quarta-feira, 9 de julho de 2008

Exame de risco

Hoje tive um diálogo estranhíssimo. Perguntaram-me:

- Olha, tu estarias disposta a arriscar?
- Arriscar o quê? Com que prémio?
- Arriscar, de modo geral... Correr o risco de perder algo que tens.
- Mas perder o quê? A família, o emprego, a conta-poupança? E se o risco não se verificar, que é que ganho?
- Independentemente do que em concreto possas perder e em concreto possas ganhar, estarias disposta?
- Mas sem conhecer o risco não o posso avaliar e sem conhecer o prémio não posso pesar o risco!
- Tenta. Que achas?
- Sinceramente, o que acho é impossível responder a essa pergunta. Para cada par risco/prémio a minha resposta será diferente.
- Bom, essa é uma resposta possível.

Não sei bem porquê mas acho que chumbei naquele exame.

Hélas!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Taxista

Quando faço deslocações em trabalho, se puder vou de metro mas se o destino não for lá muito compatível vou de táxi. Quando pago, peço um recibo e depois peço o reembolso à empresa - o trivial.

Nos últimos tempos, tenho ido de táxi com alguma frequência; estou neste momento perfeitamente acostumada a pedir um recibo ao condutor e, depois de pagar a despesa mais uma pequena gratificação por um bom serviço, ouvir do motorista (acho que as gorgetas estão fora de moda e eles estranham mas eu sou um bocado antiquada nalgumas coisas):

- Se tivesse dito, eu tinha-lhe passado uma factura nesse valor...

É nessa altura que eu explico que a empresa tem de pagar a viagem mas que a gratificação é da minha responsabilidade - não era necessária e eu é que a decidi dar, pelo que a empresa não tem nada a ver com essa questão.
Tem sido sempre assim em todas as viagens em que gratifico o taxista.

Hoje viajei num táxi com um motorista algo sui generis que, para além de comentar pontual e descontraidamente sobre isto ou aquilo, sem forçar nem a conversa nem o silêncio, me colocou no destino em tempo e dinheiro imbatíveis.

Maravilha das maravilhas: foi o primeiro, desde que esta época mais taxística se iniciou (já lá vão bastantes viagens...) que agradeceu a gorgeta com um sorriso aberto e um "Muito obrigado!" e não necessitou de qualquer explicação.

Confirma a minha idéia que o pior do mundo são as etiquetas. Há lá coisa pior que colar uma etiqueta a dizer "TAXISTA" num homem?!?

Hélas!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O gato

Quando eu saí de casa, hoje de manhã, houve um gato que me inquiriu.

De cima do carro de um vizinho, com aquele ar de displicência e bigodes amplamente superiores, olhou para mim com uma expressão que conheço bem: "Olha mais esta, tão apressada, convencida que a sua velocidade resolve alguma coisa... Quando o mais certo é piorar essa tal coisa, tal a pressa com que a quer resolver!"

Juro que se eu não fosse uma raparíga descrente, absolutamente sem superstições e altamente cínica relativamente ao inquilino do meu andar de cima, tinha-me virado ao bicho e tinha-o mandado pentear macacos, com acrimónia.

Mas para o mal e para o bem, sou como sou.

Por isso, disse umas verdades ao meu inquilino - que ele bem merece ouvir - cumprimentei educadamente o gato com um aceno de cabeça e fui à minha vida.

Hélas!

domingo, 6 de julho de 2008

Homer Simpson

Ficar a pastelar todo o dia frente à TV é uma terapia com algumas virtudes:

1º - Não é tão caro como um SPA;
2º - Não é tão arriscado como o Prozac;
3º - Não requer esforço ou escolhas difíceis;
4º - Não testa nenhum relacionamento;
5º - Não impõe a ninguém as nossas angústias e ansiedades;
6º - Pode-se fazer sózinho;
7º - Pode manter-se desconhecido.

Na verdade, também não traz contentamento, realização ou resolução de conflitos mas como é anestésico, até parece que sim (a ausência de dor é uma felicidade de certo tipo, não é?).

Também não resolve nada, claro. Mas alguma coisa, alguma vez, resolve o que quer que seja?

Hélas!

sábado, 5 de julho de 2008

Inovação

Ontem disseram-me que as empresas que são as maiores detentoras de inovação incremental são igualmente as maiores detentoras das inovações disruptivas.

Eu fiquei espantada, confesso - a minha idéia (totalmente sem fundamentos ou estudos, apenas baseada num "sentir" provocado por conhecimentos comuns) era completamente contrária.

Tenho de ir aprofundar este assunto.

Hélas!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Já não se fazem ladrões como antigamente

A minha cria (já é crescidinho, sim, mas continua a ser a minha cria), sozinha em casa ao fim da manhã, acordou com o barulho. Estremunhado, estranhou: a esta hora?!? Mas lá se levantou, sei lá, podia ser o carteiro...

Espreitou pelo ralo da porta e não viu ninguém mas o certo é que o barulho continuava. Agora parecia vir do seu próprio quarto! Que esquisito...

