sexta-feira, 11 de julho de 2008

Verão

Por debaixo das àrvores
corre tranquila a sombra,
fresca, leve, simples.
Dança com a brisa
bailados claro/escuros,
ri-se gentilmente a sombra,
num riso inocente.

Por cima das árvores
o sol fulmina o mundo.
Portentoso. Indiferente.
Não dança. Não baila.
Não ri.

Mas sorri a sombra,
ri-se gentilmente a sombra.


Hélas!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Simplicidade e riqueza

Se o mundo fosse a preto e branco, ah! quão mais simples seria a vida! Isto está certo, pronto, aquilo está errado, ponto. Bons são os que fazem o que está certo, os outros fazem o que está errado e são maus. Simples, não é?

Mas o mundo não é a preto e branco e nem sequer se contenta com 456 graus de cinzento; tem cores: verde, azul, amarelo e mais umas quantas, cada uma delas com os seus inumeráveis graus. Depois há as misturas e claro! as suas incontáveis nuances...

Estão a ver, isto escancara a porta ao caos... Porque já não basta haver os maus que fazem coisas boas e os bons que fazem coisas más e bons e maus que fazem tanta vez a mesma coisa como também há os azuis que pintam de amarelo e os verdes que gostam de azul raiado de rosa... Até porque o objecto azul que comprei ontem, hoje me parece verde.

Como diabo é que uma rapariga se orienta, nesta interminável colografia? Pede socorro, sabendo que só lhe pode aparecer outro desorientado?!? Será que dois - ou três, ou quatro - desorientados fazem a desorientação conjunta mais orientada?...

Hélas!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Exame de risco

Hoje tive um diálogo estranhíssimo. Perguntaram-me:

- Olha, tu estarias disposta a arriscar?
- Arriscar o quê? Com que prémio?
- Arriscar, de modo geral... Correr o risco de perder algo que tens.
- Mas perder o quê? A família, o emprego, a conta-poupança? E se o risco não se verificar, que é que ganho?
- Independentemente do que em concreto possas perder e em concreto possas ganhar, estarias disposta?
- Mas sem conhecer o risco não o posso avaliar e sem conhecer o prémio não posso pesar o risco!
- Tenta. Que achas?
- Sinceramente, o que acho é impossível responder a essa pergunta. Para cada par risco/prémio a minha resposta será diferente.
- Bom, essa é uma resposta possível.

Não sei bem porquê mas acho que chumbei naquele exame.

Hélas!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Taxista

Quando faço deslocações em trabalho, se puder vou de metro mas se o destino não for lá muito compatível vou de táxi. Quando pago, peço um recibo e depois peço o reembolso à empresa - o trivial.

Nos últimos tempos, tenho ido de táxi com alguma frequência; estou neste momento perfeitamente acostumada a pedir um recibo ao condutor e, depois de pagar a despesa mais uma pequena gratificação por um bom serviço, ouvir do motorista (acho que as gorgetas estão fora de moda e eles estranham mas eu sou um bocado antiquada nalgumas coisas):

- Se tivesse dito, eu tinha-lhe passado uma factura nesse valor...

É nessa altura que eu explico que a empresa tem de pagar a viagem mas que a gratificação é da minha responsabilidade - não era necessária e eu é que a decidi dar, pelo que a empresa não tem nada a ver com essa questão.
Tem sido sempre assim em todas as viagens em que gratifico o taxista.

Hoje viajei num táxi com um motorista algo sui generis que, para além de comentar pontual e descontraidamente sobre isto ou aquilo, sem forçar nem a conversa nem o silêncio, me colocou no destino em tempo e dinheiro imbatíveis.

Maravilha das maravilhas: foi o primeiro, desde que esta época mais taxística se iniciou (já lá vão bastantes viagens...) que agradeceu a gorgeta com um sorriso aberto e um "Muito obrigado!" e não necessitou de qualquer explicação.

Confirma a minha idéia que o pior do mundo são as etiquetas. Há lá coisa pior que colar uma etiqueta a dizer "TAXISTA" num homem?!?

Hélas!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O gato

Quando eu saí de casa, hoje de manhã, houve um gato que me inquiriu.

De cima do carro de um vizinho, com aquele ar de displicência e bigodes amplamente superiores, olhou para mim com uma expressão que conheço bem: "Olha mais esta, tão apressada, convencida que a sua velocidade resolve alguma coisa... Quando o mais certo é piorar essa tal coisa, tal a pressa com que a quer resolver!"

Juro que se eu não fosse uma raparíga descrente, absolutamente sem superstições e altamente cínica relativamente ao inquilino do meu andar de cima, tinha-me virado ao bicho e tinha-o mandado pentear macacos, com acrimónia.

Mas para o mal e para o bem, sou como sou.

