afinal, para decidir que alguma pessoa seria melhor se não fosse como é mas sim como eu acho que devia ser num aspecto em particular?

Já viram? Se não faço o que posso fazer, pode ser por simples egoísmo (porque ia fazer-me mal), pode ser por insegurança ou ignorância (será que vai melhorar este problema concreto na pessoa ou vai é piorar a pessoa na sua natureza?).

Mas se faço o que posso fazer, há outros problemas: em que raio de pessoa me estou eu a tornar, com uma acção destas (pelo fruto se conhece a árvore...)? E quem é que me encarregou de decidir que esta ou aquela característica está certa - para além de ser a minha - e a outra está errada?!?

E faça eu o que fizer, será que fiz o que está certo? E fiz pelo motivos correctos?

Batatas. Porque é a vida tão complicada?!?

Hélas!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Verão

Por debaixo das àrvores
corre tranquila a sombra,
fresca, leve, simples.
Dança com a brisa
bailados claro/escuros,
ri-se gentilmente a sombra,
num riso inocente.

Por cima das árvores
o sol fulmina o mundo.
Portentoso. Indiferente.
Não dança. Não baila.
Não ri.

Mas sorri a sombra,
ri-se gentilmente a sombra.


Hélas!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Simplicidade e riqueza

Se o mundo fosse a preto e branco, ah! quão mais simples seria a vida! Isto está certo, pronto, aquilo está errado, ponto. Bons são os que fazem o que está certo, os outros fazem o que está errado e são maus. Simples, não é?

Mas o mundo não é a preto e branco e nem sequer se contenta com 456 graus de cinzento; tem cores: verde, azul, amarelo e mais umas quantas, cada uma delas com os seus inumeráveis graus. Depois há as misturas e claro! as suas incontáveis nuances...

Estão a ver, isto escancara a porta ao caos... Porque já não basta haver os maus que fazem coisas boas e os bons que fazem coisas más e bons e maus que fazem tanta vez a mesma coisa como também há os azuis que pintam de amarelo e os verdes que gostam de azul raiado de rosa... Até porque o objecto azul que comprei ontem, hoje me parece verde.

Como diabo é que uma rapariga se orienta, nesta interminável colografia? Pede socorro, sabendo que só lhe pode aparecer outro desorientado?!? Será que dois - ou três, ou quatro - desorientados fazem a desorientação conjunta mais orientada?...

Hélas!