Voltou ao quarto, fitou a janela: um rapazola tipo arrumador, beata ao canto da boca, abanava a janela exterior com tal convicção que o tampão de plástico que fecha a saída do ar condicionado portátil já tinha caído do vidro. O meu rapaz ficou intrigado: abriu a janela interior e perguntou:

- Ó meu, mas que estás tu a fazer?!?

O rapazola fumador, coitado, naquela situação tão imprópria e frágil de pendurado em janela alheia sem grande apoio, a 3 metros de chão firme e sem uma mão livre para segurar a beata, balbuciou:

- Bem, eu achava que era esta a morada onde vinha instalar uma antena, já vi que não é, vou-me já embora!

E foi. A cria voltou pacificamente para a cama, dormir só mais um bocadinho.

Francamente, já não há ladrões como antigamente... Nem potenciais roubados, parece.

Hélas!

Loucuras

Quando tudo corre mal e parece que somos um D. Quixote a lutar contra moinhos de vento (e a perder a batalha, obviamente, porque além dos moinhos de vento não se poderem aperceber da nossa existência, a sua natureza nem sequer tem qualquer ponto de contacto com a nossa espada desembainhada) há o riso.

  • O riso desencantado de quem se apercebe que marcha numa parada de 5 contra uma turba de 50;
  • O riso desesperado de quem decide acreditar que é tudo questão de vontade e esforço;
  • O riso louco de quem sabe que se apresenta como Napoleão, sabendo também perfeitamente que não o é;
  • O riso descontrolado de quem vê que vai para o mar de botas de chumbo e sem respiradouro. E continua a andar.

A gente ri-se.

Tensos, desencantados, desesperados e semi-loucos, rimo-nos. Mas que há-de a gente fazer, senão rir?!?

Chorar? Ná, isso nunca (ou pelo menos, nunca em frente de outra pessoa...)!

Hélas!

    terça-feira, 1 de julho de 2008

    Tem dias...

    Há dias em que parece tudo correr mal, não é?

    Os problemas sucedem-se, de tal forma que só nos apetece matar o mensageiro, qualquer mensageiro, que se chegue à nossa beira. Todas as coisas que tanto poderiam correr mal como bem decidem correr mal e as coisas que pensávamos mal encaminhadas correm mesmo mal. O ruído sobe e com ele a tensão e o stress...

    Sai este e aquele a terreiro, a maioria dos quais até quer ajudar e melhorar as coisas; e às vezes até conseguem, embora normalmente sejam os calados que ninguém ouve que as resolvem de facto, sem ninguém saber nem agradecer.
    Juntem a esta salada de bróculos uma rede interna que tem um fanico e entra em greve total, deixando o seu povo desamparado, sem email, internet e telefone; têm aqui a receita perfeita para um ataque de nervos.

    Vim para casa e consegui trabalhar com mail, net e sossego (à pala da concorrência!). O telemóvel também permitiu, enquanto carregava, alguns telefonemas importantes.

    E amanhã é outro dia.

    Hélas!

    segunda-feira, 30 de junho de 2008

    Os outros

    Porque é que as dores dos outros são sempre menores que as nossas, os trabalhos dos outros são sempre mais fáceis, mais simples e menos trabalhosos que os nossos, o empenho dos outros é sempre menor que o nosso?

    Porque é que a competência dos outros é sempre menor que a nossa, as dificuldades dos outros são sempre mais pequenas que as nossas, os sacrifícios dos outros são sempre mais fáceis que os nossos e a sorte dos outros é sempre maior que a nossa?

    Palavra que percebo muito bem porque é que a moral dos outros é pior que a nossa (se a gente a achasse melhor, seria essa a nossa, né?...) mas o resto não percebo. E vejo repetidamente o mesmo, até o detecto - socorro! - por vezes em mim própria, e não percebo. Que diabo, além de animais dotados de um saudável egoísmo, também somos supostamente racionais... Capazes de avaliar objectivamente um esforço, uma competência, um empenho... Ou não?

    Aparentemente, não.

    Hélas!

    domingo, 29 de junho de 2008

    Vida light

    As coisas light, para mim, são problemáticas porque querem fazer-se passar pelo que não são... É como o café descafeínado: se é descafeínado, não é café; é uma bebida - às vezes bem boa! - com sabor a café e que se bebe quente mas não é café; porque diabo se intitula café?!?

    Eu cá, quando como batatas fritas, não são light, trazem todas as calorias a que tenho direito (abro uma só excepção, a única que conheço: a Coca-cola Zero tem de facto o mesmo sabor da Coca-cola normal. Mas já não acontece o mesmo com a Coca-cola light, nem com a descafeinada, que são bebidas diferentes da Coca-cola embora se intitulem como tal).

    Acho que embora fundamentalmente anti-fundamentalista, afinal sou fundamentalista em muita coisa. Completamente inflexível, mesmo...

    E irrita-me sobremaneira que um produto pretenda ser uma coisa que não é, em vez de assumir a sua identidade própria... Tal qual como as pessoas, aliás. Irrita-me!

    Hélas!