Por isso, disse umas verdades ao meu inquilino - que ele bem merece ouvir - cumprimentei educadamente o gato com um aceno de cabeça e fui à minha vida.

Hélas!

domingo, 6 de julho de 2008

Homer Simpson

Ficar a pastelar todo o dia frente à TV é uma terapia com algumas virtudes:

1º - Não é tão caro como um SPA;
2º - Não é tão arriscado como o Prozac;
3º - Não requer esforço ou escolhas difíceis;
4º - Não testa nenhum relacionamento;
5º - Não impõe a ninguém as nossas angústias e ansiedades;
6º - Pode-se fazer sózinho;
7º - Pode manter-se desconhecido.

Na verdade, também não traz contentamento, realização ou resolução de conflitos mas como é anestésico, até parece que sim (a ausência de dor é uma felicidade de certo tipo, não é?).

Também não resolve nada, claro. Mas alguma coisa, alguma vez, resolve o que quer que seja?

Hélas!

sábado, 5 de julho de 2008

Inovação

Ontem disseram-me que as empresas que são as maiores detentoras de inovação incremental são igualmente as maiores detentoras das inovações disruptivas.

Eu fiquei espantada, confesso - a minha idéia (totalmente sem fundamentos ou estudos, apenas baseada num "sentir" provocado por conhecimentos comuns) era completamente contrária.

Tenho de ir aprofundar este assunto.

Hélas!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Já não se fazem ladrões como antigamente

A minha cria (já é crescidinho, sim, mas continua a ser a minha cria), sozinha em casa ao fim da manhã, acordou com o barulho. Estremunhado, estranhou: a esta hora?!? Mas lá se levantou, sei lá, podia ser o carteiro...

Espreitou pelo ralo da porta e não viu ninguém mas o certo é que o barulho continuava. Agora parecia vir do seu próprio quarto! Que esquisito...

Voltou ao quarto, fitou a janela: um rapazola tipo arrumador, beata ao canto da boca, abanava a janela exterior com tal convicção que o tampão de plástico que fecha a saída do ar condicionado portátil já tinha caído do vidro. O meu rapaz ficou intrigado: abriu a janela interior e perguntou:

- Ó meu, mas que estás tu a fazer?!?

O rapazola fumador, coitado, naquela situação tão imprópria e frágil de pendurado em janela alheia sem grande apoio, a 3 metros de chão firme e sem uma mão livre para segurar a beata, balbuciou:

- Bem, eu achava que era esta a morada onde vinha instalar uma antena, já vi que não é, vou-me já embora!

E foi. A cria voltou pacificamente para a cama, dormir só mais um bocadinho.

Francamente, já não há ladrões como antigamente... Nem potenciais roubados, parece.

Hélas!

Loucuras

Quando tudo corre mal e parece que somos um D. Quixote a lutar contra moinhos de vento (e a perder a batalha, obviamente, porque além dos moinhos de vento não se poderem aperceber da nossa existência, a sua natureza nem sequer tem qualquer ponto de contacto com a nossa espada desembainhada) há o riso.

  • O riso desencantado de quem se apercebe que marcha numa parada de 5 contra uma turba de 50;
  • O riso desesperado de quem decide acreditar que é tudo questão de vontade e esforço;
  • O riso louco de quem sabe que se apresenta como Napoleão, sabendo também perfeitamente que não o é;
  • O riso descontrolado de quem vê que vai para o mar de botas de chumbo e sem respiradouro. E continua a andar.

A gente ri-se.

Tensos, desencantados, desesperados e semi-loucos, rimo-nos. Mas que há-de a gente fazer, senão rir?!?

Chorar? Ná, isso nunca (ou pelo menos, nunca em frente de outra pessoa...)!

Hélas!

    terça-feira, 1 de julho de 2008

    Tem dias...

    Há dias em que parece tudo correr mal, não é?

    Os problemas sucedem-se, de tal forma que só nos apetece matar o mensageiro, qualquer mensageiro, que se chegue à nossa beira. Todas as coisas que tanto poderiam correr mal como bem decidem correr mal e as coisas que pensávamos mal encaminhadas correm mesmo mal. O ruído sobe e com ele a tensão e o stress...

    Sai este e aquele a terreiro, a maioria dos quais até quer ajudar e melhorar as coisas; e às vezes até conseguem, embora normalmente sejam os calados que ninguém ouve que as resolvem de facto, sem ninguém saber nem agradecer.
    Juntem a esta salada de bróculos uma rede interna que tem um fanico e entra em greve total, deixando o seu povo desamparado, sem email, internet e telefone; têm aqui a receita perfeita para um ataque de nervos.

    Vim para casa e consegui trabalhar com mail, net e sossego (à pala da concorrência!). O telemóvel também permitiu, enquanto carregava, alguns telefonemas importantes.

    E amanhã é outro dia.

    Hélas!